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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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“Para males globais, remédios globais”, por Helena Pinto

A pandemia e o vírus continuam a marcar as nossas vidas. Variante, atrás de variante, confinamento total ou semi-confinamento, gel, máscara… e assim vamos passando os dias, uns com medo a mais e outros com relaxamento antecipado das medidas de segurança.

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Nunca tínhamos vivido nada como isto, conhecíamos dos livros e dos filmes as histórias de outras pandemias que assolaram a Humanidade, mas nunca tínhamos vivido uma coisa assim, com a possibilidade de contágio ao virar de cada esquina.

São muitos acontecimentos para tão pouco tempo. E é extraordinário a capacidade da ciência em produzir uma vacina que, se não responde a tudo, responde a muito no contexto desta doença.

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Mas vejamos: segundo o jornal “Expresso” no continente africano apenas 6% dos 1,2 mil milhões de habitantes estão vacinados.

 A COVAX (Programa para a distribuição de vacinas pelos países mais pobres) apenas distribuiu 537 milhões quando se tinha proposto distribuir 2 mil milhões de doses, em todo o planeta.

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Tedros Ghebreyesus, director-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde) não podia ser mais directo e mais claro: “A cada dia que passa, há seis vezes mais terceiras doses aplicadas do que primeiras doses em países com poucos rendimentos. Isto é um escândalo que tem de parar agora”.

E António Guterres, secretário-geral da ONU, afirma “apenas um plano de vacinação mundial pode terminar com uma pandemia mundial e uma situação injusta e imoral”.

Os apelos, de países e organizações internacionais, para suspender as regras das patentes das vacinas já vêm de 2020, mas não têm tido efeito e a política seguida continua a favorecer as farmacêuticas e a desproteger as populações, como os números mundiais demonstram.

O aparecimento da nova variante – ómicron, gerou ainda outro efeito que foi o fecho imediato das fronteiras e o isolamento da África do Sul, país que partilhou de imediato toda a informação sobre esta variante.

O que será preciso para se concretizar o tal “plano de vacinação mundial” de que Guterres fala? A lógica capitalista e o egoísmo andam de mãos dadas e à boleia do vírus continuam por aí a espalhar a desigualdade.

Portugal e a União Europeia têm estado do lado errado ao não se juntar a quem exige, e bem, a quebra das patentes para generalizar o acesso às vacinas.

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação Feministas em Movimento.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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