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Domingo, Dezembro 5, 2021
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Passe pela Biblioteca | “A Biblioteca à Noite”, de Alberto Manguel

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço todas as segundas-feiras, de forma alternada. A Biblioteca à Noite”, de Alberto Manguel, é o livro sugerido esta semana por Margarida Teodora Trindade, da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas.

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Passe pela biblioteca… e boas leituras!

Discorrer largamente sobre bibliotecas, apresentando-as como: mito, ordem, espaço, poder, sombra, forma, acaso, oficina, mente, ilha, sobrevivência, esquecimento, imaginação, identidade e lar é a leitura que nos oferece Alberto Manguel em A Biblioteca à Noite (Tinta da China, 2016).

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Manguel (Buenos Aires, 1948) é ensaísta, romancista, bibliófilo e autor reputado. Foi, na adolescência, leitor de Jorge Luis Borges e é atualmente diretor da Biblioteca Nacional da Argentina. É dos mais reputados conhecedores da história do livro e da leitura. Traz-nos, portanto, neste livro, diferentes abordagens ao conceito de biblioteca, a partir da sua própria biblioteca pessoal.

Trata-se de uma dissertação que parte da origem do conceito de biblioteca, da sua concepção primordial, desde a mítica de Alexandria ou a do imaginário de Babel.

Manguel, nesta viagem de sapiência que nos proporciona, convoca-nos para essa demanda longínqua da compreensão sobre estes espaços — sagrados para uns, desconhecidos para outros — discorre, entre outros assuntos, sobre o papel do leitor, aquilo que é a riqueza documental, as luzes e as sombras.

Apresenta-nos a noite como companheira íntima dos livros e dos leitores, dá-nos conta de que a cegueira, ao invés de um mergulho na escuridão, pode iluminar a imaginação. Concretiza, igualmente, a ideia de que uma biblioteca é sempre o resultado, outrora e hoje, da interpretação do utilizador; daquele que ao entrar nesses lugares do conhecimento pode deparar-se, caso a caso, com uma organização ou com uma configuração resultantes, também estas, da interpretação ou das escolhas, das decisões ou dos preconceitos do bibliotecário. E esta linha pode manifestar-se nas escolhas das obras, na sua ordenação ou até na disposição da colecção nas estantes e destas no espaço. É também resultado da sua pertença, se é uma biblioteca pública ou se é privada. Qualquer biblioteca, diz-nos Manguel, contém em si uma certa visão do mundo que é, inevitavelmente, imposta ao leitor.

Obrigatória é também nesta obra a alusão à coexistência das duas bibliotecas: a digital e a de papel.

Interessante é, sem dúvida, e de igual forma, a reflexão do autor no que respeita às bibliotecas nestas duas acepções: como esquecimento e como imaginação.
No primeiro caso, Manguel alude aos livros proibidos, queimados, censurados e incómodos aos regimes ou a certas doutrinas.

No segundo caso, às bibliotecas que pertencem aos heróis de ficção; essas colecções que vivem e são descritas dentro dos livros, muitas delas constituídas por obras, de facto, existentes. Ou, por outro lado, que são apenas bibliotecas que se constituem como colecções imaginárias na cabeça e nas divagações, anseios ou desejos, dos amantes de livros.

Esta é uma obra densa, repleta de alusões, com referências de um nível de erudição extraordinário, porém escrita numa linguagem acessível e bastante líquida.

É, sem dúvida, um livro imprescindível para todos os bibliotecários e para os que fazem do trabalho nas bibliotecas, com os livros e com os leitores, um modo de vida.

Está disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas.

“O amor às bibliotecas, como a maioria dos amores, tem de ser aprendido. Ninguém que entre pela primeira vez numa sala feita de livros pode saber instintivamente que comportamento ter, o que se espera, o que promete, o que é permitido. Podemos ser dominados pelo horror — por causa da barafunda ou da vastidão, do silêncio, do desdenhoso lembrete de tudo o que não sabemos, da vigilância — e parte dessa sensação esmagadora pode perdurar, mesmo depois de aprendermos os rituais e as convenções, cartografarmos os territórios, concluirmos que os nativos são amigáveis.”

Diretora da Biblioteca Municipal de Torres Novas

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