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“Ou é agora…. ou já era”, por Helena Pinto

Cada dia que passa torna mais preocupante a situação que vivemos. Os números continuam a subir – contágios, internamentos, internamentos em cuidados intensivos, mortes. Na área do Médio Tejo (tenho dificuldade em chamar “região” ao que, de facto, não é, mas isto é assunto para outra crónica) os números divulgados (e o mediotejo.net tem feito um bom trabalho informativo) indiciam que estamos numa situação muito, mas muito complicada. Por isso a minha primeira preocupação tem a ver com o Serviço Nacional de Saúde e com o Centro Hospitalar do Médio Tejo e a sua capacidade de resistir à pressão a que está sujeito, não esquecendo como é óbvio o tratamento dos doentes não-COVID. Toda a solidariedade com os profissionais de saúde, todo o apoio na divulgação das medidas preventivas, mas compete ao Governo garantir as condições e os recursos para o funcionamento do SNS, sendo muito reduzido o papel das autarquias locais.

A minha segunda preocupação vai para o apoio às famílias, aos desempregados/as, aos trabalhadores/as em lay-off, todos aqueles e aquelas que, por diversos motivos, estão com os rendimentos reduzidos e não conseguem fazer face às despesas. Aqui, as autarquias têm um papel. É aqui que se pode dar significado à palavra “proximidade”. Verifico, com satisfação, que cada vez mais autarquias criam fundos de emergência social, uma necessidade indiscutível nos tempos que correm.

A minha terceira preocupação vai para o comércio local ou tradicional e para a restauração. Estes sectores não conseguirão resistir a esta crise se não tiveram apoios imediatos. Bem sabemos e bem conhecemos as dificuldades que já sentiam independentemente da pandemia, a que não é alheia a multiplicação de grandes superfícies comerciais. Mas, pensemos, mesmo que seja por instantes, o que seriam as nossas cidades e mesmo as aldeias sem lojas, sem restaurantes, sem cafés…

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Este sector, constituído na sua grande maioria por micro-empresas, cria emprego e garante “vida” nas cidades, facilita a convivência social, dá segurança e é uma mais-valia, entre outras coisas, para a promoção do Turismo, coisa de que tanto se fala. Ignorar isto trará uma factura demasiado alto no próximo futuro. Os apoios nacionais e locais ou surgem agora ou poderá ser tarde demais.

E ainda tenho uma quarta preocupação: os orçamentos que as Câmaras Municipais têm que aprovar até ao final deste mês.

Ou reflectem a situação única que estamos a viver e são direccionados para as pessoas e para a economia ou vão falhar redondamente. Têm que ter opções claras e apoiar quem precisa. Se a opção for, por exemplo, como em Torres Novas, onde não existem apoios ao comércio local mas isentou-se de taxas no valor de 94 mil euros (!) uma grande superfície, colocam-se do lado do problema e não da solução e isso será, mais tarde ou mais cedo, simplesmente imperdoável.

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Helena Pinto
Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas. Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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