Ourém | Deputados manifestam solidariedade com “boa-fé” de Nazareno do Carmo

A assembleia municipal de Ourém de sexta-feira, 24 de fevereiro, ficou marcada por um solidarização quase geral com a situação do vereador Nazareno do Carmo, condenado a perda de mandato por recebimento indevido de vantagem. Enquanto vereador com o pelouro de Fátima, em 2011, pediu patrocínios para o Centro Desportivo de Fátima, pertencendo aos seus órgãos sociais. O presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, considerou a sentença lida na quinta-feira, 23 de fevereiro, como uma “profunda injustiça”.

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A situação gerou curiosidade mediática, com mais órgãos de comunicação social presentes na assembleia municipal de Ourém que o que é tradicional. O primeiro autarca a defender Nazareno do Carmo foi o próprio Paulo Fonseca. “Aquilo que lhe está a acontecer é uma profunda injustiça”, afirmou o presidente, descrevendo Nazareno do Carmo como “uma pessoa íntegra, honesta, solidamente formada e que merece todo o respeito, amizade e gratidão”.

Paulo Fonseca reconheceu que a forma como o seu atual vice-presidente pediu verbas “não é aceitável, porque envolve de alguma forma o município, para uma instituição credível do nosso concelho”, o Centro Desportivo de Fátima, que “movimenta mais de 300 miúdos todos os dias e que viveu momentos dramáticos de dificuldades financeiras na sequência de gestões um pouco complicadas”.

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“Com essa preocupação de amor ao clube que ajudou durante muitos anos, pediu à sociedade que ajudasse o clube”, explicou Paulo Fonseca, garantindo que “não houve um cêntimo que o vereador Nazareno do Carmo tenha acolhido dessa campanha e não houve um cêntimo que o próprio clube tenha acolhido dessa campanha porque, a partir do momento em que foi detetada esta distração, mandou-se parar tudo”.

“Quem faz isto é um homem de bem. Não é um homem mal formado ou sequer que suscite dúvidas a propósito da sua honorabilidade”, frisou. “O vereador Nazareno do Carmo merece a minha expressão pública de reconhecimento, amizade e gratidão (…) não haverá perdas algumas de mandato aqui. Nem dele nem de mais ninguém. Já houve uma em 1994, curiosamente a propósito da vida de um papa até nós. Mas isso não voltará a acontecer porque acredito que ainda há justiça em Portugal”, terminou.

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As palavras de Paulo Fonseca foram corroboradas pela presidente da mesa da assembleia, Deolinda Simões, comentando que “o que ele fez, fruto talvez de alguma ingenuidade” foi em prol da comunidade. Esta intervenção mereceu críticas da bancada do PSD, alegando-se parcialidade no caso, mas Deolinda Simões não retirou o apoio ao autarca.

A mesma solidariedade foi manifestada pelo deputado Júlio Henriques (MOVE), referindo que “há coisas que não conseguimos entender”. Vários presidentes de junta manifestaram também o seu apoio, com o presidente de Rio de Couros e Casal dos Bernardos, Manuel Lourenço Dias, a admitir que poderia, no ímpeto também de ajudar as associações, ver-se a fazer algo semelhante.

O deputado da CDU, Sérgio Ribeiro, comentou que tomara conhecimento do caso naquela assembleia, referindo-se “solidário” e acreditando na “boa-fé” do autarca, mas frisando que se têm que respeitar as normas e os cargos que se desempenham. Já António Gameiro, líder da bancada do PS, falou em nome de todos os deputados, frisando também o seu apoio.

Da parte do PSD houve apenas uma intervenção a apoiar Nazareno do Carmo, da parte de Humberto Antunes, que íntegra atualmente o Centro Desportivo de Fátima. Frisou porém que falava a título pessoal. Nuno Prazeres, do CDS, também lançaria uma palavra solidária ao autarca.

A sentença de Nazareno do Carmo pode ser consultada online, no site do Ministério Público. Publicado a 24 de fevereiro refere que “por sentença de 23/02/2017, o Juízo local criminal de Ourém condenou o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém pela prática de um crime de recebimento indevido de vantagem, na forma agravada. O arguido foi condenado na pena de 1 ano e 8 meses de prisão, suspensa na sua execução por igual período com a condição de entregar ao Centro de Recuperação Infantil Ouriense da quantia de 2.500 euros durante o período de suspensão. Foi igualmente condenado na pena acessória de perda de mandato”.

Contia explicando que “os factos remontam a 2011. O arguido, para além de vereador da autarquia, pertencia ainda aos corpos sociais de uma associação desportiva. Foi, designadamente, dado como provado que, mencionando a qualidade de vereador, solicitou a diversos empresários apoio financeiro para a referida associação desportiva.A investigação foi dirigida pelo Ministério Público (DIAP de Coimbra), com a coadjuvação da Polícia Judiciária de Leiria”.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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