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Domingo, Julho 25, 2021

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“Passagem segura, a urgência na Europa”, por Helena Pinto

Esta semana chegaram 64 pessoas ao aeroporto de Lisboa, vieram da Grécia, fogem dos países em guerra. Chamamos-lhes refugiados/as. Até agora, Portugal já recebeu 132 refugiados/as.

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Perante a maior crise humanitária, perante as imagens que nos entram todos os dias em casa, perante as condições abaixo do limiar da condição humana que se vivem nos campos de refugiados, onde se acumulam milhares de pessoas, ao frio, quase sem água potável e com as doenças a proliferarem, com médicos a declararem a sua incapacidade de conter as epidemias, realizou-se mais uma cimeira dos países da União Europeia, desta vez em conjunto com a Turquia. Resultados? Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma…

A incapacidade de resolver o problema e os jogos de poder continuam, enquanto se erguem os muros de cimento e de arame farpado. Não haverá solução para esta catástrofe humana enquanto não se abrirem as fronteiras, enquanto não se estabelecerem “passagens seguras”. E as soluções que prevalecem são em sentido contrário.

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É certo que as medidas contra a guerra, que passam em grande parte pelo fim do financiamento ao armamento são essenciais e é uma hipocrisia que custa vidas humanas continuar como até aqui.

Mas também é certo, que temos que acolher quem foge da guerra e respeitar a dignidade humana.

E não se compreende a lentidão deste processo. No nosso distrito, as cidades de Torres Novas e Santarém acolhem alguns dos que chegaram na passada segunda-feira. Ainda bem, mas muito mais pode e deve ser feito. As autarquias têm aqui um papel de relevo, organizando o acolhimento e a integração.

Mas é preciso agir, é preciso coordenar, é preciso assumir posições políticas fortes a todos os níveis – europeu, nacional e local. Que cada um e cada uma assuma o seu papel.

E depressa, caso contrário a desgraça alastrará com consequências imprevisíveis e a vergonha cobrirá toda a Europa.

Fechar rotas e fechar fronteiras não resolve nenhum problema, agrava todos os problemas. Milhares de pessoas continuarão a fugir da guerra, dos bombardeamentos, da fome…

Não faríamos todos e todas a mesma coisa?

Nota: Esta semana comemorou-se o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. Houve muita declaração e muitas flores. Paremos para pensar na vida das mulheres nos campos de refugiados, nas travessias organizadas pelos contrabandistas, nos milhares de meninas que “desaparecem”… Em 2016 evocar o 8 de Março é, também, lutar por uma “passagem segura” para estas mulheres.

 

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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