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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Ourém | AMO recupera memória (quase) perdida dos autarcas eleitos no concelho desde 1976

A Assembleia Municipal de Ourém (AMO) organizou e publicou em livro uma recolha dos nomes dos autarcas eleitos desde 1976 para a Câmara Municipal e Assembleia Municipal, incluindo os presidentes de junta e presidentes de assembleia de freguesia. Uma tarefa hercúlea e incompleta, uma vez que muita da informação sobre os primeiros anos da democracia está quase perdida e é desconhecida inclusive dos serviços municipais, adiantou o presidente da AMO, João Moura. 

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“Democracia Local – 1976/2021” é um trabalho apresentado sob o cunho de João Moura, presidente que levou a cabo uma pequena “revolução” na assembleia municipal de Ourém desde que foi eleito em 2017, com todo um conjunto de iniciativas. Neste caso, reuniu-se em livro os nomes e fotografias dos eleitos locais desde as primeiras eleições autárquicas de 1976, ocorridas a 12 de dezembro desse ano, num registo que apenas não inclui os vogais das assembleias de freguesia. 

livro “Democracia Local” faz um compêndio dos autarcas eleitos desde 1976 Foto: mediotejo.net

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A ideia, conforme admitiu João Moura na apresentação na terça-feira, dia 28 de setembro, partiu de um antigo autarca, Silvino Oliveira (membro da AMO entre 1977 e 1990), que sugeriu recuperar os nomes dos homens e mulheres que “desde a primeira hora” ousaram contribuir para a causa pública. “O que está na vossa frente pode parecer simplista, banal, mas foi complexo”, explicou Moura, uma vez que muitos dos registos incluídos na obra estão “perdidos ou não estão acessíveis”, nomeadamente na Torre do Tombo, sendo difícil o acesso inclusive para os serviços municipais.

“Isto vai-se perdendo no tempo”, constatou, referindo que os nomes dos presidente de Câmara ou de Junta de Freguesia ainda podem ser recordados, mas todos os outros vão sendo esquecidos. “Há crianças que não sabem que o avô foi autarca”, referiu, assim como muitas famílias. “Uma das partes deliciosas deste livro foi ver a emoção dos familiares” ao saberem da participação de um dos seus elementos na esfera política. 

Assim, o livro regista para memória futura todos os que fizeram parte da vida democrática desde 1976. A partir de agora, adiantou o presidente – que tudo aponta seja novamente indicado aquando a tomada de posse, dada a vitória do PSD-CDS na AMO – os nomes dos eleitos locais serão publicados em livro após cada eleição. “Abre-se aqui o caminho”, frisou, para que esta memória local não mais seja esquecida. 

Livro torna-se mais um dos projetos concretizados por João Moura, presidente da AMO que trouxe uma nova dinâmica ao órgão Foto: mediotejo.net

A sessão de apresentação contou com a presença do presidente da Associação Nacional de Assembleias Municipais, Albino Almeida, que aconselhou a todos os presentes a lerem a obra, um documento histórico que narra episódios que foram desconhecidos para muita gente da época. Considerou inclusive que o trabalho é um bom ponto de partida para ensinar história nas escolas, comentando que muitos jovens chegam hoje às universidades sem saber fazer um requerimento ao presidente da junta.

Afirmando que o primeiro lugar de participação é a assembleia de freguesia, Albino Almeida referiu que as Assembleias Municipais devem ser encaradas da mesma forma que tem sido encarada a AMO nos últimos anos. “Porque ela corporiza o máximo do poder local”, afirmou, recordando o lema “o poder do povo, pelo povo e para o povo”.

Já o presidente da Câmara, Luís Albuquerque, declarou que “estamos perante uma obra que marca a história do nosso concelho”, saudando assim a iniciativa. 

A assistir à sensação esteve Maria de Lurdes Perdigão, uma das primeiras autarcas mulheres e que ocupou o cargo de segunda secretária da mesa da assembleia municipal entre 1978 e 1979. Na época, recordou ao mediotejo.net, o PPD/PSD foi convidá-la para ser candidata a presidente de Câmara, mas a antiga professora primária e delegada escolar não se sentiu à altura de tamanho desafio. Aceitou porém incorporar as listas à assembleia municipal, primeiro pelo PPD/PSD e no mandato seguinte pelo PS. 

Maria Lurdes Perdigão foi convidada pelo PSD para presidente de Câmara em 1976, mas recusou, preferindo integrar a Assembleia Municipal Foto: mediotejo.net

“Eu tinha o espírito de fazer alguma coisa, mas alguma coisa que soubesse”, recorda, “não tinha filiação partidária, tinha vontade de ajudar”, razão pela qual trocou de partido, afirmando que se manteve sempre como independente. “Nessa altura senti que a minha opinião era importante” e era respeitada pelos restantes colegas, recordou, “considerei-me sempre uma pessoa séria e honesta e amiga de todos”.

Também em 1978, a meio do primeiro mandato, Silvino Oliveira, membro do PS, tornou-se primeiro secretário da mesa da AMO, no âmbito de uma reconfiguração interna que ocorreu na época. Naquele tempo, recordou, “as reuniões eram muitíssimo animadas” e “havia sempre uma terceira parte”. Essa terceira parte ocorria já fora da sessão de assembleia, em que os deputados se juntavam à conversa durante horas e “acabávamos por concluir que tínhamos todos mais ou menos a mesma opinião”. Durante a sessão, porém, as orientações de voto eram outras.

“Foi um período muito difícil, muito mais difícil do que agora”, recordou aos jornalistas, afirmando que considera que hoje existe “medo” junto da população. “As pessoas têm medo, não sei do que as pessoas têm medo”, refletiu, “em 1976 sim, as pessoas tinham razões para ter medo”, lembrando uma reunião em que acabou por ter que fugir por uma janela.

Silvino Oliveira não entra numa assembleia municipal desde 1986 e admite que desconhece como se processa hoje a luta política. Sobre o livro, adiantou que “a minha ideia não era bem esta”, tendo sugerido antes um trabalho “sobre a primeira assembleia municipal”. Gostaria também que se tivesse convidado para a apresentação da obra os poucos autarcas daquela época que ainda estão vivos.

“Penso que se devia ter dado mais realce à primeira assembleia municipal”, salientou, “tenho pena que não tenham sido convidados os que estão vivos e recordado os que já morreram”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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