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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Ourém | Guilherme Isidro, o comandante que chegou no ano do Papa e dos incêndios

Desde abril no comando dos Bombeiros Voluntários de Ourém, Guilherme Isidro tem um currículo de destaque na área formativa dos Bombeiros, tendo passado por várias corporações e pela Força Especial. Poucos dias depois da sua chegada a Ourém, ocorria o maior incêndio do ano, no concelho, em Ninho d’Águia, ainda em abril. Entretanto passou o Papa Francisco por Fátima, morreram 64 pessoas no incêndio de Pedrógão Grande e viveram-se dias de aflição com as chamas em Mação e Abrantes. Com um trato afável e sempre direto nas respostas, Guilherme Isidro afirma ser falsa a notícia de que uma bombeira de Ourém, casada com um marroquino, tenha sido suspensa na sequência de um alegado envolvimento num plano para assassinar o Papa. Fora isso, os Bombeiros têm tudo pronto para “cair em cima” de um incêndio à primeira fagulha.

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Verguinhas foi tirado do fundo do poço há cerca de um ano. O cão de tons de chocolate percorre o quartel dos Bombeiros Voluntários de Ourém com passo brincalhão, de quem se sente em casa. Cumprimenta-nos à chegada, com mais entusiasmo da parte dele que nosso, desconhecedores da origem e intenções da mascote local. Não se sentindo bem recebido, segue o seu caminho, desaparecendo atrás de um dos grandes carros encarnados que aguardam um qualquer alerta para partirem em socorro.

Desde que iniciou funções em abril os fogos na região não têm dado descanso à corporação. Foto: mediotejo.net

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Perguntamos pelo gabinete do Comandante e somos encaminhados para as traseiras do quartel. Na semana anterior o incêndio de Mação mantivera os Bombeiros de Ourém pelo este do Médio Tejo durante quase uma semana. Com o tempo ligeiramente mais fresco, uma folga nos incêndios permite a entrevista pela manhã. Há uma calma que só na aparência é de tranquilidade. Os Bombeiros estão na expetativa, com o dispositivo preparado para intervir ao anúncio de qualquer ignição. Têm havido muitas ao longo desta época, resolvidas em relativo pouco tempo. A mais grave ocorreu em abril, na freguesia de Matas e Cercal, ainda não tinha começado a chamada época de incêndios. Guilherme Isidro tinha acabado de chegar.

O Comandante recebe-nos com simpatia, um ligeiro ar de cansaço. Tem 55 anos e é formador em várias áreas de intervenção dos Bombeiros. Pertence ao quadro da Escola Nacional de Bombeiros desde 1998. Entrou nesta vida quase por acaso, com 18 anos, nos Bombeiros de Pernes, onde permaneceu 24 anos. Seguiu-se em 2004 os Bombeiros de Santarém e em 2008 a Força Especial de Bombeiros. Algumas mudanças nas estruturas no início do ano fizeram-no aceitar o desafio de comandar os Bombeiros de Ourém nos próximos cinco anos. Uma região que conhece muito bem, até pelo grande afluxo de pessoas quando as peregrinações para Fátima.

Em maio integrou o dispositivo de socorro do centenário das aparições. Um momento de grande afluência em Fátima, mas relativamente normal dentro das já tradicionais grandes peregrinações. Questionamos sobre o caso da dita bombeira que estaria relacionada com um possível atentado. A notícia é desmentida, uma história que o responsável não percebe como se originou.

Corpo dos Bombeiros Voluntários de Ourém. Foto: mediotejo.net

Em tempo de incêndios e com muito trabalho, o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Ourém garante que estão preparados e tudo farão para não deixar propagar as chamas.

*

mediotejo.net (mt): Como se tornou bombeiro?

Comandante Guilherme Isidro (CGI): Na altura Pernes era uma secção dos Bombeiros Voluntários de Santarém. Eu tinha feito 18 anos, tinha tirado a carta e havia falta de pessoas para conduzir as ambulâncias na altura e convidaram-me a aderir para ser mais um condutor, para ajudar. Isso foi o clique. Entrei para os Bombeiros para ser motorista auxiliar, só para quando fosse preciso conduzir uma ambulância, mas depois (interessou-se por aprender mais e foi ficando).

mt: Nunca pensou fazer outra coisa?

