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Terça-feira, Outubro 19, 2021

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Passe pela Biblioteca | “A viagem do elefante”, de José Saramago

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “A viagem do elefante”, de José Saramago, é a sugestão apresentada esta semana por Graça Asseiceira, da Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira, em Alcanena.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Porque se está a assinalar, no mês de outubro de 2018, a comemoração dos 20 anos de atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago – foi-lhe atribuído o Prémio no dia 8 de outubro de 1998 – a Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira sugere a leitura da vasta obra deste génio incontornável da literatura portuguesa, dando destaque ao livro “A viagem do elefante” editado em 2008.

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José Saramago nasceu no dia 16 de novembro de 1922 em Azinhaga, Golegã. Faleceu no dia 18 de junho, em Tías, Lanzarote. Dispensadas mais apresentações por óbvias razões de notoriedade do autor, poderemos, no entanto, acrescentar à máxima distinção atribuída na área da literatura, o Prémio Camões que ganhou em 1995.

Apesar de ser um autor sobejamente conhecido, a complexidade da sua obra poderá inibir leitores mais incautos. Não é um autor de leitura fácil. Há que saber ler nas entrelinhas e entender a sua mensagem até porque a pontuação ou, em muitos casos, a ausência dela conduz-nos a uma leitura mais rápida do que, por vezes, é necessário.

A trama desta obra decorre em meados do século XVI em torno da viagem de um elefante desde Lisboa até Viena: um elefante indiano, que se encontra em Belém há cerca de dois anos e que o rei D. João III oferece ao seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V.

Após uma viagem de milhares de quilómetros, o elefante morre passado um ano da sua chegada e o destino que lhe foi dado… é mais uma ironia da vida, igual a tantas outras que o autor brilhantemente aborda.

Pelo caminho, vai analisando / criticando a sociedade portuguesa referindo a “trabalhosa constituição de uma identidade nacional coerente e coesa”, a pequenez dos portugueses, o cinismo dos crentes, as fraquezas humanas observadas pelo autor com um misto de ironia e sarcasmo mas ao mesmo tempo com uma compaixão solidária.

José Saramago estava já em condições de saúde muito precárias quando escreveu este livro e dedica-o a Pilar “que não deixou que eu morresse”.

A riqueza das suas afirmações, do alto da sua experiência de vida e saber, leva-nos a seleccionar algumas que importa reter:

“A dura experiência de vida tem-nos mostrado que não é aconselhável confiar demasiado na natureza humana em geral”

“…uma boa coisa que a ignorância tem é defender-nos dos falsos saberes”

“…a voz pública que, como sabemos, é capaz de jurar o que não viu e afirmar o que não sabe…”

Esperamos, com o que foi dito e com o que ficou por dizer, ter incentivado mais leitores a conhecerem a obra deste génio da literatura portuguesa.

A Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira dispõe de vários exemplares desta e de outras obras do autor que se encontram à disposição dos nossos utentes e, associando-nos à celebração dos 20 anos de atribuição do Prémio Nobel, teremos uma Mostra Biobibliográfica de José Saramago patente ao público até ao final do mês de novembro.

Votos de Boas Leituras!

Diretora da Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira, em Alcanena. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas - Estudos Portugueses e Ingleses. Pós-graduada em Ciências Documentais.

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