“Os médicos que são Deuses na Terra”, por Hália Santos

Desde muito miúda que ouvia, lá em casa, falar de um Dr. Gentil Martins. De vez em quando, a propósito de uma certa conversa, vinha o nome dele. Percebia a veneração com que se falava nele. Na minha família, os médicos e os professores sempre foram considerados profissões quase sagradas. Quando era miúda, não percebia bem porquê.

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Até é fácil de perceber… Pensa lá! Não serão a saúde e a educação as melhores coisas que podemos ter?

Sim, nessa perspetiva, é verdade. Lembro-me bem de me incutirem um imenso respeito pelos professores que nos ensinavam e um imenso sentido de gratidão pelos médicos que nos tratavam. Mas volto a dizer: fazia-me confusão. Parecia-me excessivo, porque achava que um bom profissional teria que exercer as suas funções com brio, dedicação e sentido de responsabilidade, independentemente do sentido de gratidão que os outros pudessem ter por eles. Parecia-me que os meus pais colocavam os médicos e os professores em pedestais…

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Mais uma vez te digo: pode parecer um exagero, mas há, de facto, profissões que têm efeitos mais diretos nas nossas vidas do que outras. Que deixam mais marcas.

Nisso tens razão. Porque a conversa do Dr. Gentil Martins não me veio à memória por acaso. Reapareceu nos meus pensamentos porque teve um papel determinante para a minha família. Anos mais tarde, já adulta, percebi o privilégio que foi termos tido a sorte de ele ter passado, mesmo que momentaneamente, pelas nossas vidas. Hoje lembrei-me dele quando vi e ouvi tudo o que se disse sobre o Dr. João Lobo Antunes.

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Ora aí estão dois homens que de facto deixam marcas na vida das pessoas.

É por causa de homens como estes dois que eu costumo dizer que, não tendo fé nem acreditando na existência de seres sublimes que não vemos, estes são os meus Deuses na Terra. Desde que penso sobre estas coisas que me curvo perante os médicos e as médicas que fazem verdadeiros milagres. E agora percebo um pouco melhor por que os meus pais os punham em pedestais.

O problema é que, tal como não podemos generalizar o mal, também não podemos generalizar o bem.

Pois não. Sei bem que nem todos os médicos e nem todos os professores merecem pedestais! Mas a verdade é que tanto temos medo de denunciar o que está mal como raramente nos ocorre a ideia de elogiar o que está bem. O «ser português» ainda tem muito a ver com este tipo de comportamentos. Ainda há muito pouco tempo perguntei a uma enfermeira o nome dela.

Porquê? Não me digas que vais fazer queixa dela?…

Até podia ser… Mas não! Vou elogiá-la. Disse-lhe no momento e vou escrever à administração do Hospital. Foi de um profissionalismo, de uma atenção e de uma preocupação a que, infelizmente, já não estamos habituados. Assim como vou fazer o mesmo em relação a um determinado médico.

Fazes bem em elogiar, mas achas que vale de alguma coisa?

Tenho a esperança de que uma administração hospitalar que receba elogios aos seus profissionais saiba, na hora certa, diferenciar uns dos outros.

Já agora? Correu tudo bem nessa tua experiência recente com os profissionais da saúde?

Por acaso, não… Vinha com ideias de denunciar outras situações, mas o tempo que entretanto passou fez-me perceber que não foi tão grave assim. E lembrei-me de um artigo que li há pouco tempo, que dizia que muitas vezes as reações das pessoas têm explicações mais profundas. Prefiro acreditar que os maus profissionais estão simplesmente a ter dias maus.

Tu é que estás claramente num dia bom!!!

Talvez esteja inspirada pelos meus Deuses na Terra…

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