Passe pela Biblioteca | “Grandes Esperanças”, de Charles Dickens

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “Grandes Esperanças”, de Charles Dickens, é a sugestão apresentada esta semana por Amílcar Correia, da Biblioteca Municipal do Entroncamento.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Escritor inglês, um dos mais populares das terras de sua majestade, Charles John Huffam Dickens nasceu em Portsmouth, a 7 fevereiro de 1812. Conhecido, entre outras, pelas obras: A Christmas CarolDavid CopperfieldNicholas NicklebyConto de duas cidades e Tempos difíceis – Dickens foi um dos escritores que introduziram na literatura vitoriana a crítica social.

Estava-se em plena revolução industrial. Os seus romances espelham a vida dura do operariado, as desigualdades sociais e a crítica à classe dominante. Foi nesta conjuntura que se forjou este autor, um dos melhores da literatura inglesa.

O romance Grandes esperanças tem a sua origem, segundo os estudiosos do autor, num caso amoroso entre Dickens e a atriz Ellen Ternan, uma relação que nunca chegou ao altar, resultado da oposição dos pais de Ellen que não reconheciam em Dickens, à altura do namoro, uma pessoa possuidora de estatuto social digno de se associar à família Ternan.

O título, Grandes esperanças, reflete as expetativas que Phillip Pirrip (Pip) – o personagem em torno de quem a obra se desenrola – acalentava em tornar-se cavalheiro na sociedade vitoriana. Órfão, criado, desde cedo, pela tia Georgia, Pip cresce num ambiente pobre e rústico, mas resignado com o seu destino. Joe Gregory, o marido da sua tia, era ferreiro.

O romance desenvolve-se com base em três acontecimentos singulares na vida de Pip que lhe traçam o destino.

O primeiro episódio surge protagonizado por um temível prisioneiro evadido, de seu nome Magwitch, quando este surpreende Pip, que deambulava pelo cemitério, junto da campa dos pais. Pip, ameaçado pelo bandido, é coagido a levar-lhe alimentos e uma lima da serralharia de Joe. Pip, atemorizado, cumpre o prometido, saciando a fome do foragido e fornecendo-lhe a ferramenta com que o evadido haveria de serrar as algemas que lhe tolhiam os movimentos. No dia seguinte, a tropa passa pela casa de Joe na sua missão de capturar os prisioneiros em fuga. Joe e Pip, a convite do oficial do exército, acompanham-nos nas buscas. Magwitch é encontrado nas imediações do cemitério.

Quando o condenado é preso, Pip consegue cruzar o olhar com Magwitch e dar-lhe a entender que não fora ele quem o denunciara. Num gesto de gratidão inesperado, o condenado confessa às autoridades que fora ele que roubara Joe, ilibando o pequeno Pip de quaisquer responsabilidades do delito que cometera ao roubar a comida e a lima.

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A visita do advogado de Miss Havisham é o segundo marco da sua epopeia. Um convite inesperado, feito através do advogado de Miss Havisham, senhora rica e excêntrica, mesmo louca, desde que fora abandonada no altar por um vigarista, cuja única intenção foi roubá-la. Miss Havisham procura em Pip uma companhia para a sua filha adotiva Estella, procurando minimizar-lhe a monotonia dos dias naquele grande casarão. Pip, ainda criança e ligeiramente mais novo que Estella, fica com uma grande afeição pela bela rapariga que, contudo, lhe corresponde com frieza e arrogância. Pip sente-se rejeitado pela sua condição de menino pobre e oriundo de um ambiente rural. Numa das visitas, conhece fugazmente um rapaz da sua idade, com quem trava uma briga. Irá reencontrá-lo, mais tarde, noutras circunstâncias.

Depois de alguns meses, Pip é dispensado das visitas a casa de M. Havisham, voltando para casa de Joe, com quem continua a manter uma excelente relação de amizade e cumplicidade, solidificada pela aspereza de Georgia, mulher dura para ambos. Entretanto, já um jovem, Pip ocupa o lugar de ajudante de ferreiro na oficina de Joe. Aí trabalham em perfeita sintonia com Joe. Contudo, Pip, desde o tempo passado com Estella, acalentava outro futuro para si, até porque pretendia conquistar o amor de Estella por quem, com o passar do tempo, a paixão foi crescendo. Quando parecia que Pip nunca conseguiria concretizar o seu sonho…

Inesperadamente – e como terceiro episódio marcante, que abre a porta ao resto do romance -, as preces de Pip são ouvidas, quando o advogado de M. Havisham, agora em representação de uma pessoa anónima, aparece, mais uma vez, na casa de Joe em busca de Pip. O seu cliente anónimo oferecia a Pip propriedades e riquezas se ele se sujeitasse a ir para Londres estudar e receber formação complementar, que, à época, era destinada aos jovens oriundos de famílias ricas. Por último, uma exigência… nunca deixar de usar o nome de Pip.

Radiante, vendo à vista a concretização dos seus sonhos, o jovem concorda e parte para a capital, deixando para trás tudo o que fora a sua vida, a família que o criara e principalmente um Joe triste, mas feliz por ver Pip concretizar o seu sonho.

Pip segue a formação que lhe é ministrada e, com o tempo, interioriza as caraterísticas comportamentais de um comum aluno oriundo de boas famílias. Chega a envergonhar-se do seu passado e dos modos rústicos da sua família adotiva. Sente-o, particularmente, numa visita que Joe lhe faz em Londres, quando é portador de uma mensagem de que Miss Havisham. O modo simples de Joe, a roupa desadequada, a falta de etiqueta à mesa num jantar com Pip e os seus amigos, deixam Pip embaraçado perante os seu pares. No momento, não compreende que foi aquele homem, simples e humilde, o seu maior amigo na infância, a pessoa que se preocupava com ele e que, com os proventos do seu duro trabalho o abrigou e sustentou, evitando que tivesse sido enviado para uma casa de órfãos e entregue a um destino incerto.

Com o tempo, e depois de muitas peripécias, Pip acaba por perceber que nem os estudos nem a formação recebida o tinham tornado num ser humano melhor.

Conquistará Estella? Conhecerá a identidade do seu mecenas? Que desfecho terá a vida de Pip?

Tudo para saber neste livro, considerado, por muitos, o melhor e mais equilibrado de Dickens.

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