Ourém: Festival de Setembro, a cultura judaica e Rodrigo Leão

A cultura judaica em Ourém já não é apenas tema de conversa (nem sempre consensual) dos amantes de História do concelho. Os alegados vestígios da antiga sinagoga encontrados junto da Pousada Conde de Ourém inspiraram a música, cinema, dança e literatura da segunda edição do Festival de Setembro, que decorre durante o próximo fim-de-semana.

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Entre as muitas iniciativas que constituem o programa dos dias 10 e 11 de setembro encontram-se atividades ligadas às áreas da música, do cinema, da dança e da literatura. A estas juntam-se outras iniciativas de que os visitantes podem usufruir sem ter que pegar no carro, basta utilizar o transfer entre o Centro de Negócios (cidade) e o Largo da Colegiada (Vila Medieval) durante o horário do festival.

A abertura oficial do Festival de Setembro está agendada para as 15h00 de sábado e na oferta musical são incontornáveis os concertos no castelo com os Melech Mechaya (22h00) e Pás de Problème (23h30) no primeiro dia, e Rodrigo Leão (21h30) no segundo. Três momentos marcados por uma mistura de sonoridades vindas da zona da capital e conhecidas do público nacional e internacional.

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A euforia dos Melech Mechaya é trazida pelas vozes e instrumentos de João Graça (violino), Miguel Veríssimo (clarinete), André Santos (guitarra), João Novais (contrabaixo) e Francisco Caiado (percussão), que fundem a música tradicional judaica, klezmer, com a música árabe, balcânica, cigana, jazz, tango e fado, partilhada nos quatro álbuns lançados desde a estreia nos finais de 2006.

No mesmo dia, os Pás de Problème chegam com aquilo que dizem ser uma “celebração eufórica que mistura géneros improváveis” e recentemente animou a Festa do Avante. A música cigana, os ritmos africanos e o jazz vão ecoar pelo castelo com a ajuda de Abuka, Niko Pakito, Johnny, Gil Dionísio, Diamantino Viegas, Duarte Loureiro e Pedro Pereira, dando a conhecer o álbum de estreia com lançamento anunciado para este ano.

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O domingo é para recuperar da folia de sábado ao som de Rodrigo Leão, o músico e compositor cuja carreira musical começou em 1982 com os Sétima Legião e recentemente deliciou os fãs com o álbum “O Retiro”. Pelo meio surgiram os Madredeus (1985), lançou-se a solo com o disco “Ave Mundi Luminar” (1993) e conquistou a fama com os temas “Pásion”, “Lonely Carousel”, “A Espera”, “Vida Tão Estranha”, “Rosa”, “Cinema” “Ave Mundi” ou “Rosa”.

Aos cabeças-de-cartaz junta-se na tarde de sábado a animação de rua dos Drama e Beiço, seguida pelas atuações da Associação Filarmónica 1º de Dezembro (17h15) e da Sociedade Filarmónica Oureense (20h00). No dia 11, a animação de rua é feita com a música sefardita d’As Louçanas e o palco pertence à AMBO (15h45) e à Ourearte (17h30).

A cultura judaica também inspira cinema, dança e literatura. A sétima arte integra o cartaz através da “Judaica, Mostra de Cinema e Cultura”, uma iniciativa dirigida por Elena Piatok que inclui a exibição de dois documentários na Galeria da Vila Medieval. A Escandalosa Sophie Tucker”, de William Gazecki, é a proposta para sábado (17h30), e “Faça Hummus, não guerra”, de Trevor Graham a sugestão de domingo (18h00).

Por sua vez, a arte do movimento marca presença com sessões de Danças Tradicionais da Europa no Largo da Colegiada, às 18h30 de ambos os dias, e o espetáculo de dança contemporânea “Diáspora e Cultura Judaica” pela Academia Arabesque, marcado para as 15h00 de domingo. Uma hora depois é a literatura a ter destaque com o lançamento do livro “A Inquisição em Ourém”, de Jorge Martins, no qual participa o presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa, Gabriel Steinhardt.

O tema do Festival de Setembro dá o mote para outras atividades, como a visita encenada à Cripta do Conde de Ourém (11h00) e três conferências na Galeria da Vila Medieval a partir das 15h30, no sábado. Saúl António Gomes começa por falar sobre “A presença judaica em Terras de Ourém”, Carlos Veloso apresenta a “Imagem do Judeu na cultura portuguesa” e Gabriela J. Benner analisa “A Imagem do Judeu na arte medieval na Península Ibérica”.

No último dia parte-se da Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias às 09h30 para o percurso “As Vinhas do Vale das Silveiras” e meia-hora depois são os mais novos quem parte à descoberta no Largo da Colegiada para a caça ao tesouro “Houve Sinagoga em Ourém!”. Quer neste dia, quer no anterior, os visitantes também podem conhecer a cultura judaica através do paladar com os “Sabores de Inspiração Judaica”, a partir das 15h00 de sábado e das 12h00 de domingo.

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