Ourém | Paulo Fonseca não perdeu mandato e pondera recandidatura

Passado quase um mês sobre a decisão final do Tribunal Constitucional quanto à insolvência pessoal do presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, e os 15 dias de prazo para o Ministério Público avançar com uma ação de perda de mandato por inelegibilidade, o autarca mantém-se na presidência e pondera uma recandidatura às autárquicas de 2017. Paulo Fonseca continua a não falar sobre o tema, referindo que a hipótese da perda de mandato foram “fantochadas da oposição”.

Questionado sobre um convite para se recandidatar à presidência do município de Ourém num jantar de Natal e o ponto de situação da sua insolvência numa reunião informal com jornalistas a 19 de dezembro, segunda-feira, Paulo Fonseca mostrou-se tranquilo, remetendo as suas declarações para um artigo da sua autoria, com 10 pontos, publicado no jornal Notícias de Ourém. “As pessoas devem pagar o que devem”, recordou.

No artigo, publicado na edição de 9 de dezembro do semanário, o presidente refere que “primeiro: dever não é crime, contrariamente a roubar; segundo: só se deve pagar o que se deve; terceiro: tudo o que se dever será regularizado; quarto: ninguém perdeu o mandato, pelo menos nos últimos anos; quinto: se alguém, um dia, pedir a perda de mandato de alguém, os dois têm de dirimir essa questão, nomeadamente quanto à sua pertinência e justiça; sexto: a minha gestão municipal fala por si – o nono município do país que mais reduziu a dívida e, atualmente, o sexto melhor município de média dimensão de todo o país; sétimo: as candidaturas autárquicas costumam ser definidas em Abril e eu pedi publicamente para que antecipassem essa escolha para Março, pelo menos; oitavo: neste processo tem-se visto a forma como se fabricam notícias artificialmente. Com insinuações gratuitas, parcialidade e cegueira….; nono: há pessoas que se vendem por uma navalha velha; décimo: este processo tem sido muito bom porque tem permitido conhecer melhor as pessoas e tem-me aumentado muito a energia – conhecer as pessoas, as más e as boas, tem melhorado muito a minha lucidez para decidir o que fazer”.

Sobre a perda de mandato, o presidente referiu serem “fantochadas da oposição”. Já quanto à recandidatura em 2017, Paulo Fonseca admitiu que foi desafiado, mas que ainda não respondeu ao convite. “Disse que não tinha grande vontade de ser candidato, porque precisava de fazer outras coisas, mas com estes passos que a oposição tem estado a dar está-me a dar ganas de ser”, comentou.

Segundo as diferentes notícias, em órgãos de comunicação social locais e nacionais, que têm vindo a público nos últimos anos sobre a insolvência de Paulo Fonseca, desde que foi decretada inicialmente pelo Tribunal Judicial de Ourém, o autarca tem dívidas nos valor de 4,6 milhões de euros.

Mas a única dívida a que ainda não teria chegado a acordo com o credor foi a mesma que despoletou o processo de insolvência. Paulo Fonseca recusou-se sempre a falar sobre o caso e, passado o prazo para o Ministério Público decretar a perda de mandato, permanece como presidente da Câmara de Ourém.

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