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Sexta-feira, Maio 14, 2021

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Passe pela Biblioteca | “1509 – A Batalha que Mudou o Domínio do Comércio Global”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas

Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço todas as segundas-feiras, de forma alternada. “1509 – A Batalha que Mudou o Domínio do Comércio Global”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, é a sugestão apresentada esta semana por Francisco Lopes, da Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes. Passe pela biblioteca… e boas leituras!

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Portugal começa a estar na moda e os portugueses parecem estar numa fase de reforço da sua autoestima como nação com uma história longa de que se podem orgulhar, por vezes pioneira no desbravar de caminhos para si próprios e para a humanidade. Vem a este propósito recuperar um livro identitário, publicado em 2009 e apresentado na Biblioteca Municipal António Botto, a 3 de fevereiro desse ano, dia em que passavam exatamente 500 anos sobre a batalha de Diu, pelos próprios autores, Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas.

Trata-se de uma obra comemorativa de eventos políticos e militares que marcaram a história portuguesa e que tem um abrantino D. Francisco de Almeida no centro das atenções, editada pelo Centro Atlântico. Os aspetos estratégicos, de inovação e empreendedorismo foram então realçados pelos autores e debatidos com empresários, num jantar literário que se seguiu à intervenção introdutória do historiador Joaquim Candeias da Silva, intitulada De Abrantes a Diu: D. Francisco de Almeida e a génese da globalização.

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O livro aborda a batalha de Diu, há 500 anos, nos mares da Índia, no dia 3 de fevereiro de 1509, é tida como uma das seis mais importantes da história humana. O protagonista foi D. Francisco de Almeida, atualmente classificado pela historiografia internacional como um dos maiores comandantes militares de todos os tempos, que conseguiu derrotar uma armada muito superior à sua em número de homens e embarcações, abrindo o Índico ao comércio do ocidente e consolidando o fenómeno iniciado com Vasco da Gama a que hoje chamamos globalização.

Estes são os tópicos principais do livro:

O Contexto
O projecto imperial de El-Rey D. Manuel I.

Os rivais, no palco do embate
O vice-rei da Índia, D. Francisco de Almeida.
O comandante egípcio, Hussain El-Kurdi (Mir-Hocem).
O Governador de Diu, Malik Ayaz Sultani (Meliquaz).

O local
Ao largo de Diu, no reino de Guzerate, na Índia.

A arma secreta dos portugueses
A artilharia de bordo e os ‘bombardeiros’ alemães.

Os derrotados
O império egípcio mameluco.
A Sereníssima República de Veneza.

Os outros protagonistas da época (por ordem de entrada em cena nos 7 Actos e Epílogo deste livro)
Kansauh al-Ghuri – Vasco da Gama – Gaspar da Índia – Xóan da Nóvoa – Pedro Álvares Cabral – Amerigo Vespucci – Lourenço de Almeida – Afonso de Albuquerque – André do Amaral – Salman Reis – Lopo Soares de Albergaria.

As visões
A de um jovem egípcio da armada de El-Kurdi.
A revelação de ‘O Diário’ (inédito) de Talib al-Fahani.
As divergências entre o rei D. Manuel I e o vice-rei D. Francisco de Almeida.

A vitória na batalha naval de Diu, há 500 anos, foi decisiva para que Portugal se tornasse a potência global do século XVI e o comércio do Índico se abrisse ao ocidente.

As nossas ambições pareciam megalómanas para um país que tinha pouco mais de um milhão de habitantes. O livro tenta, pois, permitir a compreensão do que levou um pequeno grupo de estrategas políticos, navegadores, marinheiros, nobres, soldados, piratas, mercenários e cientistas a conquistar em dez anos o maior espaço de economia de mercado do século XVI. Como se concretizou a utopia? Foi através da loucura, audácia e fé de um “bando de fidalgos aventureiros e de degredados”, como os classificou o próprio Francisco de Almeida? É possível que esses fatores tenham ajudado a vingar as ambições imperiais de D. Manuel I, mas o que foi decisivo para que Portugal controlasse o Índico, chave das rotas de comércio das especiarias – os produtos de maior valor à época –, foi a clareza e persistência estratégica e a vantagem tecnológica. Como salienta o livro, o oceano Índico era até aí o “Lago Muçulmano”, onde uma rede de cidades portuárias e estados controlavam as rotas marítimas das especiarias. Portugal aproveitou uma janela de oportunidade marcada pela fragilidade conjuntural de Veneza e do Império Mameluco (Egipto) e pela ainda imatura estratégia de globalização de potências emergentes como a Espanha, a França e o Império Otomano.

Num momento em que Portugal é descoberto por crescentes legiões de turistas à escala global, a leitura deste livro pode contribuir para que seja redescoberto pelos próprios portugueses.

Diretor da Biblioteca Municipal de Abrantes

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