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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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Passe pela Biblioteca | “Elementos para a História da Paróquia do Entroncamento”, de Martinho Gonçalves Mourão

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço todas as segundas-feiras, de forma alternada.”Elementos para a História da Paróquia do Entroncamento”, do padre Martinho Gonçalves Mourão, é a sugestão apresentada esta esta semana por Amílcar Correia, da Biblioteca Municipal do Entroncamento.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Elementos para a História da Paróquia do Entroncamento é um trabalho que resulta da compilação dos textos publicados no jornal “O Entroncamento”, entre 1946 e 1948, pelo Padre Martinho Gonçalves Mourão, primeiro pároco da freguesia do Entroncamento. A tarefa foi entregue ao Dr. Luís Miguel Preto Batista, licenciado em história e autor de diversos livros de investigação histórica sobre a região.

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As crónicas, algumas com incursão pela história da região outras dos acontecimentos que iam ocorrendo na vida social do Entroncamento, foram fundamentadas em pesquisas que efetuou, quer em fontes escritas (livros de Batismo, Matrimónios e Óbitos), quer em fontes orais, constituídas por pessoas que conheceu intervenientes ou conhecedoras dos acontecimentos que lhe relatavam. Muitas das crónicas que escreveu formam de acontecimentos que vivenciou na primeira pessoa.

São testemunhos duma época que só pode ser estudada com a consulta da sua herança escrita. Elementos fundamentais e incontornáveis para quem queira investigar a história da nossa cidade. Em boa hora o Dr. Luís Batista aceitou o desafio de compilar os artigos do Pe. Martinho, enriquecendo a ligação e compreensão dos relatos, com os seus conhecimentos profundos sobre a história do local. Este importante trabalho, que o jornal “O Entroncamento” editou em 1997, quando era pároco o Pe. Armando Delgado Marques, também ele, dinâmico e empreendedor. Era diretor do jornal, ao tempo, o Sr. Eng.º Luís Alberto Ribeiro.

Martinho Mourão, natural de Pedrógão, concelho de Torres Novas, nasceu em outubro de 1907. Pároco das freguesias da Atalaia, Tancos e do concelho de Vila Nova da Barquinha, fixou residência no Entroncamento, onde, entretanto, o destino e a força dos homens abria o caminho do futuro Entroncamento, à sua promoção a freguesia e à criação da Paróquia da Sagrada Família, que teve como primeiro pároco o Pe. Martinho Mourão.

Homem empreendedor e de uma extrema sensibilidade para com as causas sociais criou, em 1945, o “Centro de Assistência Social Infantil” do Entroncamento que viria, a seu pedido, a ser gerido pela Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, o que se concretizou em 1947. Em 1946, com a colaboração do Professor Francisco António Corujo e do Eng.º Gomes leal, fundou o bimensário, “O Entroncamento”, jornal de notícias e apostolado, cujo lucro revertia para o Centro de Assistência Social Infantil. Atento à pobreza que grassava em sectores mais desfavorecidos da população, funda a “Conferência de S. Vicente de Paulo” que, ainda hoje, tem um papel importantíssimo no auxílio aos mais carenciados. Muitas são as iniciativas que levou a cabo e que podemos conhecer pela leitura deste livro.

As terras em que este povoado assentava pertenciam a duas freguesias e a dois concelhos. A nascente, até à via férrea, as terras pertenciam à freguesia de Atalaia, concelho da Barquinha. A região poente pertencia à freguesia de S. Tiago da Vila, concelho de Torres Novas. Temos a vida religiosa da população dividida por duas igrejas paroquiais: a da Atalaia e a de São Tiago.

Neste estudo se abordam os diversos locais em que foram sendo administrados os sacramentos dos futuros entroncamentenses – Atalaia; Barquinha; Quinta da Cardiga; Capela das Vaginhas… Aliás, este assunto é abordado num livro que já trouxe à colação neste espaço – “Os Casais das Vaginhas”- da autoria de Luís Miguel Preto Batista, o compilador destas crónicas.

