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Sexta-feira, Junho 18, 2021

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Passe pela Biblioteca | “A guerra não tem rosto de mulher”, de Svetlana Alexievich

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço todas as segundas-feiras, de forma alternada. “A guerra não tem rosto de mulher”, da escritora Svetlana Alexievich, é o livro sugerido esta semana por Anabela Cardoso, da Biblioteca Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, em Constância.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Svetlana Alexievich jornalista e escritora foi premiada em 2015 com o Prémio Nobel da Literatura. É autora de cinco livros em prosa que fazem parte de um projeto literário denominado Vozes da Utopia e que inclui A guerra não tem rosto de mulher (editora Elsinore).

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Este livro é dividido por temas, como o sofrimento, as cenas marcantes, o amor na guerra, o quotidiano da frente, ser mulher no campo de batalha, a relação com os homens, a família que ficou em casa e espera pelo retorno da filha, as mulheres esperando pelos maridos, as mortes, a vitória, a vida do pós-guerra. E cada capítulo apresenta dezenas de curtos relatos de mulheres que atuaram em diversas frentes, cada um contendo um pequeno horror que torna a leitura pesada e violenta.

A autora pretende nesta obra dar voz a centenas de mulheres que mostram a perspetiva feminina da Segunda Guerra Mundial, dando a conhecer uma história de mulheres que realmente combateram, pegaram em armas e estiveram no campo de batalha. Ao contrário da participação das mulheres na Segunda Guerra Mundial, estas mulheres não ficaram restringidas às tradicionais tarefas femininas, estas estavam na frente de batalha, com metralhadoras e baionetas, pilotavam aviões e tanques, lutavam e matavam.

Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial e Svetlana recolheu as memórias de apenas algumas centenas destas mulheres, que testemunharam de forma sofrida e angustiante, relatos vívidos e cruéis, do dia-a-dia de um pelotão, do convívio com a morte, da dor e da saudade de casa e da família, da perda da feminilidade, etc. Numa das recolhas feitas, uma mulher diz “…Minha guerra tem três cheiros: sangue, clorofórmio e iodo… Ah! As feridas… Largas, profundas, rasgadas… Era de ficar louca. Estilhaços de bala, granada, projéteis na cabeça, nos intestinos, em todo o corpo – junto com metal tirávamos do corpo dos soldados: botões, pedaço de capote, cintos de couro. (…) À noite, tínhamos sangue no cabelo; atravessava o avental e chegava no corpo, grudava no gorro e na máscara. Um sangue negro, viscoso, misturado com tudo o que existe dentro de um ser humano. Com urina, fezes…”.

Neste ambiente de relatos dramáticos, o livro levou anos para ser elaborado, não só pelas entrevistas, pela busca por pessoas que queriam e podiam falar sobre as suas experiências, mas também por causa da grande carga emocional que todas essas histórias carregam. Da dificuldade de ouvir tudo várias e várias vezes, organizar os relatos e colocá-los no papel.

Estas histórias são só uma fração do que realmente aconteceu e só o lado soviético da batalha, o que nos leva a pensar o que é verdadeiramente uma guerra.

Diretora da Biblioteca Municipal de Constância

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