Passe pela Biblioteca | “Dicionário de Lugares Imaginários”, de Gianni Guadalupi e Manguel

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “Dicionário de Lugares Imaginários”, de Gianni Guadalupi e Alberto Manguel, é a sugestão apresentada esta semana por Margarida Teodora Trindade, da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Diz o ditado que não há duas sem três.

Depois de Um Diário de Leituras (edições Asa, 2007) e de A Biblioteca à Noite  (Tinta-da-china, 2016) propomos, esta semana, aos leitores do mediotejo.net, mais uma obra da autoria de Alberto Manguel, escrita em parceria com Gianni Guadalupi, o Dicionário de Lugares Imaginários.

Traduzida por Carlos Vaz Marques e Ana Falcão Bastos, eis uma belíssima edição da Tinta-da-china, datada de agosto de 2013.

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No prefácio à edição portuguesa, Manguel abre este Dicionário com uma citação do Canto V dos Lusíadas. Menção que nos agrada, apaziguando o facto de a obra não conter a mítica Ilha dos Amores.

Cartografar a imaginação ou escrutinar os mais emblemáticos “lugares que visitamos em pensamento” através dos livros foi tarefa a que se propôs.

Quem lê Alberto Manguel reconhece-lhe nesta obra referências, já tão habituais nos seus livros, como a Odisseia de Homero, o País das Maravilhas ou as imaginárias ilhas: do Tesouro, da Utopia ou a Liliput de Gulliver. Sempre presentes estão Cervantes, Shakespeare, Kafka, Melville, e outros destes pesados alicerces, indispensáveis na sua literatura.

Também as bibliotecas são lugares onde todas as viagens são possíveis. Este Dicionário é em si mesmo uma biblioteca: de viagens, nas partidas e nos regressos.

A diversidade de entradas de Lugares Imaginários confronta-nos com as nossas infância e juventude e revemo-nos já na maturidade. Encontramos as referências da nossa matriz identitária e cultural, mas sobretudo uma das mais significativas manifestações civilizacionais do Homem, enquanto escritor e decifrador de códigos, leitor e viajante. Um Homem, ele próprio, incondicionalmente construtor de imaginários e alimentador de espíritos, eruditos ou populares.

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Lê-se na contracapa que este livro inclui a alusão a “1200 lugares, de Atlântida a Xanadu, passando pelo Castelo, de Kafka, e pelo País das Maravilhas.”

Encontramos nele o conforto da consulta e da leitura lenta. Um roteiro onde se planeia o detalhe, delineando cada itinerário, apreciando cada pormenor, cada surpresa, cada descoberta. Demoramo-nos em observações, escolhemos lugares de fascínio ou, por outro lado, sairmos à pressa de onde não nos sentimos bem. Usufruímos de cada assombro e de cada inquietação: na passagem de fronteiras, na subida às torres, nas viagens de barco, no desnorte da floresta densa, na praia de uma ilha deserta, ou na queda súbita dentro de um túnel infinito. Cada coordenada geográfica, localização certa ou aproximada, fica cartografada no imaginário fantástico de cada leitor.

Depois, os regressos. O regresso ao livro, ao dicionário que serve exactamente para nos salvar da ignorância, quer seja no significado de uma palavra ou de um estranho lugar imaginado que se nos revela e que, em simultâneo, nos transporta para outras camadas: autores, títulos, épocas e estilos. E reler, tomar notas, sublinhar e refletir são sempre novas jornadas.

É um tratado de referências civilizacionais basilares na História da literatura, do pensamento e do conhecimento. Lugares que, afinal, habitam há muito o imaginário do Homem.

A passagem de Alberto Manguel — incontornável referência internacional, bibliófilo, amante de livros e de bibliotecas — e do seu tradutor nesta obra, Carlos Vaz Marques, por esta biblioteca, já esta quarta-feira, dia 20 de março (Dia Internacional da Felicidade), nos III Encontros de Bibliotecas Associadas à Comissão Nacional da UNESCO, é motivo de orgulho bastante para que se evoque aqui, a título de sugestão, esta obra tão generosa.

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