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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Ourém | Vasco Lourenço lembrou um “25 de abril irrepetível” (c/vídeo)

O Coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de abril, esteve em Fátima na sexta-feira, 15 de dezembro, no âmbito de uma conferência promovida pela Escola Autárquica. “Abril – Liberdade e Democracia” foi o tema da discussão, em que os alunos da disciplina de História da Democracia Portuguesa puderam colocar perguntas ao antigo capitão de abril. Um serão que revisitou a decadência do General António Spínola, o Verão Quente e a descolonização.

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“Continuo apaixonado pelo 25 de abril”, afirmaria Vasco Lourenço logo no preâmbulo da discussão, num discurso de saudade que manteria no decorrer da intervenção, frisando por diversas vezes que o 25 de abril foi um acontecimento único no mundo, cujos ideias de revolução pacífica influenciaram em grande medida as revoluções dos anos seguinte e, no seu entender, a própria queda do muro de Berlim. Apesar de atualmente vivermos numa democracia pouco participada pela população, admitiu, a viragem nas últimas eleições legislativas trouxeram um novo interesse sobre Portugal. “Temos vindo a assistir que olham para nós com muita curiosidade”, referiu.

Vasco Lourenço em Fátima

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

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Vasco Lourenço fez um balanço dos 40 anos de democracia, admitindo que houve “altos e baixos” e que se cometeram muitos erros, mas que o país evoluiu positivamente no campo social, dissolvendo-se as grandes desigualdades que existiam nos anos 70. Apesar das dificuldades dos últimos anos, “depois das últimas eleições demos uma lição ao mundo e mostrámos que havia alternativa”. “A democracia tem que ser um instrumento para atingir o bem estar”, defendeu, nomeadamente no que toca à saúde e à ação social. “Felizmente estamos a recuperar”.

Questionado pelos alunos da Escola Autárquica, Vasco Lourenço admitiu que “o que nos abriu os olhos foi a guerra colonial”. “A revolução maior que eu acho que se verificou em Portugal foi a alteração das mentalidades, os portugueses perceberam que também tinham direitos. Foi um período extraordinariamente rico. Tenho saudades da extraordinária participação popular. Lutavam, discutiam, faziam plenários”, recordou.

O capitão de abril recordaria de seguida a figura do General Spínola, que “tinha um projeto de poder pessoal” e “começou a ter problemas com os excessos que as pessoas cometiam”. Vasco Lourenço recordou de seguida os vários episódios que antecederam as eleições de 1976, nomeadamente os do ano de 1975: o 11 de março, o 25 de abril e a tentativa de golpe de 25 de novembro, que repôs alguma estabilidade ante uma preliminar guerra civil. “O grupo dos nove era quem representava melhor o conceito do Movimento das Forças Armadas (MFA)”, defendeu Vasco Lourenço, lembrando que este seu grupo se bateu pelos prazos eleitorais estabelecidos e a democracia almejada aquando a revolução dos cravos.

Apaixonado pelo 25 de abril, Vasco Lourenço lembrou os ideias que moveram os capitães do MFA Foto: mediotejo.net

Apesar de não ser perfeita, a democracia continua a ser “a menos má de todas as formas de governo”, defendeu. Reconheceria porém que o processo revolucionário foi “complicado”.

Vasco Lourenço teve ainda tempo de falar da Associação 25 de abril, coletividade da qual é presidente há 35 anos e que procura unir civis e militares, do efeito da revolução sobre a Europa dos anos 70 e 80 e na possibilidade dos militares se voltarem a reerguer para combater a corrupção. “Os militares são homens como os outros, logo têm o mesmo tipo de defeitos. No 25 de abril tínhamos legitimidade (…) hoje vivemos numa democracia”, constatou. “O 25 de abril é irrepetível, por isso é que continua a ser um caso único, universal”. frisou.

O debate acabaria por culminar no tema da descolonização, com alguns dos intervenientes do público a sustentarem que o processo de saída das colónias não foi feito da melhor forma. Vasco Lourenço argumentaria que a situação era complicada, havia um atraso de 15 anos na descolonização, e que se procurou fazer o menor mal possível. “Houve traumas”, admitiu, mas “em termos globais o processo foi extraordinariamente pacífico”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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