CGI: Fui bombeiro voluntário durante estes 24 anos e tive outras profissões, outras atividades. Fui empreendedor também. Mas a vontade de ser bombeiro foi sempre maior que as outras coisas todas. Quando em 1994 fiz o curso de chefias, que foi o primeiro curso em Portugal, abriu-se a paixão maior para querer ser formador (…) e fiquei profissionalmente ligado aos Bombeiros.

mt: Isto acaba por não ser bem uma profissão, os bombeiros voluntários. É atrativo para os mais novos?

CGI: Eu acho que é atrativo para qualquer pessoa que tenha como vontade ajudar o próximo. Por muito que seja profissão ou não, está sempre muito patente em toda a atividade dos Bombeiros a ajuda ao próximo. Porque mesmo um profissional que vai ajudar alguém na sua vida, num momento de aflição, além de ser profissional tem sempre outra parte, muito própria, de ajudar alguém. É sempre atrativo. Nem toda a gente tem essa apetência tão vincada, mas o ser humano é mesmo assim, é mesmo por ajudar o próximo, e a maioria dos jovens revêem-se ainda muito nisso.

No fogo de Mação (julho) tivemos sete dias cerca de cinco veículos e ocupámos cinquenta e tal bombeiros. Foi um dispositivo bastante importante para nós. Lá está. Foi a disponibilidade dos voluntários que permitiu ter tanta gente empenhada nessa ocorrência.

Agora também as condições de vida das pessoas foram-se alterando ao longo dos anos. A estabilidade das famílias, o desenvolvimento das famílias através dos estudos e das novas tecnologias também veio alterar um pouco aquilo que se calhar há uns anos atrás seria uma referência maior e hoje é igual a outras tantas coisas que se pode fazer.

mt: Como é que é a vida de um bombeiro voluntário?

CGI: O bombeiro voluntário quando adere tem logo um ano de formação para fazer. Um período de mais ou menos um ano em que tem que fazer uma formação básica de bombeiro voluntário, tem que fazer uma formação específica na área do socorrismo, da área do desencarceramento, para depois poder começar a fazer serviços, estar apto para fazer serviços. Esse é um período em que muitas vezes (o futuro bombeiro) vacila em continuar ou não continuar. Depois, ao longo da sua vivência como bombeiro, terá que fazer várias especializações para fazer a carreira.

Este período todo, depois destas vivências, tem muito a ver com aquilo que é a vida pessoal de cada um e o tempo que tem disponível para os Bombeiros. Por exemplo: um bombeiro que esteja na segunda classe e queira passar a primeira classe tem que fazer um conjunto de formações obrigatórias e alguns cursos têm 70 horas de currículo. Ou um bombeiro tem disponibilidade, tem que abdicar de parte das suas férias ou tem disponibilidade do emprego ou da sua vida profissional, ou então tem muita dificuldade. Há aqui um compromisso que às vezes é difícil termos para que um bombeiro voluntário consiga fazer a sua vida toda sem ter esta dualidade de opção.

Depois, no dia a dia, é tudo isso. O serviço mais ou menos obrigatório que têm que cumprir, porque há uma escala, há um compromisso em que temos que manter equipas permanentes para sair e a sua vida pessoal. Congregar estas coisas por vezes é difícil.

mt: Surgem problemas com as entidades patronais?

CGI: Surgem, surgem problemas com as entidades patronais. Ao longos dos tempos tem dificultado mais. A estrutura fabril também mudou, antigamente as fábricas tinham outra forma de dispensar as pessoas. Podiam dispensá-las. Hoje em dia muitas delas têm o mínimo de trabalhadores para as suas funções, são processos que dependem uns dos outros, automáticos muitos deles, em que a dispensa de um trabalhador faz muita diferença. Aqui em Ourém temos aí alguma facilidade com algumas áreas, mas outras são mais difíceis.

mt: Não seria altura de se pensar numa estrutura como os Bombeiros Municipais, totalmente profissionais?

CGI: Nós somos mais um corpo de bombeiros misto do que de bombeiros voluntários. Nós somos os Bombeiros Voluntários de Ourém mas podemo-nos considerar um corpo misto. Entre 121 bombeiros, 52 são funcionários da própria associação. Não diverge muito de um corpo todo profissional.

mt: Profissionalizar totalmente não será então necessário?

CGI: Será sempre necessário consoante for a necessidade. Neste caso Ourém tem uma equipa profissional, que é custeada pelo município 50% e 50% pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), que são cinco elementos que estão dentro do período do dia profissionalmente a trabalhar. Caxarias não tem e Fátima também não tem porque a própria portaria que define estas equipas só permite que em cada concelho haja uma. Mas seria muito bom que fosse alterado porque Caxarias também precisava de uma equipa permanente e Fátima também precisava de uma equipa permanente. Portanto isso seria o ideal.

