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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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“Os filhos do Cristiano Ronaldo”, por Marta Gameiro Branco

O melhor futebolista do Mundo é daquele tipo de personalidades cuja vida pessoal é quase tão mediática como a vida profissional.

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Quem lê as minhas crónicas já se deve ter apercebido de que eu sou aquele tipo de mãe mete nojo, que adora todas as pequenas particularidades da maternidade e não, não me revejo nesta tendência tão na moda hoje em dia, de bloggers e afins que falam de como tudo é horrível, que se sentem sós e abandonadas, que ninguém as avisou, que é avassalador, que, que, que… Embora eu consiga compreender este sentimento de “overwhelming”, muitas vezes só me apetece dizer “Mas do que raio estavam vocês à espera?”.

O que concluo sim é que a minha geração, ao contrário de outras, foi criada no individualismo, no receber mais do que batalhar, na linha da lei do menor esforço e a maternidade é só dar, dar, dar… com poucas certezas de que vamos receber algo em troca um dia mais tarde. