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Quinta-feira, Janeiro 20, 2022
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Ourém | Vortice Dance Company, de Fátima para o mundo

No Dia Mundial da Dança (29 de abril) de 2001 surgia em Fátima, no concelho de Ourém, a Vortice Dance Company pelas mãos de Cláudia Martins e Rafael Carriço. Não só pelas mãos, mas por todas as partes do corpo que a dança faz movimentar. Os bailarinos e coreógrafos cruzaram-se na capital durante a formação académica, ele vindo da Figueira da Foz e ela de Coimbra, e 16 anos depois da fundação da companhia já viajaram juntos por quatro continentes. Falámos com ambos numa das viagens de regresso a casa, em Ourém, sobre o que os faz mexer.

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Quem esperar um espetáculo convencional de dança contemporânea acaba por ser surpreendido uma vez que a proposta vai muito além do movimento em cima do palco e engloba áreas como o multimédia, o teatro ou música, entre outros. Cada produção é única e os pedidos que têm recebido já os levaram a eventos de moda, como o Elite Model Look 2016, e eventos associados a empresas de transportes, como o lançamento da nova classe executiva da Qatar Arways.

A longa lista de colaborações internacionais, à qual acrescerá o lançamento da coleção de 2018 da Levis no Palácio do Gelo em Milão, também inclui os prémios recebidos até à data que reconhecem as carreiras dos diretores artísticos, quer pelos vizinhos do concelho onde residem atualmente (Ourém) quer pela UNESCO. Não é preciso dizer mais, o trabalho mexe-se por ambos e prova que valeu a pena arriscar e deixar a companhia de Lisboa em que estavam para fundar a Vortice Dance Company.

Espetáculo “Fátima, o dia em que o sol bailou”. Foto: DR
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Partiram de Fátima para o mundo e o ponto de partida da viagem transformou-se há cerca de um ano na inspiração para a criação do espetáculo “Fátima, o dia em que o sol bailou”, que está em tournée no Teatro Tivoli BBVA entre 27 e 30 de abril. A encomenda do Santuário de Fátima não foi uma estreia, uma vez que em 2007 já tinham produzido “A Solo com os Anjos” em que abordavam “o diálogo entre o humano e o ente divino”.

No “vasto universo” da dança contemporânea, dizem, não é o “show off” que os distingue. A força de cada espetáculo reside na criatividade e na exclusividade e, no caso do pedido do Santuário de Fátima no âmbito do Centenário das Aparições resultou na estreia, em 2016, de um momento marcado por uma forte componente visual em que a oração “é dançada” e assume a forma de “louvor”.

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Os mais de vinte intérpretes de diversas nacionalidades que pisam o palco durante “Fátima, o dia em que o sol bailou” assumem-se como um “vínculo” entre a religião e o público, que não tem de ser crente em Deus para sentir a fé quando Jacinta é retratada no hospital ou nos longos minutos em que Francisco olha “vidrado” para o altar. A história é a das crianças de um meio rural e isolado que um dia foram visitadas pela “senhora de branco”.

Espetáculo “Fátima, o dia em que o sol bailou”. Foto: DR

A partir do mês de maio de 1917 as suas vidas mudariam para sempre e a crença mariana passava a ficar associada à Cova da Iria, terreno pertencente ao pai de Lúcia, a terceira vidente. Os momentos que se seguiram surgem agora coreografados por Cláudia Martins e Rafael Carriço no espetáculo familiar que consideram “transversal” e envolveu um ano de pesquisa com mini-curso de antropologia incluído.

Em “Fátima, o dia em que o sol bailou” não interessa se falamos de factos históricos ou inventados. As convicções a cada um pertencem e a envolvência das muitas luminárias penduradas que aumentam o brilho dos bailarinos ou da cortina de água que simboliza o milagre do sol, conciliadas com a técnica e a delicadeza do movimento, certamente farão acreditar em algo superior a que muitos chamam, simplesmente, “beleza”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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