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Terça-feira, Julho 27, 2021

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Ourém| Uma paragem no Agroal antes do arranque da Época Balnear

*reportagem publicada em junho 2016

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A praia fluvial do Agroal, cuja nascente do rio Nabão separa os concelhos de Ourém e Tomar, é hoje apenas uma miragem das estruturas e paisagem insalubres que os banhistas se habituaram ali a encontrar nos finais do século passado. Recuperada a piscina, os edifícios e a imagem da própria unidade hoteleira ali presente há cerca de uma década, foram-se resolvendo nos últimos anos os problemas que subsistiam, como o estacionamento e a recolha do lixo. A rede de telemóvel da Vodafone está mais forte e apesar de uma contaminação ter prejudicado as análises à água em 2013, esta permanece própria para banhos. Água “milagrosa” para quem tem problemas de pele, o Agroal parece estar hoje finalmente preparado para receber turistas. A Época Balnear arranca a 1 de julho, sexta-feira.

Há dois caminhos: por Formigais, no concelho de Ourém, ou pela Sabacheira, no concelho de Tomar. De um lado percorre-se o rio, pelo outro desce-se a serra. Da margem de Tomar há a particularidade de se possuir um vista afunilada, em cova, para toda a praia fluvial, o que resulta em fotografias artísticas para os mais apaixonados. Do lado de Ourém há o centro de interpretação e os percursos pedestres que passam à beira rio, ideias para os amantes das caminhadas. Ao longo dos últimos anos de requalificação o Agroal só não conseguiu resolver com eficiência o problema dos carros. Um parque de estacionamento foi construído a cerca de um quilómetro da praia, no Centro de Interpretação, mas a distância é demasiado longa para quem traz crianças ou idosos e algo torturante para quem percorre o caminho com mais de 30 grau de calor.

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estacionamento agroal 2

estacionamento no Centro de Interpretação do Agroal permanece quase praticamente vazio enquanto há lugares mais próximos da praia
estacionamento no Centro de Interpretação do Agroal permanece quase praticamente vazio enquanto há lugares mais próximos da praia. fotos mediotejo.net

Na tarde de domingo, 25 de junho, a poucos dias do arranque da época balnear, o mediotejo.net quis ir redescobrir o Agroal. Fez o percurso por Tomar, a poucos quilómetros da saída do IC9, e procurou o caminho pela serra. Do lado de Ourém as tabuletas castanhas que indicam a localização da praia fluvial são facilmente encontradas a partir da saída da sede do concelho. Já a cidade dos templários não possui tanta sinalização e o corte para o Agroal passa por localidade e não por ponto turístico.

Percorre-se a serra, onde rebentam os novos eucaliptos depois de anos de terríveis incêndios, e procura-se a descida íngreme que conduz ao rio e à margem esquerda, já em Ourém. Por este caminho, o Agroal fica logo depois da localidade de Suímo e, no geral, encontram-se mais povoações que no percurso do concelho de Ourém, mais preenchido de campos e vegetação. Descobrimos que estamos a chegar quando vemos os carros, em fila, serra acima, deixando estreita a passagem para quem quer descer a encosta em direção à praia. Bem junto à berma, a cova é funda e assusta a quem olha para baixo. Passa um autocarro, lentamente. Ultrapassamos sem sabermos bem como fará ele a curva no cimo do monte, em direção a Suímo. O calor ultrapassa os 30 graus, no interior do Médio Tejo, e a praia está à pinha.

Agroal antigo, foto auren blogue
Agroal antigo, foto auren blogue

agroal antigo. foto D.R.
agroal antigo. foto D.R.

A intervenção de requalificação resumiu-se quase completamente a Ourém. Do lado de Tomar permanece a praia de gravilha, bem junto à margem do rio, como as praias que se encontram por estes dias em Ferreira do Zêzere e Abrantes, e alguma ordenação do estacionamento e da recolha do lixo. No pico do verão uma roloute de farturas costuma estacionar neste lado do rio, mas nesta tarde de domingo ainda não fez a sua aparição. Talvez por isso não se veja lixo acumulado, apenas algum caos de automóveis e uma circulação titubeante, a passo.

Há quem prefira esta margem. Mais próxima do rio, mais sombras sob as árvores, um pouco mais selvagem e próxima da natureza, mais íntima. Nós passamos para o outro lado, vendo a fila de carros seguir-se e a assumir contornos de estacionamento invasivo, mas ainda assim respeitando alguma sinalização de proibição que ali foi colocada para permitir a circulação em picos de afluência. Ainda procuramos o parque do Centro de Interpretação, mas com o calor a apertar este torna-se demasiado longe. De resto, está praticamente vazio. Regressamos e deixamos o carro no final da fila, um pouco mais próximo da praia, e à sombra.

foto mediotejo.net
foto mediotejo.net

foto mediotejo.net
foto mediotejo.net

É um percurso que se faz desviando dos automóveis a querer estacionar, ao redor do recinto que dá as boas vindas à praia. Aí apenas entram bicicletas e automóveis de locais. Segundo informação do município, a época balnear arranque esta sexta-feira, 1 de julho, até 15 de setembro, devendo ter vigilância com nadadores salvadores. “Informamos ainda que aos fins de semana e feriados dentro do período referido estará uma ambulância e respetiva equipa de bombeiros para reforço do contingente de socorro”, sublinha. O Agroal, por isso, ainda está a meio gás. Duas senhoras montaram a barraca e vendem desde biquinis e t-shirts da seleção nacional a tremoços e bolos secos de amêndoa.

“- Quanto custa?”

“- 1,30€!”

“- Tão caro?!”

“- Estou a vendê-los mais barato que noutros sítios…”

“- Comprei igual em São Pedro de Moel por 1€…”

“- Estes vieram da Nazaré…”

Debate-se o preço do doce. Na barraca ao lado, quadros com fotografias do Agroal de outros tempos, com casas multicolores evidenciando ruína e taipais em redor do tanque que compõe a nascente, no lado de Ourém. Mato em volta. Uma senhora aproxima-se e constata a mudança. Aquele Agroal nada tem a ver com o que se encontra hoje, arranjado, com alguns espaços verdes, contentores do lixo, balneários e a evidência de que foi alvo de uma recente limpeza. Há casas para alugar com a estrutura recuperada e o próprio restaurante/café e pavilhão anexo hoje exibem uma cor branca. A cafetaria do município de Ourém ainda está encerrada e não se veem nadadores salvadores.

A água permanece imprópria para consumo. A placa a avisar é visível, mas ainda assim passam pessoas com garrafões de cinco litros de água, bem cheios. Há quem afirme que aquela água gélida faz milagres à pele, nomeadamente de quem sofre de psoríase. Das dezenas de turistas que se banham, facilmente se verifica que alguns estão ali a tentar aliviar as manchas e eczemas do corpo.

agroal 5
fotos mediotejo.net

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Visível também é o placard com as análises à água realizadas desde 2009, com a evidência de uma contaminação verificada nesse ano, que deu azo a 2013 a uma classificação da praia como Má. As avaliações da Quercus exigem água excelente durante cinco anos seguidos, pelo que o Agroal permanece fora das listas de Qualidade de Ouro. Ainda assim, os registos online da Agência Portuguesa do Ambiente dão a água como própria para banhos e não há informação na praia de que as pessoas não se devam banhar. Alertas há sim para que não se atirem, de salto, para dentro da piscina, aviso que a maioria dos adolescentes tende a ignorar e que uma senhora idosa chama nervosamente à atenção, sem sucesso.

A água está limpa, o sol está quente. No único restaurante local, a esplanada e o interior estão cheios, não se vendo um lugar vazio. Comem-se caracóis, conforme aviso logo à entrada da existência do pitéu, e abre-se constantemente a arca dos gelados. António Pardal, gerente da Sociedade Hoteleira das Termas do Agroal, comenta que não almoçou e evidencia a adrenalina provocada pela ausência de descanso. Posteriormente refere ao mediotejo.net que este não foi o primeiro dia agitado do ano, havendo sempre movimento quando surge o sol. Antecipou-se sim a limpeza do espaço da praia, que costuma ser mais tardia, razão pela qual esta se encontrava tão limpa.

No fundo de uma cova, rodeado de serra, o Agroal tem tido desde sempre problemas com a rede de telemóvel. Bem se aproximando do local, esta deixa de existir. Curiosamente o telemóvel Vodafone da jornalista permaneceu com rede toda a tarde. António Pardal explica que o sinal foi amplificado e está mais forte, não estando a funcionar contudo ainda em pleno. O problema, comenta, deverá ser resolvido este ano, em conjugação com os municípios que envolvem a praia.

fotos mediotejo.net
fotos mediotejo.net

Procura-se um lugar à sombra e observa-se a paisagem. A piscina junto à nascente está cheia. A água sai gélida e é preciso uma boa dose de preparação psicológica para se entrar dentro dela. Alguns atiram-se, não têm medo. A água transborda a estrutura e segue o seu curso normal pelo rio Nabão, onde outros banhistas preferem deliciar-se ou apanhar os pequenos peixes. Com um deque de madeira instalado junto aos balneários, por baixo da Cafetaria do município, é hoje usual aí se deitarem as pessoas nas toalhas, usufruindo da sombra criada e evitando as moscas e as formigas que atacam a quem procura a relva ou a terra. Não se vê lixo e os baldes para o efeito também não estão cheios. Há quem monte tendas, outros trazem apenas toalhas, um jovem passa com um prancha de bodyboard.

Cheira à frescura do rio e ouvem-se as cigarras, delirantes, a cantar o forte calor. O Agroal parece finalmente preparado para receber turistas.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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