- Publicidade -
Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
- Publicidade -

“Os putos”, por Fernando Duarte

Há alguns meses atrás li, numa entrevista a um escritor espanhol, que este acreditava que “a nossa sociedade já viveu dias melhores”, mas que já estava velho demais para estar preocupado com isso.

- Publicidade -

Não creio ter idade suficiente para aferir se concordo ou não com a parte da nossa sociedade estar melhor ou pior mas creio ter o discernimento suficiente para acreditar que nos devemos sempre preocupar com o estado da sociedade, pelo menos com a realidade que nos é mais próxima.

Embora esta afirmação possa à primeira vista parecer controversa e originária de uma mente excêntrica e egoísta, tal afirmação poderia ser proveniente de uma qualquer pessoa de uma cultura diferente. Certa vez perguntei a um nativo de um país onde os combustíveis eram ridiculamente baratos se não era preferível aumentar os combustíveis para se gastar menos e guardar algumas reservas para as gerações vindouras. A resposta foi um “na altura deles, eles desenrascam-se”.

- Publicidade -

Acho que é imediato que a maior parte de nós não pensa assim, os valores e educação que nos foram ensinados não nos deixam afirmar que não nos preocupamos com a gerações vindouras, ou seja, um dos princípios que nos são mais intrínsecos é o de que consigamos deixar o mundo melhor do que ao conhecemos.

Apesar de tal educação e de tais princípios, observando o que se passa na prática, pergunto-me se estes não serão uma mera hipocrisia da nossa cultura, pois no estado que se encontra certo património do país e certas noticias que têm vindo a público não seria mais fácil admitirmos (todos) que também estamos é mais preocupados em torrar o que ainda há e que as gerações vindouras se desenrasquem quando for a altura deles?

Seja como for, a maior parte de nós, tem pelo menos um pequeno com quem nos preocupamos, seja filho, neto, primo ou afilhado. Há sempre um pequeno que nos faz ter consciência de que nem toda agente tem a culpa dos males deste mundo e que, nem que seja por eles, vale a pena lutar para que o mundo se torne um mundo melhor.

Neste Natal, tal como todo os outros, os putos não vão trocar as emoções por tostões e faz todo o sentido que nos deixemos contagiar por esse espírito, deixarmos as nossas lutas de lado e mostrarmos-lhes que a vida não tem de ser uma chatice pegada, afinal de contas até o mais valente dos guerreiros descansa.

Para terminar, gostava de deixar os meus votos de umas ótimas festas a todos, uma excelente consoada, que o melhor de 2017 seja o pior de 2018 e que nesta época festiva para além de serem solidários com os demais sejam também solidários com os vossos.

Engenheiro Civil, de 32 anos, teve como tantos outros, de sair do país para conseguir exercer a sua profissão. Com raízes em Alvega, tem enorme gosto em conhecer novos sítios e novas culturas, custa-lhe é lá permanecer.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome