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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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Passe pela Biblioteca | “Alma”, de Manuel Alegre

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “Alma”, de Manuel Alegre, é a sugestão apresentada esta semana por Dulce Figueiredo, da Biblioteca Municipal do Sardoal.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Alma até pode ser uma vila imaginada, mas nela vivem memória, cheiros, vozes, histórias, personagens e emoções da infância do autor. Sobre a obra, o escritor afirmou: “É um livro que nasceu depois da morte dos meus pais, é uma tentativa de recuperar o tempo perdido […] porque a nossa infância é a matriz essencial de tudo”.

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Em Alma, temos ecos de um Portugal dos anos 40, dividido entre a República (defendida pela mãe e a avó do narrador) e a Monarquia (o ideal do pai). As recordações de Duarte incluem a guerra civil espanhola, a segunda guerra mundial, as perseguições da PIDE, as prisões arbitrárias, a fome e a miséria de colegas de escola, as descobertas do corpo e as fantasias da juventude, o caracter forte de amigos e familiares, a relação com a natureza, entre outros.

A escrita é deliciosa e, amiúde, leva o leitor à gargalhada. Se algumas vezes o riso se solta pelo pitoresco da cena, outras será pela inocência da descrição do narrador.

“Quando menos se esperava o meu pai dava um berro e um salto. Depois ia buscar uma mala, metia roupa lá dentro e atirava tudo ao ar. Por vezes, se a fúria fosse mais profunda, armava a espingarda, a minha mãe, a minha avó e as criadas gritavam e fugiam, eu assistia, meio assustado, meio divertido, para não dizer entusiasmado. O meu pai metia dois cartuchos na espingarda, corria para o jardim e disparava dois tiros para o ar. Depois começava a rir, até às lágrimas. Fazia-me uma festa na cabeça, quase tão rara como as que fazia ao cão, e eu já sabia que, a seguir, era a paz.”.

Arquivista e Bibliotecária na Câmara Municipal de Sardoal

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