- Publicidade -
Quarta-feira, Janeiro 19, 2022
- Publicidade -

Ourém | Movimento anti-fracking quer alertar população contra exploração de gás de xisto (c/vídeo)

Bruno Reis, Verena Milbers e João Vinagre vão promover esta quinta-feira, 19 de abril, na junta de freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, Ourém, pelas 19h00, uma sessão sobre os perigos da técnica de exploração de gás de xisto, o fracking. O gás de xisto é um gás natural usado na produção de combustível e o concelho de Ourém, nomeadamente Fátima, está na lista das zonas para eventual prospeção.

- Publicidade -

O fracking é uma técnica de prospeção de gás de xisto, que se realiza por meio da fratura de rocha no subsolo, utilizando grandes quantidades de água e, posteriormente, uma grande quantidade de químicos, alguns tóxicos, para extrair o gás. O grande perigo da utilização desta técnica é a contaminação dos lençóis freáticos, que se tornam impróprios para consumo e agricultura.

Em alguns países onde decorreu esta exploração, explicaram ao mediotejo.net os ativistas, a água ficou de tal modo contaminada com metano que é possível incandescer, criar chamas na água que sai da canalização, à passagem de um fósforo.

- Publicidade -

É para estas situações, que se seguirão a um período de algum impacto económico positivo com a possibilidade de vender terrenos e a circulação de trabalhadores aquando a sondagem, que o grupo quer alertar as populações das aldeias do concelho. Um ano e meio de negócio, afirmam, não compensará todo um futuro em que o território deixará de poder produzir alimentos ou utilizar o aquífero local devido à contaminação da água.

Os três elementos deste grupo de cidadãos, que não se associam a nenhuma organização e têm apenas uma página de facebook chamada “Centro em Acção, Fracking Não“, sabem que a mensagem é difícil de transmitir, uma vez que o tema é pouco discutido em Portugal, há muito pouca sensibilização e conhecimento e a tendência é nunca pensar a longo prazo. Para já, o território ainda terá que ser avaliado quanto à sua potencialidade de extração, através de uma fase inicial de sondagem. No imediato, é desde já essa fase que se quer evitar.

- Publicidade -

A equipa alerta que as pessoas não se devem deixar enganar pelos presumíveis postos de trabalho que se vão criar. “Para trabalhar é preciso ser técnico”, especialista na área, salienta João Vinagre, explicando que o trabalho que poderá surgir será eventualmente para camionistas e empresas de construção. “A fase de prospeção não vai destruir nada. O problema é quando voltarem”, sendo que existe sempre algum impacto.

João Vinagre é um interessado nesta temática e já participou em ações a nível internacional. Em 2012 criou o blogue “Gás Natural não“, tendo procurado difundir desde então a mensagem sobre os efeitos do fracking. “Não existia informação sobre isto em lado nenhum”, constata, sendo que o primeiro documento da Quercus sobre o tema só surgiu em 2014. “Portugal é um país em que ainda podíamos viver do chão. A partir do momento em que a água ficar contaminada, é o fim”, frisa.

O gás de xisto não será usado tanto para produzir energia, mas sobretudo para produzir plástico, alega o grupo. “Politicamente a Europa precisa disto”, defende João Vinagre, e qualquer governo, seja de esquerda ou de direita, terá tendência para apoiar a prospeção em nome da estabilidade. A extração do gás de xisto é uma forma de a Europa se tornar independente dos tradicionais países produtores de petróleo. “Este gás não é para servir a população, mas para servir o Estado” e os interesses geopolíticos.

Bruno Reis alerta para o impacto que a prospeção também trará para o turismo. “Quem vem é muito sensível a estas questões”, defende, “não virão passar férias junto a uma petrolífera”. “Portugal tem que ter opinião e bater-se pelo país”, argumenta.

Esta quinta-feira, dia 19, a equipa vai apresentar o tema na junta de freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias.

 

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome