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Ourém/GNR: “Ouvimos um choro muito baixinho e encontrámos o Martim” (C/VÍDEO)

Os três militares da GNR que encontraram nesta manhã de terça-feira, 25 de outubro, o pequeno Martim, em Amieira, freguesia de Urqueira, Ourém, nunca tinham vivido situação semelhante. Pouco tempo depois de terem iniciado as buscas, numa zona menos próxima da moradia dos avós maternos de Martim, descobriram o pequeno sentado, a “chorar baixinho”, a cerca de 1,5 km da casa. O militar Paulo Carreira, 32 anos, tirou o casaco e procurou confortar a criança. O mediotejo.net entrevistou os três militares que saíram hoje do meio do mato com uma criança nos braços.

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O pequeno Martim foi hoje encontrado por militares da GNR, 24 horas depois de ter desaparecido em Ourém. Foto: DR
O pequeno Martim foi hoje encontrado por militares da GNR, 24 horas depois de ter desaparecido em Ourém. Foto: DR

O terreno de “mato fechado, com muitas estradas”, ou seja, “muitas possibilidades”, foi a grande dificuldade nesta busca, que começou pelas 9 horas de segunda-feira, 24 de outubro, e terminou cerca de 25 horas depois. No terreno os militares e a PJ revistaram a zona com cães pisteiros, mas o próprio clima não ajudou, uma vez que havia quedas de chuva com frequência.

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Na terça-feira, David Godinho, Filipe Duarte e Paulo Carreira estavam com outros elementos a realizar as buscas numa zona mais afastada da casa. Foi Paulo Carreira quem encontrou Martim. “Ouvimos um choro muito baixinho”, explicou ao mediotejo.net Filipe Duarte. Era semelhante ao de uma criança e decidiram ir averiguar.

“Estava sentado a chorar, com cara de quem precisava de conforto”, explicou Paulo Carreira, que tirou o casaco e procurou aquecer e acalmar a criança. Seguiu-se depois a ideia de tirar a famosa selfie, que se tornou viral nas redes sociais. “A ideia foi minha, como recordação pessoal. Nunca pensei nas redes sociais”, admite Filipe Duarte, confessando posteriormente que numa ocasião também o seu filho se perdeu dos pais e que a situação é muito aflitiva para um progenitor.

Os militares chamaram a ambulância, mas Martim encontra-se bem. Regressaram a casa dos avós maternos e entregaram a criança à mãe, que estava acompanhada pela PJ.

O desaparecimento de crianças não é muito usual para esta equipa. “Somos acionados para buscas”, mas sobretudo de idosos, explica Filipe Duarte.

O bebé de dois anos que esteve desaparecido durante 25 horas e que foi encontrado hoje de manhã a dois quilómetros da casa onde vivia, em Ourém, já teve alta da Pediatria do Hospital de Santo André, em Leiria.

A criança foi transportada para as urgências do hospital por precaução. Hoje, pelas 12:30, o diretor do serviço de Pediatria, Bilhota Xavier, disse que a criança chegou bem, mas cheia de fome. “Encontra-se bem, naturalmente assustada e cheia de fome, mas parece ser uma história que teve um final feliz. Foram feitas algumas análises por uma questão de precaução”, razão pela qual a criança irá ficar mais “algumas horas” no hospital, disse então.

Bilhota Xavier sublinhou que o menino apareceu “sem ferimentos, nem sinais de maus-tratos ou outras coisas”, mas “esfomeada”. Por isso, o primeiro ‘medicamento’ que foi dado, foi comida, disse Bilhota Xavier, acrescentando que a criança se encontra acompanhada da mãe, que “está preocupada, mas feliz”.

As análises foram realizadas, sobretudo, para verificar se existe “alguma anemia ou desidratação”, esclareceu.

“Fica aqui um alerta para os cuidadores e pais: as crianças são extremamente irrequietas, inteligentes e muito curiosas e às vezes basta uma fração de segundos para acontecerem estas coisas. É a mesma coisa que acontece todos os dias com as intoxicações de produtos de limpeza e ingestão de comprimidos”.

O menino de dois anos estava desaparecido desde a manhã de segunda-feira. Após a retoma das buscas hoje pelas 08:00, o bebé veio a ser localizado, pelas 10:00, por militares da GNR, a cerca de dois quilómetros da casa onde vivia e de onde desapareceu.

A Polícia Judiciária de Leiria continua a investigar o desaparecimento, mantendo em aberto a possibilidade de a criança se ter afastado sozinha e de se ter perdido ou de ter sido colocada no local onde foi encontrada por alguém.

c/Lusa

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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