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Domingo, Agosto 1, 2021

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Ourém | Homenagens a jornalista que lutou contra desinformação arrancaram no concelho

O município de Ourém entregou a Medalha de Mérito do Município ao jornalista Carlos Santos Pereira, falecido neste concelho, onde residia, a 23 de maio, vítima de cancro. A homenagem, que já estava a ser preparada antes da morte do jornalista, será a primeira de um conjunto que um grupo de amigos pretende levar a efeito. Carlos Santos Pereira foi um dos maiores críticos da desinformação nos anos 90, no âmbito da guerra da Jugoslávia. 

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“Não sabia que ele morava cá”, começou por reconhecer João Moura, presidente da Assembleia Municipal de Ourém, na sua intervenção no âmbito da sessão solene do Dia do concelho. A visita ocorreu há alguns meses, contou o autarca ao público presente no Teatro Municipal, onde o jornalista Carlos Santos Pereira contou episódios de guerra e demonstrou ser um poliglota. “Estava tudo preparado para homenageá-lo em vida”, reconheceu, lamentando que a morte súbita em maio tenha feito perder essa oportunidade.

Na sessão solene, o irmão e cunhada de Carlos Santos Pereira, Albertino e Maria Angélica Pereira, receberam a Medalha de Mérito Municipal. Após o agradecimento do irmão pela homenagem, seguiu-se uma intervenção escrita do General Carlos Branco que, devido aos condicionamentos impostos a Lisboa pela pandemia, não pôde estar presente, sendo lida por Maria Angélica.

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Irmão e cunhada de Carlos Santos Pereira lembraram o trabalho do jornalista, falecido recentemente Foto: mediotejo.net

No texto, o General afirmou que este era o “primeiro ato para preservar a sua memória” de um conjunto de iniciativas que um grupo de amigos vai promover. “Muito do seu pensamento é atual”, frisou, considerando imperativo preservá-lo.

“Estava certo antes do tempo”, referiu, lembrando que nos anos 90 este alertou para o problema da desinformação enquanto cobria a guerra da Jugoslávia. “Fez a diferença porque viveu em primeira mão muitos acontecimentos históricos”, frisou, lembrando que Carlos Santos Pereira sentia a necessidade de informar. “É essencial preservar a sua obra e defendê-la”. 

“Com ele, uma geração de militares aprendeu o que era a Jugoslávia”, continuou, “era um homem livre, na verdadeira aceção da palavra”. 

Carlos Santos Pereira assinou grandes reportagens internacionais no Expresso, no Público, no Diário de Notícias e na RTP, sobretudo nas décadas de 80 e 90, acompanhando as revoluções na Europa de Leste e reportando toda a guerra nos Balcãs. Com a sua mota percorreu a antiga Jugoslávia mais do que uma vez, de ponta a ponta, vivendo por dentro o sofrimento das populações.

Escreveu três livros: “Guerras da Informação” (Ed. Tribuna da História), “Os Novos Muros da Europa” (Ed. Cotovia) e “Da Jugoslávia à Jugoslávia” (Ed. Cotovia), e encontrava-se a terminar um outro livro de reportagens. 

Depois de reformado passou a viver em Ourém, na casa que fora dos seus pais. Manteve colaborações regulares como jornalista na Lusa, como colunista no Público e como comentador de assuntos internacionais na RTP e deu aulas de Jornalismo no Instituto Politécnico de Tomar/Escola Superior de Tecnologia de Abrantes.

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Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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