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Domingo, Novembro 28, 2021

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Passe pela Biblioteca | “O ladrão de sombras”, de Marc Levy

Os responsáveis das bibliotecas do Médio Tejo fazem recomendações de leitura no nosso jornal todas as semanas.”O ladrão de sombras”, de Marc Levy, é a sugestão hoje apresentada por Dulce Figueiredo, da Biblioteca Municipal do Sardoal. Passe pela Biblioteca… e boas leituras!

Este é um bom livro para a quadra que vivemos. Nada tem que ver com o Natal, a não ser no sentimento e nos afetos que nos vão aquecendo ao longo do correr das páginas.

O pequeno narrador que nos inicia nesta história é especial, ele sente-se como um “ladrão de sombras”, mas é mais do que isso! As sombras das pessoas com quem se cruza na rua vão atrás dele, confidenciam-lhe problemas, segredos e sentimentos, impelindo-o a ajudar os outros! 

O “ladrão de sombras” abre aos poucos os olhos dos leitores para o que os rodeia, para os silêncios dos amores, para o egoísmo inerente ao crescimento físico e mental, para o impacto doloroso das nossas palavras ou atos naqueles que amamos.

É um livro terno e envolvente sobre o crescimento e a evolução do ser humano, da importância das pequenas coisas e da felicidade que delas resulta. Uma história de amor, um amor sincero e real, entre mãe e filho, um amor que se transforma e amadurece ao longo dos anos. Em duas palavras: pura ternura!

“Janeiro estava glacial. Luc voltou mais motivado do que nunca para os seus estudos. O seu pai bulia-lhe com os nervos e a irmãzinha passara mais tempo à volta da consola de jogos do que a falar com ele. A meu pedido, Luc tinha ido visitar a minha mãe. Achou-a com boa carinha. A minha mãe deu-lhe uma carta e um presente de Natal para mim.

Meu querido,

Sei bem como o teu trabalho te absorve. Não tenhas pena, na noite de Natal eu estava um pouco cansada e fui deitar-me cedo. O jardim está como eu, adormecido por baixo da geada do inverno. As sebes estão brancas e o espetáculo é magnífico. O vizinho veio trazer-me mais lenha do que seria precisa para aguentar um cerco. À tardinha, acendo a lareira e vejo as chamas a crepitar enquanto penso em ti e na vida agitada que levas. Isso traz-me tantas recordações… Deves compreender melhor agora porque é que me acontecia voltar esgotada para casa e espero que me perdoes aquelas noites em que não encontrava forças para falar contigo. Gostaria de te ver mais vezes, sinto falta da tua presença, mas estou feliz e orgulhosa por aquilo que estás a realizar. Irei ver-te logo nos primeiros dias de primavera. Sei que te tinha prometido uma visita em fevereiro, mas com o gelo a continuar, prefiro ser cautelosa; não gostaria de impor a minha presença sob a forma de uma paciente coxa. Se, por sorte, conseguisses tirar alguns dias, embora ao escrever saiba que é impossível, eu seria a mais feliz das mães.

Espera-nos um ano maravilhoso, em julho recebes o teu diploma e começa o teu internato. Sabes tudo isto melhor do que eu, mas o simples facto de escrever estas palavras deixa-me tão orgulhosa que seria capaz de as copiar cem vezes.

Então um bom e feliz ano, meu filho. A tua mãe que te ama.

PS: Se não gostares da cor do cachecol, paciência, não podes mudá-la, fui eu que o fiz. Se ficar um bocado torto, é natural, foi a primeira vez que tricotei e também a última, achei horrível.  

Abri o pacote e pus o cachecol à volta do pescoço. Luc começou imediatamente a gozar comigo. O cachecol era de cor violeta e mais largo numa ponta do que na outra. Mas depois de dar um nó, não se dava por nada. Usei esse cachecol durante todo o inverno.”

Arquivista e Bibliotecária na Câmara Municipal de Sardoal

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