PUB

Ourém | Otimismo geral quanto ao crescimento de Fátima no pós-2017

O município de Ourém realizou na manhã de quarta-feira, 27 de setembro, um pequeno colóquio sobre o tema “Fátima e o Turismo Religioso: Estratégias de Desenvolvimento – um olhar pós-2017”, onde também apresentou o programa do Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, a realizar em novembro. A iniciativa teve por base o Dia Mundial do Turismo. Ouvidos académicos, autarcas e empresários, as perspetivas para Fátima em 2018 são otimistas e prometem uma continuação do crescimento económico da cidade religiosa.

PUB

“Para os empresários o negócio está sempre mau, mas este ano esteve «assim assim»”. O hoteleiro de Fátima António Marto brincou deste modo com a situação económica vivida na cidade em 2017, um pico de crescimento, admitiu, que resultou de uma espécie de “tempestade perfeita”: para além do centenário, a canonização dos pastorinhos e a visita do Papa, o hoteleiro salientou a instabilidade no Magrebe e o medo de viajar para a Europa (mencionou-se o caso de França no colóquio) devido aos atentados terroristas dos últimos anos. “2018 vai continuar a ser um bom ano”, perspetivou, elogiando o trabalho que tem sido desenvolvido pelo hoteleiros.

António Marto deixou porém o alerta que “uma coisa é o destino existir na mente das pessoas, isso existe há muito tempo, outra coisas são as «autoestradas»”, ou seja, as estruturas organizadas de viagem que trazem as pessoas para a cidade. Mas, terminou, “já estive mais pessimista, hoje estou mais otimista”.

PUB

O empresário foi convidado a falar no final do colóquio “Fátima e o Turismo Religioso: Estratégias de Desenvolvimento – um olhar pós-2017”, que marcou no concelho de Ourém o Dia Mundial do Turismo. A discussão centrou-se porém entre o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, e o professor da Universidade de Aveiro, Carlos Costa. Este último terminaria a sua primeira intervenção com a observação “não temos turistas a mais, temos é conhecimento a menos”. Paulo Fonseca apelaria então à “ousadia” e à necessidade de adquirir mais conhecimento, defendendo um turismo “transversal” e “diversificado”. “A Coreia do Sul, o Brasil, têm margem de progressão” ao nível do turismo para Fátima, defendeu. “Temos condições de continuar a progredir e criar mais empregos e não só na hotelaria”.

Debate sobre o futuro de Fátima no Dia do Turismo. Fala Carlos Costa, professor da Universidade de Aveiro

Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 27 de Setembro de 2017

Também convidado a intervir, o presidente da ACISO – Associação Empresarial Ourém Fátima, Domingos Neves, lembrou as viagens internacionais de promoção de Fátima que tem realizado, comentando que as pessoas “choram” a olhar para um panfleto e querem tirar fotografias junto aos cartazes com a fotografia do Santuário. O mercado da Coreia do Sul, mencionou, com 160 mil dormidas no último ano, continua a crescer em Fátima.

“O centenário foi o auge”, admitiu o responsável, que afirmou acreditar que se vai continuar a crescer. “Fátima tem uma imagem fortíssima no mundo”.

Em declarações à Lusa, Domingos Neves perspetivou que a hotelaria de Fátima atinja mais de um milhão de dormidas este ano, um crescimento de 25% face a 2016. “Neste momento, a tendência, face às reservas que temos, é a de termos mais de um milhão [de dormidas]”, avançou, quando no ano passado foram registadas cerca de 800 mil dormidas em Fátima.

“O fator centenário teve esse efeito de crescimento. Depois de maio, tem havido muitos dias em que os hotéis estão em ‘overbooking’. Isso nunca acontecia. Acontecia apenas a 12 e 13 de maio, 12 e 13 de agosto e 12 e 13 de outubro. Agora, tem acontecido em muitos dias durante o ano, o que é fenomenal”, realçou Domingos Neves.

Para o presidente da ACISO, seria ótimo manter o número de 2017 em 2018, mas “não será fácil”. “Queremos dar continuidade a este crescimento, mas que seja um crescimento em relação a 2016. Será difícil manter esse nível de crescimento, mas acredito que iremos aumentar substancialmente em relação a 2016”, referiu.

Para tentar dar continuidade ao ritmo de crescimento, a ACISO procura apostar em novos mercados e “mercados emergentes”, sendo um deles o mercado asiático, que “está a ter uma importância muito grande em Fátima”.

Há cerca de 15 dias, a ACISO esteve num congresso na Coreia do Sul – terceiro maior mercado em termos de crescimento em linha com o Brasil – e, no início de 2018, estará nas Filipinas e na Índia, “mercados que têm estado a dar sinais de crescimento em Fátima”, afirmou Domingos Neves.

Também em declarações à Lusa, Paulo Fonseca reiterou que Fátima tem “condições para continuar a crescer mesmo em relação a 2017” e recordou que um hotel com 100 quartos continuará a estar cheio hoje ou daqui a 20 anos a 12 e 13 de maio. A questão, notou, é garantir um crescimento durante todos os dias do ano.

Realçando o impacto da visita do papa Francisco a Fátima, Paulo Fonseca salientou que é necessário agora garantir um trabalho em conjunto com territórios vizinhos para se ir mais longe e haver uma “visão internacional”. “Se ficarmos aqui, numa visão paroquial, a olhar para o vizinho do lado e a fazer concorrência doméstica, não vamos chegar a lado nenhum. Temos que aumentar o valor da imagem de todos e atingir um patamar de outra ambição lá fora”, defendeu.

Foi ainda apresentado durante a sessão o programa do Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, uma iniciativa da Organização Mundial de Turismo (OMT) que decorre este ano em Fátima a 22 e 23 de novembro. Com o apoio do Ministério da Economia, o congresso vai contar com a presença do secretário-geral da OMT, Taleb Rifai, assim como de vários ministros e ex-ministros de países como o Paraguai, Sri Lanka, Lituânia, Macedónia, Egipto. No evento, marcam ainda presença vários especialistas ligados ao setor do turismo da Coreia do Sul, Espanha, Noruega, Etiópia ou Israel.

A sessão encerrou com a apresentação do livro “Territórios Vinhateiros de Portugal”, por José Arruda, secretário geral da AMPV – Associação de Municípios Portugueses do Vinho.

c/LUSA

 

PUB
PUB
Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).