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Segunda-feira, Junho 14, 2021

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Passe pela Biblioteca | “O homem em busca de um sentido”, de Viktor Emil Frankl

Os responsáveis das bibliotecas do Médio Tejo fazem recomendações de leitura no nosso jornal todas as semanas. “O homem em busca de um sentido”, de Viktor Emil Frankl, é a sugestão hoje apresentada por Amílcar Correia, da Biblioteca Municipal do Entroncamento. Passe pela Biblioteca… e boas leituras!

Viktor Emil Frankl, autor de “O homem em busca de um sentido”, nasceu na Áustria, em 1905. A sua formação em neurologia, bem como o doutoramento em psiquiatria, ambos tirados na Universidade de Viena, direcionam-no para os seus objetivos, o estudo da depressão e do suicídio.

Promove, neste campo, um programa piloto com o apoio de estudantes vienenses, tendo reduzido, na esfera de ação em que o plano foi aplicado, a taxa de suicídio para zero.

A promissora carreira, de Viktor Frankl, seria interrompida com a ascensão do Nacional Socialismo na Alemanha, que acaba por o enviar para um gueto e, em 1942, o deporta para Auschwitz. 

É sobre o tempo passado em Auschwitz, que Frankl escreve, em 1946, este livro, no qual a maior parte é a descrição do dia a dia no campo de concentração e sobre a sua dramática luta pela sobrevivência. 

Nos anos em que esteve preso, observou o comportamento dos seus colegas de cativeiro e as suas diferentes reações a situações tão extremas de sobrevivência. 

Enquanto está em Auschwitz, percebe que, mais que pela fome ou por falta de assistência médica, os prisioneiros morrem por desalento e falta de esperança. 

E, assim, também observou que os prisioneiros que tinham objetivos como: a esperança de sobreviverem àquele inferno e reencontrar familiares, tinham uma atitude mais resiliente; aqueles que procuravam diariamente por comida, através das mais diversas artimanhas e transações, para compensar a fraquíssima dieta alimentar que lhes davam, mantinham a mente ocupada e dava-lhes um sentido ao dia a dia.

O próprio autor arranjou uma estratégia de ultrapassar os seus momentos de maior sofrimento, ocupando o pensamento em conversas imaginárias com a sua mulher, grávida, e, como ele, presa em Auschwitz, que no final não mais encontraria, nem aos restantes familiares, entre os quais irmãos.

No final, seria o único sobrevivente da família a essa guerra. Cumpriu, contudo, uma das suas missões de vida, a de dar conhecimento a todo o mundo do seu método para enfrentar o maior dos horrores e sobreviver.  Viktor teve uma longa vida, falecendo aos 92 anos, em 1997.

A logoterapia, o seu legado para o estudo da mente, é uma abordagem psicoterapêutica   menos retrospetiva e menos introspetiva que a psicanálise. Centra-se, sobretudo, no futuro, na busca de um sentido para a vida de cada paciente, que o faça ultrapassar a doença. A logoterapia continua a ser ensinada e usada na cura de neuroses, como estados depressivos e “crises existenciais” e, em geral, nas falta de motivação para viver.

Nesta edição, o texto é diferente do inicial, tendo sido reescrito pelo autor, a pedido de muitos leitores e estudiosos, que lhe pediram uma descrição mais pormenorizada dessa novo ramo da psicologia, a logoterapia.  

O autor desenvolve mais a sua teoria numa segunda versão, que é esta, mas confessa: “A tarefa não era fácil. Transmitir ao leitor, num curto espaço, todo o material que necessitou de vinte volumes em alemão é quase missão impossível”.

Boas Leituras!

Bibliotecário responsável pela Biblioteca Municipal do Entroncamento

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