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Ourém | Elisabete Jacinto falou da superação de limites no lançamento do EPO Big Idea

Na sexta-feira, 26 de março, por videoconferência para mais de uma centena de visualizadores, Elisabete Jacinto abriu a segunda edição do concurso de ideias de negócio da Escola Profissional de Ourém, “EPO Big Idea”. A piloto de todo-o-terreno contou a sua história de vida e de como decidiu entrar no mundo da competição, primeiro de mota e depois de camião, focando o seu percurso de superação. O concurso está mais uma vez aberto a jovens da região até aos 23 anos.

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Elisabete Jacinto, 56 anos, venceu em 2019 o Africa Eco Race, depois de uma carreira com quase 30 anos nos desportos todo-o-terreno, nomeadamente no deserto do Dakar. Magra e bastante feminina, recordou aos alunos que por vezes foram sobretudo os preconceitos culturais de género que a limitaram. Chegou a ser ridicularizada na comunicação social. Mas a curiosidade tornou-se uma paixão, depois uma obsessão, até alcançar o pódio.

“Tive uma educação clássica, muito tradicional, com atividades muito femininas”, começou por recordar. Interessou-se por motas sem ter sequer a carta de condução e dos primeiros passeios até às competições foi um salto, não obstante a falta de força, as quedas e a falta de conhecimentos inclusive de mecânica. No percurso, admitiu, valeu-lhe a força dos amigos, que a incentivaram a tentar, que seria capaz.

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Na primeira prova que participou, de mota, desistiu aos 270 quilómetros. A competição tinha 300 quilómetros e nunca pensou que pudesse chegar tão longe. “Foi uma prova de superação enorme”, recordou com um enorme sorriso no rosto. “Temos muito mais poder do que aquele que achamos que somos capazes”, frisou, frase que marcaria o tom da sua restante carreira e da conversa.

“Era aquele desafio que se instalou de ver até onde poderia ir. Ver qual era o meu limite”, confessou. Primeiro de mota, completamente sozinha, depois de camião, a ter que trabalhar em equipa. “Ia para a oficina e fazia perguntas ao mecânico” para saber como resolver os problemas com a mota no meio da prova, recordou, fazendo notas numa cabula. No camião, teve que aprender a liderar, a ter consciência que os elementos masculinos tinham tantas inseguranças como ela e não podia descartar-se de certos problemas por ser mulher.

“Tinha sempre um sentimento de inferioridade”, admitiu, até que começou gradualmente a ter confiança e conhecimentos suficientes para se afirmar no meio.

Autodidata com uma enorme capacidade de resiliência e disciplina, Elisabete Jacinto trouxe aos alunos online uma história de superação, quer nas provas no meio do deserto quer a nível individual, por invadir um mundo masculino onde a sua presença nem sempre foi bem aceite e até ridicularizada. Ao ter que trabalhar na liderança de uma equipa, admitiu que lhe faltavam exemplos. “Em Portugal não tempos exemplos, as mulheres têm sempre um papel subalterno”, constatou.

A pandemia parou os seus projetos e admitiu que não sabe se, com a crise económica que se avizinha, terá condições de voltar à competição.

“Acho que o meu exemplo é suficiente para mostrar que basta acreditar e trabalhar muito” para se alcançar um sonho, defendeu. Os objetivos têm porém que ser claros e bem definidos, sublinhou. Salientaria ainda a importância de se apostar sempre num trabalho “de qualidade”. “Não pode ser de qualquer maneira”.

O EPO Big Idea é um concurso de ideias de negócio que está aberto a jovens até aos 23 anos da região em torno de Ourém. Premeia-se a ideia mais criativa e a ideia mais comercial. O regulamento encontra-se disponível na página da INSIGNARE – Associação de Ensino e Formação, que gere a EPO.

Os vencedores serão anunciados em junho, devendo as várias etapas ocorrer num registo online, estando um evento presencial dependente da evolução da crise sanitária.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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