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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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Ourém: Uma conversa com a Ana dos “Doce Oureana”

Ana Luísa Oliveira, 28 anos, licenciada em Belas Artes com um mestrado em escultura pública, redescobriu há cerca de três anos uma outra paixão: a doçaria. Durante nove meses largou tudo e dedicou-se à construção de uma marca de bolachas e biscoitos à base de ervas aromáticas. A “Doce Oureana” foi surgindo timidamente no mercado, mas já é possível de encontrar em várias lojas da região. Falámos com Ana Oliveira no torreão do Castelo de Ourém, cenário emblemático de uma marca ilustrativa do concelho onde nasceu. 

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Queremos saber como se passa das Belas Artes para a Culinária. Nada a ver! – afirmamos. Mas nem tanto, afinal… Ana Luísa explica que a moldagem da massa e a criação com base em diferentes elementos não afasta muito a pastelaria da escultura. Foi um escape que encontrou Ana Luísa Oliveira no momento em que as artes foram ficando gradualmente estagnadas.

Natural de Pinhel, freguesia de Atouguia, Ana Luísa revela que começou a cozinhar com cinco anos, porque não gostava da comida da avó. “Fui aprendendo por ver e ia fazendo às escondidas”, narra.

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As Bolachas e Biscoitos são feitos à base de ervas aromáticas existentes no concelho, com características relaxantes, digestivas e afrodisíacas. FOTO: mediotejo.net
As Bolachas e Biscoitos são feitos à base de ervas aromáticas existentes no concelho, com características relaxantes, digestivas e afrodisíacas. FOTO: mediotejo.net

Apesar das boas críticas à sua cozinha, os doces estiveram colocados de parte durante algum tempo. Formada em Belas Artes, apostou durante alguns anos na escultura, sendo sua a obra “Oureana” assente junto ao edifício dos Paços do Concelho. Fez exposições em Lisboa, no Alentejo, Figueira da Foz, Ourém e uma coletiva em Espanha. Mas “desde que voltei a Ourém que parei um pouco, porque não tenho oficina”. A cozinha foi um “refúgio”, apesar de manter ainda a atividade de desenho, tendo patente uma exposição em Ourém chamada “Confins da Infância”.

Ana Luísa já tinha por hábito fazer bolos, muitas vezes para colegas. “Quando apareceram os mercados Ecorurais uma colega pediu-me que fizesse algo”, recorda. Na época andava por Ourém a recolher ervas aromáticas – uma pequena atividade que, em conjunto com a  fotografia, partilhava um blogue pessoal sobre Ourém – e decidiu fazer a experiência. Nasceria assim o prelúdio do que viria a tornar-se a marca “Doce Oureana”.

Há um ano obteve uma licença para produção doméstica e decidiu registar a marca, tendo começado a investir no projeto. “Aí a coisa tornou-se séria”, comenta, revelando que passou por feiras um pouco por toda a região durante os nove meses que tirou para se dedicar em exclusivo ao novo negócio. Atualmente tem as bolachas e biscoitos à venda em lojas em Ourém, Fátima e Tomar e afirma que o seu objetivo é manter a produção 100% artesanal. “Faz sentido para mim.”

Funcionária municipal, atualmente mantém a produção apenas por encomenda, através da página de facebook com o nome da marca. “Faço a massa à noite e levanto-me bem cedo para fazer as bolachas”, refere. As receitas variam, algumas foram adaptadas, outras são fruto da sua imaginação. Revela que inicialmente ia criando e não escrevia as receitas, pelo que os biscoitos nunca saiam iguais. Agora faz um esforço para ir registando as suas experiências.

Ana também procura receitas em livros antigos, daqueles perdidos nos alfarrabistas. Mas vai sobretudo experimentando, criando. Já pensou entrar no universo das compotas ou mesmo dos bolos, mas as ideias ainda não avançaram. Para já as suas bolachas e biscoitos são à base de poejo, alecrim, alfazema, tomilho, limão e azeite. Cada um traz a indicação da terapêutica dessa erva ou condimento, sendo o design da embalagem da autoria de Ana Luísa.

“Todos foram receitas à primeira”, confessa. “Tem a ver com o conhecimento e gostar de ver e provar”, admite. Talvez “por ter começado a cozinhar cedo” tenha desenvolvido esta aptidão para distinguir sabores e desenvolver técnicas apenas com a observação.

Ourena foi a moura convertida ao cristianismo pela paixão a uma cavaleiro luso, aquando a reconquista. O romance adequa-se ao espírito dos biscoitos, alguns com componentes afrodisíacas. É um gosto e um desafio que vai ficando no paladar de quem desejar provar os sabores e aromas do concelho de Ourém.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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