Domingo, Fevereiro 28, 2021
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Ourém | Casal de idosos vê-se sem qualquer apoio após família entrar em isolamento profilático

Uma casal de idosos residente no concelho de Ourém, dependentes da família para alimentação e medicação, ficou sem qualquer tipo de apoio após, numa sexta-feira à tarde, terem sido todos diagnosticados com Covid-19 e entrado em isolamento profilático. Não houve resposta útil quer do município de Ourém quer das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) para fazer face ao apoio domiciliário necessário para o fim de semana. Acabou por ser uma assistente social, de livre iniciativa, a ir ajudar os idosos.

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A assistente social em causa é Estela Ribeiro, vereadora pelo PS na Câmara de Ourém, que na reunião camarária de 1 de fevereiro, segunda-feira, contou a história. A sessão iniciara com um ponto de situação da pandemia no concelho realizado pela Proteção Civil Municipal e a vereadora aproveitou para questionar sobre estas falhas na resposta a pessoas vulneráveis que precisam de terceiros para comer, medicar-se ou, simplesmente, acender uma lareira. Questionou assim por linhas de apoio mais diretas para estas situações.

O coordenador da Proteção Civil, Miguel Freire, referiu que a instituição procura sempre encaminhar estes casos, mas admitiu que desconhecia a situação mencionada. Já o presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, referiu que já existem linhas de apoio para questões desta natureza.

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Em declarações ao mediotejo.net, Estela Ribeiro explicou que tomou conhecimento da situação do casal numa sexta-feira às 18h30, quando a família ligou à IPSS onde trabalha a pedir apoio domiciliário para o fim de semana. “Não tive coragem de dizer que não”, admitiu.

A filha e a neta do casal tinham acusado positivo à SARS CoV-2 e entraram em isolamento profilático. Naquela tarde tinham ligado para a Proteção Civil Municipal, que os encaminhou para a Ação Social da Câmara de Ourém e daqui deram-lhes números de IPSS do concelho. A família estava a ligar para as várias instituições, mas sem sucesso. O casal, uma senhora de bengala com 81 anos e um senhor de cadeira de rodas com 83 anos, arriscavam passar o fim de semana sem qualquer assistência.

“Era preciso apoio para acender uma lareira, fazer medicação”, explica Estela Ribeiro, mas as IPSS estão, de uma forma geral, assoberbadas e sem capacidade de dar mais resposta. “Quando chegou à minha instituição, também não havia forma de prestar apoio para o fim de semana”, admite.

Estela Ribeiro decidiu assumir o caso pessoalmente. Nos últimos fins de semana tem ido a casa do idosos, que residem na freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, levando o apoio domiciliário. Usa o seu carro e ajuda os idosos com a medicação e a aquecerem-se. A comida é fornecida pela instituição, que durante a semana já assegura o apoio domiciliário

“A família estava indignada”, refere Estela Ribeiro, pela falta de respostas. O casal não chegou a ser testado à Covid-19, mas tendo a família dado positivo era previsível que também estivesse, refere a autarca. “Fui com todos os cuidados”, frisa.

“Aquele casal não tem o conhecimento necessário para saber como acorrer às linhas de apoio do município”, constata. A sua intervenção na reunião municipal pretendeu alertar para a necessidade de se apostar numa comunicação mais eficaz com estes setores mais vulneráveis da sociedade.

“Tem que haver da parte da Câmara Municipal mais ação para divulgar estes serviços”, alertou. O caso tem cerca de duas semanas.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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4 COMENTÁRIOS

  1. Aqui já não se faz a apologia da propaganda, chuta-se simplesmente para canto e a ser verdade repito a ser verdade a resposta do presidente da câmara revela o seu verdadeiro desígnio pessoal porque político é igual a todos os seu pares e nessa conformidade nada a acrescentar é o que temos neste país por enquanto

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