Ourém | Junta de Freguesia de Fátima alerta que corte de turmas nos colégios criará elitismo

A junta de freguesia de Fátima enviou recentemente um ofício ao Ministério da Educação, encaminhado também à Presidência da República e grupos parlamentares, a manifestar a sua preocupação com o grande corte previsto para as turmas apoiadas pelo Estado nos colégios com contratos de associação de Fátima. A cumprir-se, a situação criará elitismo no acesso, alerta, em escolas que até ao momento têm prestado um serviço gratuito e de qualidade aos estudantes locais. A previsão é que sejam cortadas para metade as turmas de 7º e 10º anos.

No ofício a junta de freguesia manifesta-se “extremamente” preocupada “com aquilo que se está a fazer ao Ensino na freguesia de Fátima”. “Com efeito, foi com enorme surpresa que soubemos do corte violento de turmas em contrato de associação atribuídas em concurso público aos três estabelecimentos de ensino particular e cooperativo que garantem acesso gratuito à educação a partir do 5º ano, para o ano letivo de 2017/2018”. “Este corte está a provocar alarme público entre as famílias”, frisa a autarquia, lembrando a presença de representantes dos pais na assembleia de freguesia a apelar para que não se fechassem as turmas.

A junta de freguesia faz de seguida um retrato das particularidades da freguesia de Fátima, salientando que os próprios colégios se encontram nos limites do concelho de Ourém e distrito de Santarém. “Compreenderá facilmente, assim, a violência que será obrigar os alunos que moram a centenas de metros, a um quilómetro, dois ou três que sejam, a percorrer muitos mais quilómetros, nalguns casos várias dezenas de quilómetros, para frequentar escolas, de forma desenraizada, só porque são de outra freguesia”. “A revolta das respetivas famílias é expetável”, constata.

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Destaca-se também o facto de Fátima ser uma cidade turística que tem crescido de forma progressiva, fazendo com que muitos dos seus trabalhadores vivam noutras freguesias e concelhos. “Por outro lado, este corte terá implicações profundas na economia local, pois estas três instituições têm um dinamismo impressionante e são determinantes na atração de verbas e investimento que de outra forma dificilmente surgiria”.

A autarquia termina por salientar o “serviço público” que as três escolas têm prestado no último meio século. “As escolas de Fátima não fazem qualquer tipo de seleção ou seriação de alunos, acolhendo simplesmente quem as procura”, refere. “Pelo menos tem sido esta a regra até hoje, mas corremos o risco de que este paradigma mude e se comece a promover o verdadeiro elitismo no acesso à educação”, argumenta, deixando a possibilidade de optar por uma escola que entenda ser a melhor para os seus filhos a quem tem poder económico.

A junta de freguesia constata também que o argumento da poupança não se aplica, uma vez que cada turma de contrato de associação custa ao Estado 80500 euros anuais, sem qualquer custo adicional com a manutenção das estruturas escolares. O que não sucede no serviço público.

A autarquia manifesta assim a sua “insatisfação” com o corte de turmas nos colégios com contratos de associação de Fátima, que considera “incompreensível e completamente contraproducente”. Mostra-se assim disponível para debater o tema com o Ministro da Educação.

Nos últimos anos os três colégios de Fátima (Colégio de São Miguel, Centro de Estudos de Fátima e Colégio do Sagrado Coração de Maria) haviam conseguido ficar de fora dos cortes de turmas devido ao facto de não haver serviço público nesta freguesia.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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