Ourém | João Moura, o político ecologista, amante da terra e com espírito de serviço público (c/vídeo)

Presidente da distrital de Santarém do PSD, deputado do PSD na Assembleia da República, presidente da Assembleia Municipal de Ourém. João Moura, 49 anos, é uma das figuras políticas da região, que tem dado a voz por várias causas, como o aeroporto em Tancos ou a necessidade de se olhar com especial cuidado para os efeitos da pandemia na realidade de Fátima. Numa entrevista mais pessoal, levou-nos a conhecer a sua casa, os seus hobbies e um dos espaços que mais lhe marcou a adolescência: os Bombeiros Voluntários de Ourém. Na causa pública por espírito de serviço, alerta que a vida política é uma breve passagem, uma forma de contribuir para a vida comunitária. Tem três filhos, uma paixão por cavalos e agricultura e já fez uma pequena revolução na Assembleia Municipal de Ourém.

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Em 2013, o PSD ganhava por maioria a Assembleia Municipal de Ourém. Como cabeça de lista, João Moura estava convicto que seria eleito presidente da mesa, preparando-se para realizar todo um conjunto de pequenas mudanças no organismo ouriense.

Num dos “episódios mais tristes” da sua vida política, uma união de forças imprevista entre o PS e os independentes fez com não vencesse a eleição interna. Teriam que passar mais quatro anos para João Moura ter oportunidade de levar em frente todo um conjunto de reformas na Assembleia Municipal de Ourém. O famoso projeto da Assembleia Jovem de Ourém é uma ideia sua.

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Ao assumir a Assembleia Municipal de Ourém, João Moura recuperou mobiliário antigo. Usa neste momento a mesma secretária que era do seu pai, quando este foi vereador na Câmara de Ourém Foto: mediotejo.net

“Aquilo que fazemos para nós próprios morre connosco, o que fazemos para os outros perpetua-se”, reflete João Moura. A causa pública exige um desprendimento pessoal em prol dos outros que nem sempre lhe é reconhecido, defende o autarca, que desde os 19 anos se envolve na vida política e nas coletividades. Por causa disso, ao assumir as funções de presidente da Assembleia Municipal de Ourém em 2017, uma das suas primeiras ações foi erguer um monumento de homenagem a todos os que exerceram no concelho. “AMO”, a escultura frente ao edifício clássico da Câmara Municipal, é já um ex-libris da cidade.

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“As pessoas têm que ter noção que as pessoas estão nos cargos políticos de passagem, não são profissionais de carreira”, reflete, comentando que muitas vezes se critica o político que vai acumulando posições públicas sem de facto se perceber o desprendimento necessário à função, que não é assim tão bem remunerada. “Acho que toda agente se interessa” por política, comenta, algo que se nota sobretudo com as redes sociais. “Dar opinião é fazer política”.

Natural de Mação, de onde os pais também são naturais, veio em criança para Ourém. Licenciado em Engenharia Agro-Pecuária, mestre em gestão de empresas, João Moura tem ainda uma empresa de consultoria em engenharia civil, que afirma ser atualmente uma das maiores do distrito, a “Metro ao Quadrado”. Foi professor de Ciências durante vários anos, mas manteve a ligação à política. “Foi sempre esse desafio, sentir que podia mudar alguma coisa”, reflete.

Assembleia Municipal encontra-se a tentar encontrar todos os ex-autarcas vivos para fazer o seu devido registos. Nomes estão perdidos nos livros de Atas Foto: mediotejo.net

A sua profissão levou-o a conhecer um pouco do mundo, razão talvez pela qual mantém o vínculo à social-democracia. “Acredito que o Estado deve existir nas sociedades, o Estado deve possibilitar que as sociedades se organizem respeitando as suas leis”, mas as sociedades devem expandir-se com uma intervenção limitada desse mesmo Estado, argumenta.

“O Estado não deve intrometer-se na dinâmica empresarial”, reflete, desde que esta funcione bem. Já os setores comuns, como a Saúde ou a Educação, sem descurar o Estado social, devem ter gestão do Estado. Mas é sobretudo pelo equilíbrio que João Moura acredita que o Estado se deve pugnar.

Os 14 anos nos Bombeiros Voluntários de Ourém, onde viveu a adolescência, marcaram-no profundamente ao nível político. Foi com o exemplo destes homens que começou a perceber o sentido de serviço, embora essa cultura já existisse em casa, tendo o pai sido autarca na Câmara de Ourém. Ao assumir as funções de presidente da Assembleia, procurou recuperar muito do património de mobiliário que ficara dessa época, armazenado quando se mudou de edifício, frisando a importância que concede a todos os elementos simbólicos que mostram esta dinâmica de “serviço” pela causa pública.

Mas mais que política, João Moura mostra-se como um homem da terra. Os seus tempos livres são passados na agricultura, num pequeno terreno de sua propriedade, perto da cidade de Ourém. É ali que podemos conhecer alguns dos seus cavalos, outra das suas paixões, confessando-nos que a filha é uma cavaleira desportiva. A arte equestre está bem evidente um pouco por toda a sua casa, onde possui um pequeno picadeiro e os animais são elementos ativos da paisagem.

João Moura tem paixão por cavalos Foto: mediotejo.net

João Moura é ainda um confesso ecologista, chamando a atenção o carro elétrico da marca Tesla que possui e que terá sido dos primeiros a dar utilidade aos equipamentos de recarga que existem no parque de estacionamento do município. O “futuro”, admite, constatando a mudança inevitável a nível global para políticas mais sustentáveis, numa transição que terá que passar pelos automóveis.

Homem de grandes projetos, é em torno de um aeroporto em Tancos, no alinhamento com a rede de comboios, que vê o futuro da região do Médio Tejo e do desenvolvimento transversal da zona centro. Lança assim o desafio aos municípios da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo para que se associem ao potencial desta ideia e que a promovam junto do Governo.

“Este investimento era uma forma de fixar, cativar população”, reflete. “As coisas já existem”, constata, expondo a magnitude deste projeto “Porta Tejo” e o potencial que tem para o território.

Com raízes em Mação, João Moura é presidente da Assembleia Municipal de Ourém, deputado na Assembleia da República e presidente da distrital de Santarém do PSD. Foto: mediotejo.net

João Moura é um político que acredita no sentido de serviço à comunidade e quer fazer renascer alguma dessa dignidade perdida ao ofício.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

1 COMENTÁRIO

  1. Essa do espirito de serviço público é hilariante este fulanos não passa de mais um tachista de carreira como aliás muitos outros por este país fora

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