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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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PASSE PELA BIBLIOTECA: A Rapariga no comboio, de Paula Hawkins

Ana Rita Leitão
Ana Rita Leitão, diretora da Biblioteca Municipal José Cardoso Pires, em Vila de Rei

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Convidámos os diretores das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço, de forma alternada, todas as sextas-feiras. Esta semana, “A rapariga no comboio”, de Paula Hawkins, é o livro sugerido por Ana Rita Leitão, diretora da Biblioteca Municipal José Cardoso Pires, em Vila de Rei.

Passe pela biblioteca… e boas leituras!

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A Biblioteca Municipal José Cardoso Pires, em Vila de Rei, que com todo o gosto e honra coordenamos, foi convidada a contribuir para esta nova publicação periódica, online, num jornalismo de proximidade.

Não podíamos declinar este dignificante convite! Nem, tão pouco, escolher aleatoriamente um livro para dele falar e propor a sua leitura neste novíssimo mediotejo.net que muito saudamos.

A nossa opção pessoal recai, geral e normalmente, sobre policiais e textos de mistério e suspense. Na verdade, temos em Agatha Christie um baluarte literário. Não obstante, decidimo-nos, hoje, por uma prosa similar mas de contexto atual. Vimos hoje propor como leitura do próximo fim-de-semana um dos êxitos de vendas mais rápidos de sempre, disponível nas livrarias e bibliotecas desde o início do Verão. A Rapariga no Comboio de Paula Hawkins, editado pela TOPSELLER.

É, de facto, um policial, mas não nos mantém em suspense para deslindar o mistério latente ou em busca de pistas que indigitam o culpado. Trata-se de um texto policial que nos envolve no íntimo das relações humanas e nos faz questionar os valores da confiança, da honestidade, da retidão e lealdade e o jogo que muitas vezes é feito para se aproveitar das fraquezas dos outros.

Talvez haja quem o leia de modo compulsivo pois, de facto, é um thriller do momento: é absorvente e arrebatador na narrativa, desassossega e perturba em alguns contextos sendo arrepiante, intimidante e assustador na sua análise.

A história linear assenta na narrativa de Rachel que apanha o comboio diariamente para o seu local de trabalho.

Neste trajeto dual, de ida e regresso, observa, com a assiduidade da rotina diária – a partir da janela do comboio – os mesmos espaços, as mesmas casas, as mesmas pessoas; sobre estas constrói hipotéticas vidas e relações que considera perfeitas atribuindo-lhes, até, nomes recolhidos à sua própria fantasia, nas moradias bucólicas que acompanham a linha por onde passa o comboio de Rachel.

Um dos casais que vê diariamente sobressai no seu horizonte imaginário considerando-os como um casal irrepreensível e feliz, donos de uma vida perfeita, muito semelhante àquela que Rachel havia perdido muito recentemente. Até que um dia, algo de errado parece acontecer e que não encaixa na fantasia construída na imaginário de Rachel. Tal imagem permanece na memória de Rachel que, perturbada e não querendo guardar segredo do que viu, vai relatar o visionado à polícia.

Inicia-se aqui o despoletar de toda a ação passando Rachel a fazer parte da sucessão alucinante e precipitada de acontecimentos, afetando a vida de todos os envolvidos.

Admiramos a construção desta narrativa envolvente e desassossegadora.

A própria divisão dos capítulos, de acordo com as personagens que vão narrando a história na primeira pessoa, contribui para esta perspetiva quase fílmica do enredo; podendo o leitor ir apreciando os diferentes pontos de vista dos diferentes personagens comungando igualmente das suas dúvidas, incertezas, angústias, dores e anseios. Este modelo traz maior interesse ao leitor na tomada de posição face ao ângulo da história que cada uma das personagens relata e, bem assim, na cronologia dos factos e no tempo verbal de cada narração.

Encontramos neste romance policial uma seleção de personagens muito bem construídas e muito reais. Rachel, especialmente, representa uma mulher que emerge na sua revelação de resignada, dependente do álcool. É o estado de embriaguez que a leva a confundir a realidade com o devaneio, e que a conduz por vezes a apagões de momentos vividos que a levam a questionar-se se terá sido ela a causadora.

Assistimos nesta personagem à luta interior contra a dependência, as suas tentativas para se manter sóbria e afastada do álcool, tentando viver a sua vida de forma normal.

Ana Rita Leitão

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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