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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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Ourém: O tempo e arte de um Relojoeiro

No coração da cidade de Ourém, numa antiga loja de malhas e tecidos desativada, nasceu em Dezembro a “Arte & Tempo”, a única loja de antiguidades da cidade. O proprietário é um jovem, Filipe Ricardo Vieira, 34 anos, colecionador e apaixonado pela arte do restauro, em particular de relógios antigos. Faz da vida a relojoaria, mas quis investir num negócio onde pudesse partilhar a curiosidade pelo colecionismo e pelos produtos com História. Quem passa pelo espaço dá-lhe os parabéns e refere que estava a faltar uma loja como esta em Ourém.

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Partilhamos a curiosidade com os múltiplos clientes que vão entrando à medida que decorre a entrevista. “Quanto custa?” – é a pergunta mais  frequente. Filipe Ricardo Vieira vende um pouco de tudo, desde antiguidades, velharias, colecionismo, artigos de decoração e mobiliário, mas também compra e realiza trocas. “Já há bastantes anos que coleciono coisas antigas, moedas, selos e mesmo carros antigos”, revela ao mediotejo.net, “sempre estive ligado a carros antigos e a clubes”. Ao longo dos anos foi-se apercebendo que não havia nenhuma casa do género na cidade de Ourém e que o facto até era lamentado pela população. “Fiz um pouco de força para abrir e as pessoas têm aderido. Felicitam-me, referem que não há nada do género na cidade, nem uma feira de antiguidades”.

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“Arte & Tempo” porque Filipe Ricardo é também um especialista do tempo, passando pelas suas mãos relógios antigos, alguns dos quais tem à venda na sua loja. São peças de família, heranças, que exigem “dedicação e algum tempo perdido” no seu arranjo. Compõem nesta loja de Ourém o cenário de uma casa senhorial dos inícios do século passado, de província, com os seus tons dourados e o seu cheiro a cedro.

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Na arte dos relógios, Filipe Ricardo herdou o conhecimento do pai, que já o adquirira de um tio, aquele que terá sido um dos primeiros ou poucos relojoeiros de Ourém. “Sempre trabalhei de pequeno em relojoaria e interessei-me pelas antiguidades”, sintetiza, contando um pouco da história comercial da família, de Caxarias a Ourém. Perto da loja de antiguidades trabalha assim, também, numa ourivesaria da família.

A localização da nova loja não foi escolhida por acaso. Na Rua Carvalho Araújo, perto da Igreja Paroquial, existia uma loja de malhas e tecidos que fechou há algum tempo. O espaço, com o seu estilo centenário esquecido no tempo, tão característico da zona história de uma perdida Vila Nova de Ourém, era o ideal para a conceção de negócio que Filipe Ricardo queria concretizar. Prateleiras de madeira até ao teto, balcão junto à porta, portadas estreitas e altas, salas amplas que deixam à vista do curioso todo o espólio exposto. Aqui nasceu o “Arte & Tempo”, que se encaixa sem contraste no ambiente rústico de cidade velha europeia que o rodeia.

Vender antiguidades não é para todos! São necessários contactos, sublinha Filipe Ricardo, lembrando que a loja não é o tradicional espaço comercial onde encontramos de imediato o que procuramos. É necessário investigar, encontrar a pessoa certa que tem determinado objeto antigo. “Já fui a Lisboa e ao Algarve buscar peças, outras vieram de França, algumas são entregues por vizinhos”, explica.

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O preço obedece também a várias caraterísticas. A raridade é uma delas, como um gira-discos clássico que tem na exposição e que atinge os 270 euros. Um dos seus roupeiros pode chegar aos 600 euros. Mas estas são peças especiais, que têm uma história e estão bem preservadas. Cada peça é avaliada consoante este múltiplos pormenores. Há também várias peças de loiça, candeeiros, malas e até uma mesa de sueca.

“As pessoas são sempre bem-vindas, nem que seja para conversar”, termina. E é o que muitas fazem! Entram, perguntam se podem observar, questionam sobre o preço da cadeira, da mesa, do sofá em forma de chassis de automóvel. O mediotejo.net levou um antigo globo, formato candeeiro, onde ainda se veem as caravelas do tempo das Descobertas. Um daqueles negócios que não se podem recusar…

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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