O caminho dos Bombeiros Voluntários, devido àquelas dificuldades que já falámos de quem tem a sua vida profissional e é voluntário, terá que ter sempre uma componente que garanta o socorro no dia a dia, nas horas que são mais difíceis, em que os voluntários estão na sua vida profissional.

Quem conhece as comunicações que os Bombeiros tiveram ao longo dos anos de certeza absoluta que diz que o SIRESP é uma mais valia

mt: É formador em vária áreas. Quais as grandes dificuldades em termos de formação neste momento?

CGI: A formação dos bombeiros já teve várias vertentes. A maior dificuldade neste momento é estar centralizada em pólos de formação. (…) Por vezes é complicado porque é à noite, no fim do dia de trabalho ter que fazer mais quatro horas de formação, durante uma semana inteira, mais os fins de semanas, há alguma dificuldade nisto.

Depois também a formação teve um grande exponencial, formaram-se muitos formadores locais, nos corpos dos bombeiros, para as formações mais básicas. O que por um lado facilita porque estão no corpo de bombeiros e podem dar essa formação. Por outro lado não facilita a qualidade do formador, ou seja, o desenvolvimento do próprio formador. Porque se um corpo de bombeiros tem um formador na área da saúde e se esse formador só dá formação no seu corpo de bombeiros, só dá dois cursos por ano. O que não desenvolve muito as competências que o próprio formador necessita de desenvolver.

mt: E em termos de aprendizagem, há alguma área que levante mais dificuldades?

CGI: Algumas mais técnicas, que exigem mais material e têm custos muito mais elevados, nomeadamente os incêndios urbanos e industriais ou tudo o que seja com matérias perigosas. São equipamentos muito caros que não estão à disposição de todos os corpos de bombeiros.

mt: Chega a Ourém depois de passar pela Força Especial de Bombeiros. Já conhecia o território?

CGI: Sim, eu sou de Pernes, no concelho de Santarém. Quando há o 13 de maio, há vários anos que o dispositivo de Fátima é composto pelos corpos de bombeiros do distrito. Desde 2000, quando veio o Papa, tenho participado sempre nas operações. Era uma área que eu já conhecia. Toda a outra área concelho a nível dos incêndios urbanos e industriais ou dos incêndios florestais também já conhecia pelas várias vezes que tive que intervir cá nos incêndios, em várias posições. Tenho participado sempre nas épocas florestais no CDOS de Santarém, onde nós temos o conhecimento do que acontece em cada um dos concelhos.

mt: Como tem estado a ser o verão aqui em Ourém? Na região a gente já sabe…

CGI: O verão tem sido quente, ventoso e muito perigoso. Duas características que para nós, com incêndios florestais, são complicadas. O calor e o vento. Até agora, e Deus queira que se mantenha, só tivemos uma ocorrência que nos preocupou e que nos deu algum trabalho. Foi fora da época normal, no dia 9 de abril, o incêndio do Ninho d’ Águia, que consumiu 12 hectares. Foi o maior até agora e o maior problema que tivemos. De lá par cá temos tido bastantes ocorrências, somos o segundo concelho com mais ocorrências a nível de incêndios florestais, mas felizmente que elas têm sido resolvidas em pouco tempo. Espero que se venha a manter…

mt: Estiveram no Pedrógão Grande, em Mação…? 

CGI: Os Bombeiros de Ourém têm estado em todas as ocorrências relevantes e necessárias no distrito e fora do distrito. Em todas elas nós participámos com um conjunto vasto de elementos e de meios. No fogo de Mação (julho) tivemos sete dias cerca de cinco veículos e ocupámos cinquenta e tal bombeiros. Foi um dispositivo bastante importante para nós. Lá está. Foi a disponibilidade dos voluntários que permitiu ter tanta gente empenhada nessa ocorrência.

mt: A nível nacional fala-se muito atualmente nos problemas do SIRESP. Qual a sua experiência?

CGI: Quem conhece as comunicações que os Bombeiros tiveram ao longo dos anos de certeza absoluta que diz que o SIRESP é uma mais valia. O SIRESP apareceu com a capacidade de, num teatro de operações, vários agentes estarem em contacto, o que não acontecia até então. De falarmos com uma limpeza total com alguém que esteja em Braga, ou Vila Real de Santo António, ou em Chaves.

