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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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Passe pela Biblioteca | “O Mistério do Caso de Campolide”, de Francisco Moita Flores

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “O Mistério do Caso de Campolide”, de Francisco Moita Flores, é a sugestão apresentada esta semana por Nuno Ferreira, da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill, em Constância.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

A obra sugerida é “O Mistério do Caso de Campolide”, de Francisco Moita Flores, romance lançado em outubro de 2018. O autor é muito conhecido pela sua visibilidade pública, é ainda uma presença assídua em programas de televisão portuguesa, especialmente como analista em criminalidade violenta.

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No entanto, possui outras facetas muito importantes, uma delas, ser um escritor com uma obra literária extensa e interessante, do romance ao conto, da novela à dramaturgia. Este último estilo traduziu-se em argumentos para cinema, televisão e teatro de inegável qualidade em língua portuguesa.

O seu último romance marca um novo género literário na sua obra, o romance policial, em que o autor consegue construir um enredo deveras interessante e na boa tradição do policial. A ação desenrola-se no ano de 1937, no auge do Estado Novo de Salazar e no inicio da vitória dos nacionalistas na Guerra Civil de Espanha.

Narra-nos uma história do homicídio de um industrial de reconhecido mérito público, que tinha acabado de ser convidado para ser candidato a deputado à Assembleia Nacional pelo partido único que então dominava as lides políticas de então, a “União Nacional”, para as eleições que iriam decorrer em 1938. A sua morte vai ocorrer durante um jantar de comemoração com amigos influentes do Regime, no seu palacete em Campolide.

É chamada a resolver este mistério a PIC, acrónimo de Polícia de Investigação Criminal, que é a mãe da atual Polícia Judiciária e que foi criada ainda no tempo da velha República em 1918, pelo presidente Sidónio Pais.

Os detetives à semelhança de Conan Doyle, são dois, o jovem Simão Rosmaninho, cerebral e adepto da investigação baseada em fatos e provas, e Arengas, um agente à moda antiga, um emocional que investiga de forma tradicional e à base da ação direta. À perna terão a PVDE, acrónimo Policia de Vigilância e Defesa de Estado, policia política do regime, que em 1937 era já um estado dentro do estado.

O romance escrito de uma forma muito interessante e que prende o leitor do principio ao fim, introduz as técnicas do romance policial, aliado a uma rigorosa reconstituição histórica de uma época pouco estudada da História de Portugal, que revela uma sociedade por um lado descansada da confusão da República de 1910, por outro a ser sufocada por um regime, que tudo controla, tudo domina, em que os seus tentáculos se encontram em toda a vida do país.

Responsável pela Biblioteca Municipal Alexandre O'Neill em Constância

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