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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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PASSE PELA BIBLIOTECA: ‘A Montanha Mágica’ , de Thomas Mann

Convidámos os diretores das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço, de forma alternada, todas as sextas-feiras. Esta semana, “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann, é o livro sugerido por Ana Rita Leitão, diretora da Biblioteca Municipal José Cardoso Pires, em Vila de Rei.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Quem pensa que se trata de um texto fechado, desengane-se: este não é um livro difícil de ler. É uma obra-prima completamente extraordinária, talvez um dos melhores livros da história da humanidade.

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a-montanha-magica_SUGESTAO VREINo topo de uma montanha suíça, há um sanatório onde tudo é relativo, a começar pelo tempo. Hans Castorp esperava demorar 3 semanas, esperando o primo, Joachim. Mas lá o tempo passa mais devagar. O tempo é uma noção vaga, subjetiva. Da mesma forma o espaço: as montanhas que impressionam Hans são vulgares para Joachim. Os contrastes culminam com a atitude perante a morte: trivial para um, estranha para o outro. Morrer naquelas montanhas era, afinal, o mais comum.

Essas memórias ensinaram a Hans que a morte não é o fantasma terrífico; é um momento solene a quem a religião dá um tom de naturalidade. O drama é apenas corporal, material. O espírito prevalece.

O riso perante a morte é uma constante na montanha. Como se a morte libertasse os homens do mundo ordinário em que vivem.

A Montanha Mágica está também povoada pela arte de dar significado a todos os pormenores, sem cair no exagero descritivo.

A vida na planície era vista como uma prisão, enquanto no sanatório a doença confere liberdade. O hospital é um mundo fora do mundo. Na época em que Mann escreve (1924), a Europa estava ainda profundamente marcada pela primeira grande guerra. E o pós-guerra não oferecia grandes esperanças.

Por outro lado, vivia-se uma época de enormes progressos científicos. O jovem Hans é também confrontado com as mais perturbadoras relações entre os mundos psíquico e físico que compõem o ser humano; estuda até à exaustão procurando esmiuçar todo o conhecimento da alma e do corpo humano. A montanha e a doença, mais uma vez como fontes de progresso: a montanha mágica, mas, também uma doença mágica.

A forma como Thomas Mann vai renegando o crescendo da paixão é totalmente sublime. Tal como uma doença, o amor surge com sinais muito ténues; tal como em relação à doença, a primeira fase é a da negação. Hans nega estar apaixonado, mas os sinais vão-se tornando evidentes.

A parte que precede o final do livro parece marcar o triunfo do bom humor e a derrota da ciência ou, pelo menos das preocupações em torno dos chamados “assuntos sérios”. É um final épico: acabaram as teorias, as reflexões, a melancolia. No sanatório ouve-se música numa moderna grafonola, fazem-se alegres sessões de espiritismo com defuntos ressuscitados e até são exaradas em ata bofetadas ilustres em questões de honra.

Mas, no final, tudo se reduz à bestialidade; a elevação, a filosofia, a moral e a ciência, tudo será substituído por um inesperado e bárbaro duelo.

Trata-se de uma forte alegoria à Europa prestes e entrar no período mais negro da sua história…

Diretora da Biblioteca Municipal de Vila de Rei

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