Agora em questões técnicas o SIRESP tem alguns problemas que é necessário resolver e que são conhecidas de há alguns anos. Não foi este ano que isso aconteceu. Eu como utilizador digo que o SIRESP é bastante bom a nível de comunicações para os corpos de bombeiros. Pontualmente pode falhar como falha um telemóvel, porque a base onde assenta a comunicação é muito parecida (por antenas).

mt: Outra das queixas a nível nacional nestes grandes incêndios é que os Bombeiros chegam por vezes tarde aos locais. O território é assim tão complicado?

CGI: Quem está à espera, em qualquer ocorrência, é sempre uma eternidade. Por mais rápidos que possam ser. A verdade é que a características das próprias ocorrências ao nível dos incêndios e onde essa crítica é mais vinculada…não há dúvida que a tipologia do incêndio hoje está um pouco diferente devido às condições, todas elas – meteorológicas, terreno, combustível, falta de limpeza, todas elas que eu podia enunciar – estão a propiciar que os incêndios tenham uma velocidade de propagação um pouco diferente. Ou seja, a nossa estrutura enquanto bombeiros está montada no país para socorrer as pessoas segundo um histórico e segunda as necessidades que se calhar se estão a alterar. Se calhar antigamente ir para um incêndios fazer 10 ou 15 quilómetros era uma coisa normal e agora nesses 10 ou 15 quilómetros a velocidade de propagação de um incêndio será demasiada…

Tudo isto leva-nos a pensar e a refletir de que a resposta também tem que ser alterada. Se eu antigamente para um determinado sitio precisava de um veículo ou dois, agora preciso de quatro ou cinco. Preciso de mais gente. Porque esta realidade está a acontecer: a velocidade de propagação dos incêndios está a ser maior. Temos que ter uma postura diferente quando estamos a dar resposta a uma qualquer ocorrência.

E depois no desenvolvimento poderemos ter disponibilidade ou não de meios consoante for o quadro geral das ocorrências todas. Quando no distrito de Santarém, que tem 25 corpos de bombeiros, tem quantidade de meios mas tem três ocorrências grandes ao mesmo tempo é natural que não haja meios que chegue para todo o lado. Julgo por vezes há um bocadinho de injustiça nas críticas.

mt: Nos próximos anos teremos que investir mais nos Bombeiros? Ou passa mesmo pelo ordenamento do território?

CGI: Nós estamos numa localização geográfica em que vamos ter sempre problemas dos incêndios florestais. Agora podemos fazer muito para minorizar essa questão. Podemo-nos organizar melhor, podemos ter melhor ordenamento do território, podemos ter melhores condições, melhor material. Tudo isso é bom e tem que acontecer. Mas será para minorizar a consequências. No sítio onde nós estamos geograficamente vamos ter sempre tempo de verão, e vamos ter sempre vento, calor e espécies vulneráveis a esta situação. Temos que melhorar todas as outras condicionantes para garantir que a situação seja melhor.

Tudo isto leva-nos a pensar e a refletir de que a resposta também tem que ser alterada. Se eu antigamente para um determinado sitio precisava de um veículo ou dois, agora preciso de quatro ou cinco. Preciso de mais gente. Porque esta realidade está a acontecer: a velocidade de propagação dos incêndios está a ser maior.

mt: Aqui em Ourém quais os grandes perigos neste momento?

CGI: Em Ourém os grandes perigos é mesmo o ordenamento do território e a falta de limpeza, que devia de existir. Nós verificamos no norte de concelho muitas zonas onde o desordenamento é constante, a mata chega à borda das estradas, não tem qualquer faixa de proteção. Que a limpeza à volta das casas e do edificado não se faz. Nem das fábricas, nem das habitações. Portanto isso será sempre uma condicionante, para toda a gente. Nós muitas vezes quando devíamos estar a combater o incêndio principal estamos a colocar (equipamentos) para fazer proteção aos bens das pessoas e às pessoas. Todas as freguesias do norte do concelho são prioritárias pela sua característica florestal e pela forma como estão neste momento.

mt: Mas tem estado calmo…

CGI: Tem estado calmo mas nós também não temos facilitado. Normalmente os bombeiros de Ourém tinham duas equipas de combate a incêndios. Este ano temos três, reforçámos com uma equipa. O concelho tem meios para qualquer ocorrência. Mas também qualquer coisa que aparece nós vamos com tudo, porque sabemos que nos princípio do incêndio é que está o problema de o apagar ou não.

mt: Está na corporação de Ourém há alguns meses, já conseguiu identificar carências na estrutura?

