Ourém | Padre Pereira, o “empreendedor social”, completou 50 anos de sacerdócio

Amigos de Fátima ofereceram ao sacerdote um pequeno automóvel Foto: mediotejo.net

Conhecida figura do associativismo de Fátima, o Padre António Martins Pereira completou no sábado, 29 de junho, as bodas de ouro sacerdotais, numa festa organizada por amigos que encheu o Centro Pastoral Paulo VI em Fátima. De “terrível” a “vagabundo”, foram vários os apelidos carinhosos com que amigos e familiares o descreveram, mas talvez a definição mais correta seja a deixada pelo diretor do Centro de Estudos de Fátima (CEF), Manuel Bento, ao designá-lo por “empreendedor social”.

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O Padre Pereira foi professor no seminário dos Monfortinos, tendo acompanhado a fundação do CEF (colégio com contrato de associação ao Estado que inicialmente resultou da fusão de vários seminários em Fátima). Foi ainda fundador do Centro de Reabilitação e Integração de Fátima (CRIF) e o primeiro padre federado como jogador de futebol, estando ligado ao Centro Desportivo de Fátima (CDF). Assume ainda há várias anos algumas paróquias dos concelhos de Alcanena e Santarém.

A festa de homenagem contemplou uma missa e um jantar convívio, decorrendo pelo meio uma cerimónia solene em que foi transmitido um longo documentário sobre a vida do Padre Pereira. Natural de Lomba, freguesia de Sobrado, concelho de Valongo, António foi uma criança e adolescente travesso e rebelde, tendo surpreendido a família ao manifestar a vontade de seguir a vida eclesiástica. Desde o início que apontou a preferência por trabalhar em Fátima.

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Jovens do CRIF e do CDF subiram a palco para oferecer as primeiras prendas ao Padre Pereira Foto: mediotejo.net
homenagem encheu Centro Pastoral Paulo VI Foto: mediotejo.net

Integrando a congregação dos Missionários Monfortinos, iniciou o percurso de formação no concelho de Ourém, embora alguns dos seus anos formativos tenham decorrido em França e Itália. Foi ordenado padre em Fátima, no seminário Monfortino, a 29 de junho de 1969, então com 25 anos. Desde então nunca mais parou, envolvendo-se sucessivamente em causas sociais e admitindo não só a teimosia como também que não sabe dizer que “Não”.

“Depois da Igreja o CDF”, foi comentado a dada altura no documentário, expondo o grande envolvimento do sacerdote ao clube, para o qual foi chamado para dirigir pela população de Fátima depois de uma partida bem sucedida e pelo qual tem dado a cara, sobretudo em momentos de dificuldades.

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Aquando a fusão dos seminários de Fátima, acabou por passar pela direção do CEF, tendo ainda fundado o CRIF, projeto que, admitiu, chegou a pensar recusar dada a quantidade de responsabilidades que já assumia. Entretanto esteve alguns anos nos EUA, na comunidade portuguesa de Elizabeth, como pároco, passando depois para o Alentejo, por Ourique, até regressar finalmente a Fátima. Por onde passou deixou obra feita, facto testemunhado por vários amigos e antigos paroquianos.

Desde há alguns anos que assume várias paróquias de Alcanena e Santarém, tendo também passado pela de Chancelaria, em Torres Novas. Atualmente está ainda ligado à Associação Humanitária dos Bombeiros de Fátima. “O meu lema é servir. E nunca dizer Não”, reiterou o Padre Pereira.

Padre Pereira admitiu que não sabe dizer que Não, mas que trabalha com espírito de missão Foto: mediotejo.net

Após a apresentação do documentário, o Padre Pereira subiu ao palco e agradeceu a uma sala cheia a homenagem. “Foi dito mais que aquilo que eu merecia”, afirmou, referindo de seguida que nada mais fez que a sua “obrigação”. “Não faço nada sozinho. É uma ilusão”, foi outra das mensagens deixadas, lembrando todos os que o têm apoiado, em especial elementos da diocese e do Santuário de Fátima, e permitido que os projetos avançassem. “Peço desculpa por vos chatear tanto, mas aturem-me enquanto puderem”.

Numa noite de muitas prendas, os amigos de Fátima conseguiram ainda reunir meios para oferecer ao pároco um pequeno automóvel, cuja chave foi entregue ainda na cerimónia do Centro Pastoral Paulo VI.

“Sinto-me feliz e reconhecido, mas esta festa não foi minha”, comentou o Padre Pereira à comunicação social. “A festa é de todos” uma vez que “ninguém faz nada sozinho”. “Queria oferecer esta festa a toda esta gente que colabora comigo, são obreiros como eu”.

Num mundo que mudou muito em 50 anos e onde se tem sabido “adaptar”, o Padre Pereira manifestou-se satisfeito por ter conseguido fazer obra que beneficie as comunidades por onde passou. “Não levo nada comigo”, afirmou, mas “se nada se faz é muita pena, temos feito muito” e “é isso que me dá gozo”.

Padre Pereira celebra 50 anos de sacerdócio com grande festas em Fátima

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 29 de junho de 2019

Em Fátima as suas três grande obras são o CEF, o CRIF e o CDF, instituições que assumiu sempre em dificuldades e que hoje vão mantendo o equilíbrio financeiro. Ainda assim reconheceu ter ainda vários projetos para concretizar, como o Lar do CRIF, com uma lavandaria e espaço de fisioterapia, ou “mais um sintético” para o CDF, entre outros espaços de lazer.

“Tanta coisa que tenho ainda em mente”, afirmou, nomeadamente para as suas paróquias, querendo ver construídas casas mortuários, jardins e o aumento da creche de Amiais de Cima (Santarém).

“Estes projetos estão cá no coração e na mente e não desisto enquanto não vir qualquer coisa feita”, concluiu.

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