Ourém: Vereador critica “catalogação rápida” da sinagoga sem investigação

Vestígios de antiga sinagoga foram descobertos nos inícios dos anos 90. Foto: mediotejo.net

O historiador do concelho e vereador da coligação PSD-CDS, José Manuel Poças da Neves, fez uma pequena intervenção no final da assembleia municipal de 7 de setembro, quarta-feira, sobre a expropriação de um edifício na vila medieval que muitos crêem ser uma sinagoga do século XV. A catalogação tão rápida do espaço fê-lo deixar o alerta: “Só se podem tirar conclusões depois de uma aturada investigação arqueológica ao local”.

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Na reunião camarária de 2 de setembro foi expropriado um edifício para fins públicos que o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, explicou ao mediotejo.net tratar-se de uma antiga sinagoga judaica, que inspirou inclusive o Festival de Setembro do próximo fim-de-semana (dias 10 e 11). O espaço foi descoberto pela Fundação Oureana no princípio dos anos 90, como o mediotejo.net noticiou na semana passada, mas nunca houve uma investigação aprofundada sobre a sua origem, embora alguns estudiosos locais partilhem desta teoria. O atual executivo decidiu agora apostar no espaço, de forma a promover a vila medieval.

Também historiador, já com obra académica publicada sobre o concelho de Ourém, Poças das Neves quis deixar claras as suas dúvidas quanto a esta !descoberta”. Frisa que, “embora esteja claramente documentado que os judeus viveram em Ourém, pelo menos em duas épocas diferentes, no século XII, ainda antes da formação de Portugal e nos séculos XIV a XVI, estamos a falar de um tema sensível e que merece ponderação. Não podemos ficar pela suposta localização, sem provas irrefutáveis, concludentes”, defendeu em assembleia, já na parte de intervenção do público.

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“Por esse motivo há que repor a verdade em relação ao que anda a ser divulgado na imprensa sobre uma hipotética aprovação camarária de aquisição da antiga sinagoga de Ourém. O que foi aprovado nessa reunião camarária foi a aquisição de um imóvel de interesse público, depois da palavra sinagoga ter sido retirada e substituída por “um edifício de características medievais”. Mais se propôs que se consultasse um reconhecido professor universitário”, esclareceu.

“É evidente que só se podem tirar conclusões depois de uma aturada investigação arqueológica ao local, feita por investigadores de reconhecida competência científica”, terminou.

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Apesar de não haver catalogação oficial e fundamentada, o termo “sinagoga” já é usado livremente para definir as ruínas. Há inclusive, no programa do Festival de Setembro, um momento de Caça ao Tesouro sob o título “Houve sinagoga em Ourém!”, agendado para as 10 horas de domingo, 11, no Largo da Colegiada, na vila medieval.

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