CGI: As maiores dificuldades têm a ver com alguma reorganização interna que temos que fazer. A nível de equipamento estamos bem, é um corpo de bombeiros com muitas valências e bem apetrechado para essas valências. Agora necessita de fazer algum reequilíbrio ao nível dos quadros do pessoal. Há lugares que não estão preenchidos. As instalações são boas, precisavam de alguma reorganização interna que estamos a fazê-la a pouco e pouco.

mt: A nível de equipamentos estão completos?

CGI: Precisamos de equipamentos de proteção individual, precisamos de mais rádios, temos alguns equipamentos que estão na saturação da sua vida útil, precisam de ser substituídos. São essas as preocupações.

mt: O que é que se podia fazer mais pelos Bombeiros a nível nacional?

CGI: A nível nacional eu acho que os Bombeiros precisam de parar para pensar e para refletir. Ao longo dos tempos os Bombeiros cresceram como instituição. São uma instituição de referência em qualquer localidade e qualquer terra, mas para ser essa referência, essa entidade que tem responsabilidades e tem que as manter não pode andar todos os dias a aparecer nas notícias como…um bocadinho os coitadinhos desta coisa toda.

As estruturas têm que ser assertivas, sejam elas as diretivas, as confederações, as estruturas operacionais. Têm que traçar caminhos e têm que haver caminhos que se aglutinam. A maior questão que existe em qualquer instituição, e esta também, é que quando muda o poder político mudam-se as estruturas todas, ou muda-se quase as estruturas todas. E tem que haver aqui um compromisso que estas estruturas têm que ser operacionais, têm que ter estabilidade.

Penso que a nível nacional os Bombeiros necessitam de uma estrutura forte na confederação, que não têm. Necessitam de estar todos no mesmo caminho, independentemente das diferenças que possa haver entre nós. E deixarmo-nos de fait-divers que só nos vêm fragilizar.

mt: Tenho uma última questão, não sei se tem autorização para me responder. A notícia daquela bombeira de Ourém casada com um marroquino que planeava um atentado ao Papa era verdadeira?

CGI: Não, essa notícia é mentira. Eu tive oportunidade, tanto eu como o presidente da direção, de fazer um desmentido para os órgãos de comunicação social. Isso é uma notícia falsa do semanário Sol, que me contactou quando eu estava numa ocorrência. Eu disse que estava num incêndio, que deixassem o contacto, e disseram que mais tarde contactavam. Nunca mais contactaram e depois saiu a notícia. É uma notícia completamente falsa. Fizemos o desmentido e já solicitámos ao semanário Sol que faça aquilo que deve fazer, que é repor a verdade.

mt: Mas houve realmente algum caso dentro desse género?

CGI: Não, com os Bombeiros Voluntários de Ourém não houve ninguém. E eu já esclareci isso. Só quem não conhece a estrutura que foi montada para o dispositivo de Fátima é que podia pensar que uma coisa daqueles, que foi relatada, pudesse acontecer. Para já ninguém dos bombeiros que participaram lá esteve perto do Papa ou das equipas que podiam estar perto do Papa. Não houve ninguém dos Bombeiros de Ourém que fosse pedir ao comandante para ir nesta ou naquela ambulância como foi relatado, é completamente falso. As equipas foram distribuídas pelos meios conforme se entendeu. Não há bombeira nenhuma casada com nenhum marroquino ou que viva com nenhum marroquina. Não sei onde foram inventar a história. Mas é de um profundo desconhecimento de como tudo se passou.

As estruturas têm que ser assertivas, sejam elas as diretivas, as confederações, as estruturas operacionais. Têm que traçar caminhos e têm que haver caminhos que se aglutinam.

mt: Como foi esta peregrinação do 13 de maio?

CGI: O 13 de maio foi uma atividade normal, com muito trabalho, com muita preocupação devido àquilo que envolvia, mas o dispositivo que foi montado mais uma vez pelo CDOS de Santarém e pela ANPC foi um dispositivo que deu resposta a todas as situações. Sentimo-nos gratificados por aquilo que fizemos.

mt: Sentiram mais trabalho que noutros anos?

CGI: Não, julgo que não, julgo que não houve mais trabalho que o normal. Houve uma maior preocupação, também devido aos momentos mundiais que estamos a assistir e tudo isso nos traz na carta mais responsabilidades, de estar mais atentos a tudo o que possa acontecer. Isso aconteceu da parte da segurança e da security. Mas tudo correu bem e podia dizer que foi um 13 normal com a vinda do Papa.

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Bombeiros Voluntários de Ourém são uma equipa de 121 operacionais Foto: mediotejo.net

*Entrevista publicada em agosto de 2017

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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