Passe pela Biblioteca | “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes

Os responsáveis das bibliotecas do Médio Tejo fazem recomendações de leitura no nosso jornal todas as semanas. “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes, é a sugestão apresentada por Nuno Ferreira, da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill, em Constância. Passe pela Biblioteca… e boas leituras!

A sugestão de leitura da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill é o romance “Esteiros”, do escritor português Soeiro Pereira Gomes, obra considerada um clássico da literatura portuguesa e por muitos críticos considerada a obra prima do autor.

Joaquim Soeiro Pereira Gomes nasceu no concelho de Baião em 1909 e vem a falecer com apenas 40 anos em Lisboa em 1949, a sua família dedicava-se à agricultura, tendo o autor seguido inicialmente o negócio da família, tendo para tal, ido estudar para as Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra, onde tirou o curso de Regente Agrícola. Após o termino do curso foi trabalhar para Angola, então colónia portuguesa.

Casou-se com Manuela Câncio dos Reis (1910-2011) e após o seu retorno de África, foi viver com a sua família para Alhandra, local onde residia o seu sogro, tendo trabalhado como administrativo na fábrica de cimentos local (ainda hoje existente) e tendo-se envolvido num trabalho de dinamização cultural com os operários locais.

Paralelamente ia escrevendo romances, entre eles, a nossa sugestão, tendo a primeira edição saído do prelo em 1941, tendo sido ilustrada pelo então secretário-geral do Partido Comunista Português Álvaro Cunhal. Devido à sua militância comunista, e em consequência da existência de uma ditadura fascista em Portugal, foi obrigado a entrar na clandestinidade como forma de poder continuar o seu trabalho de militância e de luta contra a ditadura. Morrerá de um cancro pulmonar não tratado, consequência de ser um grande fumador e por se encontrar em clandestinidade e não ter conseguido aceder a tratamento médico apropriado.

A obra “Esteiros” marca decisivamente o panorama literário da época e várias gerações de escritores portugueses, sendo considerado um dos expoentes máximos do neo-realismo português, tendo sido a última obra que Soeiro Pereira Gomes viu publicada em vida.

Narra a história de um grupo de crianças que por motivos de sobrevivência, tiveram que abandonar a escola prematuramente, para ir trabalhar numa fábrica de tijolos.

É um livro direto e que bebe muito da realidade que o autor viveu e que viu acontecer, mas também, foi uma realidade que atingiu muitas crianças portuguesas durante a ditadura portuguesa, em que a desigualdade e a injustiça social, assim como, a miséria era muita, e é a estas crianças que o  autor dedica o seu romance: “Para os filhos dos homens que nunca foram meninos escrevi este livro.”

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