Quinta-feira, Março 4, 2021
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“Os provérbios que nos ajudam a pensar”, por Hália Santos

“Quem boa cama fizer, nela se há de deitar.” Hoje ando com este provérbio na cabeça. Fez parte da minha infância, porque me foi dito até à exaustão. Que é como quem diz: a tua vida será o resultado das opções que fizeres. Quando era miúda não achava muita graça ter que ouvir este provérbio vezes sem conta, mas agora percebo bem a razão pela qual os meus pais o repetiam…

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É engraçado pensares assim. Essa ideia de educar através de provérbios tem mesmo a sua graça. Transmite-se cultura popular e obriga-se a pensar no significado das coisas para além do óbvio.

Quando se educava mais pelo exemplo do que pelas palavras, as poucas palavras que se usavam tinham que ser fortes. Um provérbio é algo forte. Por alguma razão se generalizou e por alguma razão as pessoas os usam para justificar uma ação, para confirmar uma ideia ou para lançar um aviso. É como usar a força do coletivo para solidificar o individual.

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No fundo, somos o conjunto daquilo que ouvimos e daquilo que vimos. Mesmo a forma como fazemos opções é o resultado do contacto que vamos tendo com diferentes pessoas e situações. O nosso ‘eu’ tem muito de individual, mas também tem muito de coletivo. Seríamos sempre pessoas diferentes se tivéssemos crescido num ambiente diferente.

De repente lembrei-me de pessoas que foram adotadas e que parecem réplicas dos pais, até na forma como falam, na forma como andam, na forma como riem. É mesmo fantástica esta capacidade de nos transformarmos em função do que nos rodeia, daquilo que nos envolve. Há pouco tempo o Lobo Antunes disse que somos o resultado daquilo que arquivamos. É mesmo isso. Não só daquilo que lemos, mas de tudo aquilo que vivemos.

É verdade…

Antes passava muito tempo a pensar o que teria sido de mim se tivesse feito isto ou se não tivesse feito aquilo. Teria conhecido outras pessoas e o meu caminho teria sido outro. Teria arquivado coisas diferentes. Às vezes penso o que restaria de mim, da minha essência, caso a minha vida tivesse sido uma coisa diferente.

Mas não és tu que dizes que não te arrependes de nada do que fizeste?

Sim, eu digo isso com toda a convicção. A minha vida é mesmo o resultado daquilo que fiz até aqui chegar. E quando se sente que boa parte da nossa vida já passou, só apetece dizer mais um provérbio, em jeito de balanço de fim de ano: “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje!”.

 

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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