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Sábado, Maio 8, 2021

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Passe pela Biblioteca | “O infinito num junco”, de Irene Vallejo

Os responsáveis das bibliotecas do Médio Tejo fazem recomendações de leitura no nosso jornal todas as semanas. “O infinito num junco”, de Irene Vallejo, é a sugestão hoje apresentada por Margarida Teodora Trindade, diretora da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, de Torres Novas. Passe pela Biblioteca… e boas leituras!

Irene Vallejo – O INFINITO NUM JUNCO (Bertrand Editora, 2021)

A sugestão de leitura que hoje aqui apresentamos traz-nos a invenção e a história do livro, mas também os seus inevitáveis cruzamentos com outras histórias. O quotidiano vulgar ou momentos marcantes, homens notáveis ou homens comuns, um objeto banal ou de culto e peripécias várias associadas a este objeto civilizacional fazem-nos, neste livro, viajar da antiguidade clássica à contemporaneidade, vezes sem conta. E este poderia ser um resumo muito breve deste livro.

Porém a densidade de informação nele contida, os contextos históricos, as personalidades e os paralelismos conferem a esta obra uma dimensão rara para a compreensão da importância do registo escrito e do conhecimento.

As influências alexandrina, egípcia, grega e latina fizeram do livro o instrumento tecnologicamente mais bem apetrechado para transmitir conhecimento, mas também, eventualmente, para manipulá-lo e transformar o curso indissociável das histórias: a do Homem e a dos saberes.

Através do fio condutor do tempo, na viagem pela história do livro, Irene Vallejo faz-nos relatos de aventuras, saques, traições, estratégias, guerrilhas e poder. Conta-nos do ambiente intelectual e artístico no interior da mítica biblioteca de Alexandria onde conviviam eruditos, mestres, poetas, filósofos, geógrafos, matemáticos, alguns bem conhecidos pela sua preponderância no avanço civilizacional. Do volumen ao códex, o emergir das primeiras bibliotecas “públicas” por onde deambulavam sábios cuja única função remunerada era ler, estudar, aprender e escrever para produzir e transmitir informação e conhecimento.

Para além das modas ou tendências que colocaram, nos últimos meses, este livro no topo das preferências de muitos bibliófilos, vale a pena abri-lo e saborear devagar cada página, cada pequena história, cada detalhe desencantado na imensidão da pesquisa aturada que a autora levou a cabo. Não será necessário lê-lo todo de um só fôlego, basta tê-lo à mão durante uns dias; abri-lo, num ou noutro capítulo, e deixar-se fascinar pelo infinito milenar da permanência do saber em tabuinhas de barro, papiros, pergaminhos, papéis e ecrãs digitais. 

Na semana em que comemoramos o DIA MUNDIAL DO LIVRO, deixamos-lhe este título como proposta. O INFINITO NUM JUNCO, de Irene Vallejo, é uma ode ao livro, à leitura e aos leitores.

 “A invenção dos livros foi talvez o maior triunfo na nossa tenaz luta contra a destruição. Confiámos aos juncos, à pele, aos farrapos, às árvores e à luz a sabedoria que não estávamos dispostos a perder.” 

Passe pela Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes ou solicite o livro através do serviço de Biblio-Entregas. Mas primeiro, consulte o catálogo e veja se esta ou outras obras estão disponíveis para empréstimo, aqui.

Diretora da Biblioteca Municipal de Torres Novas

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