Domingo, Fevereiro 28, 2021
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Ourém | Pagamento de escultura “Coração de Fátima” negociado em insolvência

Um tópico relacionado com a escultura “Coração de Fátima” foi à discussão na reunião camarária de Ourém de 15 de junho, segunda-feira, fechada à comunicação social. Segundo adiantou o presidente da Câmara, Luís Albuquerque (coligação Ourém Sempre PSD/CDS-PP), aos jornalistas, o artista da peça entrou em insolvência e o administrador de insolvência está a tentar chegar a acordo com o município para receber algum dinheiro pela obra. O valor, que já esteve nos 500 mil euros, negoceia-se agora nos 150 mil euros.

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O tema vem do anterior executivo socialista, aquando a aquisição de uma escultura que marcasse o centenário das aparições de Fátima.

O acordo do município com o escultor Fernando Crespo foi aprovado na reunião camarária de 3 de março de 2017. Nessa sessão foi referido que a obra custava cerca de 500 mil euros, tendo sido necessário procurar um mecenas para a suportar. A oposição PSD-CDS constatou à época que a empresa financiadora indicada, assim como a que a detinha, estavam ambas praticamente sem atividade nos últimos anos ou com prejuízos. “Não conseguimos perceber qual a intenção desta empresa, sem atividade nenhuma, de fazer este mecenato”, referiu Luís Albuquerque.

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O então presidente, Paulo Fonseca, referiu que quem procurou o mecenas foi o próprio escultor, tendo a Câmara aceitado o financiamento. A relação do município seria exclusivamente com o escultor e não com essas empresas, frisou, razão pela qual se votava um acordo com o mesmo.

A situação menos clara da negociação com o escultor surgiu algum tempo depois da inauguração da escultura, a 10 de maio. Fernando Crespo referiu ao jornal O MIRANTE em julho que fora Paulo Fonseca a apresentar-lhe os financiadores e que ainda não vira o dinheiro prometido pelo mecenato, estando em dívida para com a empresa que lhe fizera a peça em tempo recorde.

Na assembleia municipal de 27 de fevereiro de 2018 o deputado Nuno Dias (PSD-CDS) questionou sobre a situação do “Coração de Fátima”, como a escultura atualmente é conhecida. “Nem sei o que lhe diga. É um processo muito complicado”, afirmou o atual presidente da Câmara, Luís Albuquerque.

O autarca explicou que reuniu com o escultor e que este referiu que não recebeu qualquer pagamento. “Alguém lhe terá dito que lhe arranjava um mecenas, o que é certo é que não há mecenas. Nem há papéis”, constatou, avançado que o município pediu um parecer jurídico sobre o caso.

Para todos os efeitos, Fernando Crespo ofereceu a peça ao município. Ainda em 2018, após o encontro com o escultor e o dito parecer jurídico, o executivo PSD-CDS disponibilizou-se a pagar 60 mil euros pelos direitos da peça. Segundo informação municipal, nunca terá recebido resposta.

À Lusa, Fernando Crespo tornou a reiterar que, após ter a ideia para a criação de uma peça urbana para perpetuar o Centenário das Aparições e a visita do papa Francisco, contactou o presidente da Câmara de Ourém, à data Paulo Fonseca. O ex-autarca terá garantido que iria arranjar uma entidade para financiar a peça, porque era impossível lançar o procedimento concursal, dada a proximidade de maio de 2017.

“Era uma empresa mecenas que me pagaria, mas o mecenas nunca cumpriu e quando começou a não cumprir eu informei o ex-presidente da câmara”, declarou o escultor, assumindo não ter feito nenhum contrato com o município sobre a peça, mas lembrando que existe “abundante documentação que vinculam a autarquia neste projeto”.

Fernando Crespo acusou Luís Albuquerque de que, “tendo consciência de que não recebeu um centavo, tentar tirar partido da situação, escudando-se num parecer encomendado em que se propõe pagar um valor ridículo pela peça”.

“Nunca recebi nada, nem eu, nem quem fez os serviços complementares para a instalação da peça”, declarou, referindo que o objetivo era de que “a peça ficaria para a câmara” depois de lhe ser paga.

O escultor adiantou que chegou a sugerir ao atual presidente da câmara “de que poderia lançar um concurso para a concessão da exploração do coração gigante em termos de ‘merchandising’, dado o enorme potencial da escultura”, “para ultrapassar esta situação”.

“Não há um único gesto do atual presidente de querer resolver este problema”, considerou Crespo, acrescentando ser obrigado a encetar uma ação judicial, porque tem “entidades credoras, além de ter tido um prejuízo elevadíssimo”.

Numa videoconferência de imprensa com jornalistas após a reunião de 15 de junho, Luís Albuquerque adiantou que o escultor entrou em insolvência e o município foi contacto pelo respetivo administrador, com uma proposta para resolver a questão. Neste momento, nem 500 mil nem 60 mil euros, o número avançado é de 150 mil euros. “Vamos ver o que os serviços irão dizer”, comentou o autarca.

O coração gigante chamado Francisco, vermelho e com uma cruz de cada um dos lados, foi inaugurado em 10 de maio, numa homenagem ao líder da Igreja Católica. A escultura, de cerca de 12 metros de altura e 12 de largura, intitulada “Francisco, o maior coração do mundo”, tem dois segmentos, que juntos representam um coração.

c/Lusa

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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