Em 25 de agosto de 1926, durante o Estado Novo é, finalmente, criada a freguesia do Entroncamento, pelo decreto nº 12.192. Neste se declaram as terras em que assentava a freguesia e que, até aí, como já foi dito, eram pertença da Atalaia e de São Tiago.

Pela falta de uma igreja, ou local que tivesse dimensão para a prática religiosa no Entroncamento, a maioridade civil conquistada não se reflete numa maioridade religiosa, continuando os sacramentos a serem distribuídos pelas paróquias vizinhas. É, a partir daqui, que se começa a pensar numa solução definitiva, a construção de uma igreja na novel freguesia do Entroncamento.

Onze anos depois da passagem a freguesia, no dia 7 de novembro de 1937, assistia-se ao lançamento da primeira pedra da futura Igreja Matriz. Esta cerimónia foi um grande acontecimento local e contou com as presenças de S. Emª. o Cardeal Patriarca, o Senhor Ministro das Obras Públicas, o Governador Civil do distrito e outras individualidades locais e regionais. Podemos ler, neste livro, uma extensa notícia publicada no “Diário da Manhã”, que engloba a comunicação do Cardeal Patriarca e a descrição dos acontecimentos, dos quais destaco um pormenor curioso, que consistiu no lançamento de flores, por dois aviões, sobre a multidão que ocupava a zona do adro da futura igreja.

De salientar que o terreno onde se viria a erguer a nova igreja foi doado pela Quinta da Ponte da Pedra, pela pessoa da Sr.ª D.ª Maria Isabel Falcão Trigoso. A igreja foi concebida pelo Dr. Ruy d’Andrade (arquiteto amador), tendo sido o projeto oficializado pelo arquiteto Raúl Caeiro. O custo total desta obra, que viria a orçar cerca de 600 contos, foi financiado pelo Estado Novo, por ofertas diversas, referidas pelo Pe. Martinho Mourão neste livro e pelos, não menos importantes, donativos da população local.

Extraio do livro a citação das palavras do Pe. Matinho Mourão, quando se refere à celebração da primeira missa na igreja, quando esta teria cerca um metro de altura de paredes, ou seja, em plena fase de construção.

Palavras do Pe. Martinho Mourão.
“… Esta festa foi celebrada no dia 30 de maio de 1938. Foi uma festa simples, apenas missa rezada, e á noite procissão, para a despedida do mês de Maria. A primeira Missa celebrada dentro das paredes da igreja foi naquele dia 30 de maio. Tive eu a alegria de ser o primeiro ali a celebrar…”.

Do compilador, Dr. Luís Batista, há uma passagem que refere que as primeiras badaladas de finados, que soaram dos sinos da igreja foram no dia 10 de fevereiro de 1939, anunciando a morte do Papa Pio XI.

O livro inclui, ainda fotos da época, não da melhor qualidade gráfica, mas na que foi técnica e documentalmente possível. O Padre Martinho deixou a nossa paróquia em 1954, mas não deixará de estar em todos os estudos que se venham a fazer sobre os primeiros passos desta terra e ainda na memória de todos que o conhecerem e ainda estão entre nós. Será, sempre, uma figura incontornável da nossa história, pela sua atividade pastoral e pelas suas crónicas que, agora compiladas, dão a conhecer o que se fazia e passava nos primeiros passos desta, agora, moderna cidade.

“Na mesma casinha onde nasceu em 29 de outubro de 1907, faleceu, no dia 20 de junho último, o Padre Martinho, que foi o primeiro pároco do Entroncamento…

… Neste mesmo dia, mas em 1938, começaram a abrir-se os alicerces da nossa igreja, obra a que se entregou o Padre Martinho, então pároco da Atalaia, mas residente no Entroncamento. Congregando vontades, angariando donativos, conseguiu levar a bom termo a construção do templo que vemos nesta vila.

Foi de sua iniciativa a construção da residência paroquial. A ele se deve a criação do Centro de Assistência Social. Por sua inspiração, foi fundado O Entroncamento (jornal), que sempre acarinhou e em que muito colaborou…”

In: O Entroncamento – nº 537, setembro de 1977

Bibliotecário responsável pela Biblioteca Municipal do Entroncamento

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