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Ourém | Queda de 78% nas dormidas coloca Fátima com piores resultados do país

Em 2020, Fátima registou uma queda de 78% nas dormidas relacionadas com o turismo, número resultante da quebra em 88% da estadia de estrangeiros no território, avança Alexandre Marto, vice-presidente da AHP – Associação de Hotelaria de Portugal, citando dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). O município de Ourém já apresentou um pacote de medidas de apoio ao setor empresarial, mas advinha-se um 2021 igualmente perdido para a cidade religiosa.

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Os dados do INE foram divulgados esta segunda-feira, 15 de fevereiro, sendo que a nível nacional houve uma queda geral de 66% nos proveitos do turismo. Na sua página pessoal de facebook, Alexandre Marto, também presidente do grupo Fátima Hotels, fez uma leitura do impacto da pandemia para a cidade de Fátima.

“Dos 23 municípios mais relevantes turisticamente (e que representam mais de 75% das noites do país), o TOP 4 das quedas para o ano de 2020 é: 1. Fátima, com uma quebra de 78%; 2. Ponta Delgada, com uma quebra de 76%; 3. Lisboa, com uma quebra de 75%; 4. Porto, com uma quebra de 72%. O restante país turístico sofre imenso, mas menos que 70% de quebra. A quebra em Fátima deve-se principalmente ao colapso das noites registadas por estrangeiros: 88%. Não há retoma da economia sem a retoma do turismo”, afirmou o responsável.

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Ao mediotejo.net o responsável manifestou a sua preocupação com este cenário. “É um desastre. Ourém-Fátima é o município com a maior quebra de room-nigts em todo o país”, afirmou. Apesar de também Ponta Delgada, Lisboa e Porto apresentarem resultados semelhantes, o impacto em Fátima é muito maior.

“Fátima tem uma dependência do turismo e da atividade económica privada que não se compara com os outros três municípios”, constata. “Repare que a cidade cresceu essencialmente devido ao esforço do empreendedorismo privado e da presença da Igreja. O facto de não ser sede de município ou distrito, e portanto ter um emprego “público” muito reduzido, cria vantagens que nascem da flexibilidade e do empreendedorismo privado. Mas quando uma catástrofe destas aparece, sem que ninguém tenha culpa, os empresários ficam amputados na sua capacidade de resposta; e portanto precisam de um apoio do Estado – central e local”.

O responsável alertou também para se ter cautela com os dados do desemprego. “O impacto no desemprego só não é mais notado (apesar de um crescimento de 40%) porque é mantido artificialmente pelos mecanismos de lay-off (que também representam custos para as empresas), e porque o impacto é regional: Leiria e Batalha, por exemplo, são muito afetados pelos desempregados de Fátima”, explicou.

Sobre a antevisão para o presente ano, Alexandre Marto considera que “2021 está em risco e já parcialmente perdido”. “Em Fevereiro Portugal apareceu no mapa mediático de todo o mundo pelas piores razões. A pandemia continua grave em Portugal e na Europa. Isso significa que a mobilidade internacional continua condicionada. As companhias aéreas estão em crise profunda e ninguém sabe exatamente quais as rotas que arrancarão primeiro. A TAP que é responsável por 50% do tráfego de Lisboa parece ainda perdida, sem programa aprovado em Bruxelas, sem CEO definido. As empresas estão descapitalizadas e a sua capacidade de promoção está a enfraquecer. Este ano pode ser a continuação do descalabro”, analisa.

A recuperação, por tal, provavelmente só a partir de 2022.

Entretanto o presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, apresentou esta terça-feira, 16 de fevereiro, um plano de apoios para o setor empresarial, tendo em vista o combate aos efeitos da pandemia. Entre os vários apoios, há um programa de vouchers para cidadãos nacionais poderem passar, gratuitamente, noites em Fátima.

“O programa de apoio direto é essencialmente simbólico”, considera António Marto, “empresas que estão a perder centenas de milhares de euros de faturação receberão um máximo de 3.000 euros”, refere.

“O programa de 10.001 noites representa o apoio a 1% das noites observadas em 2019 em Fátima. Mas reconheço que representa um esforço relevante do município – 750 mil euros pode ser um valor simbólico distribuído pelos empresários, mas é importante e muito relevante para a Câmara Municipal de Ourém. Por isso temos de agradecer”, afirma.

“Claro que, para quem paga milhares de euros em IMI, verdadeiramente simbólico e importante seria a devolução desses valores aos hoteleiros. Posto isto, pode fazer-se mais, mas esse papel cabe principalmente ao Estado, no papel do governo. A dimensão da hecatombe é demasiadamente grande para o município a gerir sem o apoio de Lisboa. Quanto aos detalhes operacionais do programa, continuamos a desconhecer”, conclui.

Na conferência de imprensa de apresentação das medidas de apoio, Luís Albuquerque também mencionou a queda de 78% nas dormidas. “Desde o início que tivemos noção que Ourém seria um concelho problemático”, comentou, devido à grande quantidade de lares do território e à dependência do turismo. “Tivemos noção que a pandemia teria um impacto grande nas pessoas e nas empresas”, refletiu, comentando porém que o desemprego continua abaixo da média nacional.

 

 

 

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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