Passe pela Biblioteca | “O Mandarim”, de Eça de Queirós

Os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo fazem recomendações de leitura no nosso jornal todas as semanas. “O Mandarim”, de Eça de Queirós, é um dos livros que pode ler gratuitamente online e é a sugestão hoje apresentada por Margarida Teodora Trindade, diretora da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, de Torres Novas. Fique em casa… e boas leituras!

Temos Lisboa em finais do século XIX, como pano de fundo. Comecemos então por aqui.

Um homem jovem e ambicioso, Teodoro, insatisfeito com a vida que leva, cai subitamente em tentação. Eis o mote para o desenrolar de O Mandarim, de Eça de Queirós, publicado em 1880.

O bem e o mal em eterno desafio. A condição humana, a consciência inquieta e a irreversibilidade da morte.

Eça, ao seu jeito, a desafiar o leitor diante de um problema ético, fruto da ambição cega de um bacharel remediado, conduz-nos numa viagem relatada da Lisboa urbana, boémia, moralista e interesseira, dos finais do século XIX, à espantosa oriental Pequim.

Uma viagem que no seu cerne é essencialmente ao interior da consciência, ao realçar das fraquezas humanas, à tentativa de reparar o mal e recuperar a paz de espírito.

Os cenários, os objetos, as personagens — a descrição dos contextos domésticos, íntimos ou exteriores de cada passagem é um ritual ao qual o autor dedicou, com o estilo que o caracteriza, cada detalhe. Descreve-nos Pequim, por exemplo, como se lá conseguíssemos estar em simultâneo com o bacharel deslumbrado que nos transporta para aquele cenário a cada olhar, a cada reflexão, a cada assombro ante uma realidade inteiramente nova.

A fantasia e a realidade misturam-se ao longo da obra, às vezes num dramatismo intenso, outras recorrendo a um humor subtil, mas desconcertante.

O Diabo, ou a sua simbologia fantasmagórica omnipresente, é fatal na narrativa, alavancando toda a ação. Uma vez satisfeito, são infrutíferas as tentativas de o arredar. Resta o arrependimento e um aviso ao leitor: “Nunca mates o Mandarim.”

O Mandarim, de Eça de Queirós, está em domínio público e pode ser lido e descarregado a partir de casa, gratuitamente, à distância de um click. Por exemplo, acedendo ao catálogo da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, aqui, ou a partir do catálogo do Projecto Adamastor, aqui.

Boas leituras. E, enquanto for necessário, fique em casa, protegendo-se a si e aos outros.

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here