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Terça-feira, Julho 27, 2021

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PASSE PELA BIBLIOTECA: ÁFRICA MINHA, DE MÁRIO SALGUEIRO

Convidámos os diretores das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço, de forma alternada, todas as sextas-feiras. Esta semana, “África Minha”, de Mário Salgueiro, é o livro sugerido por Óscar Martins, diretor da Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira, em Alcanena.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

“África Minha”, além dum belíssimo texto, é um mergulho profundo na realidade africana do século XX, tanto para aqueles que por lá passaram como para quem só ouviu falar.

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alcanena_África Minha Capa_sugestao leitura alcanenaLonge de todos os estereótipos construídos através das memórias dos soldados arrancados do interior dum Portugal parado no tempo e na geografia dos acontecimentos e atirados para longe das famílias, sem qualquer noção da realidade que se vivia então, e divulgadas até à exaustão pelos documentários televisivos, muito antes das cenas de guerra fratricida que o xadrez da política da guerra fria desenha bem longe do planalto angolano e que nos entrou em casa pelo Telejornal, esta é a história de um homem, Augusto de Oliveira Salgueiro, contada pelo seu filho, Mário Salgueiro. Um percurso de vida único enquadrado pela brilhante descrição de uma África com vida própria, um caminho pouco desbravado.

Não se pode reconstruir a história da colonização portuguesa, ou se quisermos, da presença portuguesa em África durante o século XX, neste caso particular em Angola, sem percebermos o outro lado sobre o qual esta história lança um feixe de luz.

É o ecoar duma nova realidade que perfila diante dos olhos do leitor, surgem cores, sons, cheiros de uma cultura longínqua, mas que afinal foi tão portuguesa como que se vivia num Portugal europeu, confinado à parte ocidental da Europa e atrofiado por um regime político do início do século que se arrasta dentro de uma realidade que insiste em querer controlar.

Ali vive-se, respira-se e sente-se ao ritmo próprio de um povo misturado de identidades, mas sempre delimitado pelas intervenções das potências europeias insensíveis aos interesses dos que por lá viviam. Assim conhecemos o outro lado e facilmente compreendemos os eventos que se seguirão depois das últimas páginas deste livro. Já não são os testemunhos de gente maltratada por uma realidade que lhe esmaga o próprio ser, agora sabemos o porquê e compreendemos realmente o que se passou.

Augusto Salgueiro viveu, em toda a acepção da palavra. Este português foi um aventureiro que, num mundo totalmente desconhecido e em plena mudança, procura construir a vida e a vai refazendo sempre que os acontecimentos a isso o obrigam, como ele outros, sem desmoralizar, num tempo em que a ética colide muitas vezes com os interesses dos espertos sem escrúpulos que se aproveitam da distância da metrópole para passar impunes.

A vivacidade da escrita de Mário Salgueiro desvenda-nos um mundo de personagens absolutamente únicas, e vivemos com elas nas suas alegrias e nas suas tristezas ao longo das 193 páginas deste livro que se lê num folego. Mais do que a biografia do pai e das famílias Oliveira e Salgueiro, “África Minha” é a descrição duma época e da administração portuguesa dos territórios ultramarinos, longe das cenas dos hotéis de luxo das capitais africanas e das desgraças das guerras do pós-descolonização. Além de tudo isso é também uma história de trabalho, coragem e de justiça.

A edição de “África Minha” é da responsabilidade da Câmara Municipal de Alcanena e as receitas da sua venda revertem a favor do projecto “Lar Residencial para pessoas com deficiência em Alcanena.

Óscar Martins

Diretor da Biblioteca Municipal de Alcanena

Diretor da Biblioteca Municipal de Alcanena

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