Ourém | “Escutatório” quer ajudar população isolada a manter a saúde mental

"Escutatório" quer ajudar população isolada de Ourém e da região do Médio Tejo a manter a saúde mental. Foto: DR

A Fundação São João de Deus colocou ao dispor da população uma linha de apoio psicológico, designada “Escutatório”, para ajudar quem se encontra em isolamento. A instituição, que tem em vias de desenvolvimento a abertura de um centro de apoio à saúde mental em Ourém, disponibiliza o serviço gratuito (paga só a chamada) de três psicólogas e alerta para os sentimentos de solidão e ansiedade neste tempo de pandemia.

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O conceito do “Escutatório” já estava em projeto, acabando por avançar em definitivo com a pandemia de covid-19. Ativo há alguns meses, a Fundação São João de Deus procura agora promovê-lo a nível nacional, mas em particular na região do Médio Tejo onde, a breve prazo, vai abrir um centro ocupacional de apoio à saúde mental em Ourém.

O mediotejo.net falou com uma das três psicólogas do “Escutatório”, Tânia Moleiro, questionando sobre os problemas que mais lhe têm chegado de pessoas que se encontram em isolamento devido à pandemia.

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“Tanto eu como as minhas colegas, de acordo com as experiência que temos tido no Escutatório, observamos que essencialmente surgem, face a esta pandemia, sintomatologias depressivas, de ansiedade, o stress e os medos, os medos do que pode acontecer, medo de como vai ser a vida daqui para a frente…”, comentou.

Foto: Fundação São João de Deus

“Há muitos sentimentos de solidão, de impotência face a esta situação e tristeza. Porque esta situação nunca aconteceu, as pessoas estão muito preocupadas com os seus trabalhos, famílias, com a sua saúde”, referiu.

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Afinal, explica, “foi uma situação muito brusca. As pessoas foram enviadas para casa, não tiveram voto na matéria. Isto é naturalmente um factor de risco. Está estudado que se o isolamento for voluntário, não trará tantos riscos para a saúde psicológica das pessoas. Mas quando imposto, digamos assim, há uma maior insatisfação e agravamento dessa sintomatologia”.

“Estar perante uma situação nova e desconhecida faz com que estejamos permanentemente em alerta, para que, caso necessário consigamos defendermo-nos adequadamente das ameaças que a situação estranha possa trazer. Daí ser natural a preocupação e o medo que possamos sentir, é adaptativo e útil para a nossa sobrevivência”, esclarece.

“Por outro lado, a imprevisibilidade que enfrentamos faz com que se levantem questões do género “E se …?” (fico doente; perco o emprego; a pandemia dura muito tempo; entre muitos outros.). Tal irá fazer aumentar a sensação de falta de controlo, o que faz adicionalmente gerar ainda mais ansiedade. Esta problemática está muito presente nas sessões realizadas”, adianta.

Assim, “nestas situações, é importante, tentar tirar o foco destes pensamentos de insegurança ou preocupação excessiva e centrarmos-nos no que realmente conseguimos controlar. Procurar estratégias que utilizámos no passado para enfrentar situações difíceis da vida, estar atentos aos nossos pensamentos e comportamentos e encontrar a sua regulação”.

“Em suma, acreditamos que esta situação pandémica está a promover a prevenção e sensibilização para se cuidar da saúde mental de forma semelhante ao cuidado a ter com a saúde física e prevenção”, concluiu.

O “Escutatório” disponibiliza assim, por telefone, sessões de 30 minutos para quem queira conversar. A equipa procura ter ainda um papel social e de alerta, podendo fazer a ligação com o apoio das juntas de freguesia e restantes parceiros sociais, nomeadamente no que toca a população idosa.

Até porque, explica também Tânia Moleiro, o isolamento e o sentimento de vulnerabilidade pode potenciar comportamentos de risco, tanto para si próprio – pensamento suicidas, abusos de substâncias, agravamento de dependências químicas – como para outros – violência doméstica, abuso de crianças, etc. “Daí a importância destes apoios”, frisa, por forma a ajudar a encontrar estratégias para lidar com os diferentes problemas.

Neste momento, quem tem mais recorrido a este serviço são pessoas já com alguma sintomatologia, em tratamento, que com a pandemia continuam a fazer por telefone a sua terapêutica. A média são pessoas acima dos 50 anos, sobretudo de Lisboa.

Além das sessões telefónicas, diariamente são também lançadas mensagens nas redes sociais com o objectivo de informar/alertar e cuidar à distância. São inseridas notas no Facebook, “Dica: Como manter a sua saúde mental em casa”, com base na informação disponibilizada pela Ordem dos Psicólogos, e o “Lembrete do Dia”, sempre alinhados com as informações veiculadas pela Direção-geral de Saúde.

O apoio psicológico é gratuito e tem abrangência nacional e os contactos disponíveis
são 924 101 462 / 961 962 828 / 967 072 421 (custos de ligação à rede MEO).

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