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Domingo, Julho 25, 2021

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Trincanela

“Os Makavenkos”, por Armando Fernandes

No dia 21 do mês em curso vou participar numa visita guiada subordinada aos Makavenkos, sociedade de apreciadores dos prazeres da vida, amigos de alguns dos Vencidos da Vida, fundada no ano de 1884.

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O grande impulsionador desta coligação restrita foi o grande industrial, comerciante, benemérito, maçom e amigo das artes e das letras Francisco Grandella, ribatejano de Aveiras de Cima, criador de uma colónia de veraneio na praia do «abano» caldense ou seja na Foz do Arelho, além de escolas, creches, lactários e…os famosos Armazéns com o seu nome.

O próspero filantropo gostava de mulheres, cousa sempre de salientar, de preferência bonitas, pode ser de vida airada ou comandadas por experiente abelha-mestra, destra nos negócios de alcova.

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O financeiro e compinchas, além de às representantes do belo sexo, assim se dizia na altura e muitos continuam a dizer e bem, concederem nutrida afeição e agregado afectos às artes culinárias elevando-as ao grau de refinada gastronomia.

Não desdenhavam as pitanças rústicas servidas nas tabernas e tascas dos arrabaldes, no entanto, preferiam conceber ágapes nas suas instalações situadas na cave do conhecido cinema Condes, praticando minuciosamente de umas coisas e outras.

Obviamente as façanhas destes estetas e praticantes do bom viver debaixo de todos os pretextos suscitavam reprováveis comentários misturados com repimpados elogios, sem esquecer rancores e invejas provindas dos desejosos de pertencerem e não lograrem acolhimento apesar de possuírem créditos, só que os Makavenkos não lhe concediam crédito. Apesar dos empenhos tinham de se contentar a retouçarem na casaca dos eleitos.

O gourmet Grandella nunca foi um sibarita esquisito, antes pelo contrário, as receitas vertidas no livro intitulado Os Makavenkos revelam preparados culinários da cozinha popular de cariz rural e urbano, preparados da cozinha burguesa (a maioria), da cozinha internacional, ainda de índole de autor.

Os Makavenkos influenciavam outros grupos amigos das boas comidas e bebidas, falavam utilizando palavras rituais e de duplo sentido, envergavam roupas quase a ditarem um estilo, as suas usanças foram comentadas no Parlamento ou não fossem alguns dos seus membros notórios políticos à época.

No seu compromisso de honra estavam proibidas as discussões impregnadas de política e religiões, o dito compromisso raramente foi acatado, nas instalações dos Makavenkos muito se conspirou a favor da emergente República, ou não fossem muitos dos membros da «misteriosa» sociedade aguerridos militantes republicanos, caso de Machado dos Santos, Miguel Bombarda, Simões Cordeiro, entre outros.

Para o almoço a ocorrer no dia da visita seleccionei como entrada bifes de cabeça chata e salada, sopa de coelho, borreguinho em ensopado, lambiscos de vária ordem, vinhos a preceito. No respeitante a digestivo será conforme o desejo de cada participante.

Os interessados em saberem mais sobre o Senhor Grandella e os Makavenkos devem consultar a Biblioteca do Museu da República.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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