“Os rankings da nossa vergonha”, por Hugo Costa

Foto: DR

Todos os anos, por altura do término do ano letivo escolar, voltam à esfera pública através, dos jornais e revistas, os rankings escolares. A minha tomada de posição sobre esta temática é pública e já foi por mim assumida há alguns anos: o ranking das escolas não tem qualquer sentido. Quando era dirigente da juventude socialista chamei mesmo a estupidez de um ranking.  Considero mesmo que são um absurdo. A minha posição prende-se com factos.

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Cada caso é um caso e há que ter em conta que nem todos se encontram no mesmo ponto de partida. Neste sentido, os rankings publicados não têm em conta estes pontos de partida diferentes, sendo por isso, muitas vezes, apenas um instrumento contra a escola pública. Por este motivo, os rankings são uma vergonha a todos nos devem envergonhar.

Sublinho os recentes artigos de opinião – muito esclarecedores e pragmáticos – de João Costa, Secretário de Estado Adjunto e da Educação, publicados no site da Rádio Renascença e Jornal Público, onde aborda esta questão dos rankings escolares, salientando que estas listas não honram o trabalho feito nas escolas.

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A certa altura refere – e cito – que “a escola boa é a que tem poder transformador, por receber todos e levar todos por um caminho de desenvolvimento pessoal e humano, em que o conhecimento, a arte, a cultura, a cidadania e o bem-estar são o instrumento para um sucesso pleno”. A escola é de todos e para todos, não deve seleccionar alunos à entrada. Casos de sucesso, de inclusão e diminuição de assimetrias, provavelmente não integram uma lista mas são esses que merecem os nossos aplausos.

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Num ano atípico, em que a escola teve que se readaptar rapidamente, por questões de saúde, devido à pandemia da covid-19, tornar público estes rankings torna-se, por isso, ainda mais absurdo. A lista publicada é assente apenas nos resultados dos exames nacionais o que, por sim, é um elemento redutor. E onde fica tudo o resto? Por exemplo, o trabalho feito junto do aluno com um contexto mais problemático que tem que ser enquadrado, acompanhado e inserido socialmente, com a agravante de este ano ter que efectuar o seu estudo académico a partir de casa? Geralmente, este trabalho é invisível. Mas é feito e bem feito.

Enquanto Deputado, tenho tido oportunidade de visitar, ao longo do ano, inúmeras escolas do nosso distrito  e todas elas merecem a minha admiração pelo trabalho que desenvolvem, formando jovens que são cidadãos participativos e esclarecidos, combatendo assimetrias e desigualdades territoriais sociais. Este é um trabalho real, não medido através de uma folha de excel nem por uma lista que apenas reflecte números. Os alunos não são números.

Para mim o melhor ranking ainda é a diferença que, todos os dias, professores e funcionários  fazem na vida de cada aluno.

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1 COMENTÁRIO

  1. Concordo em absoluto com a estupidez dos rankings desde que começaram. Comecei a leccionar no ano lectivo de 1977/1980. Conheci bastantes realidades completamente diferentes. O ponto de partida é demasiado desigual para poder ser comparado na ‘linha de meta’. O que resulta daqui é que os meninos dos colégios XPTO ‘roubam’ vagas no ensino superior público aqueles que nem um computador têm em casa para poderem ‘competir’. E isto é apenas um exemplo que tenho a certeza que acontece! Por isso muitos ficam pelo caminho porque não têm dinheiro para pagar propinas duma Universidade ou Instituto Politécnico ou Artístico privados. E é este o país que temos volvidos umas boas dezenas de anos! Que vergonha, senhores decisores!!!

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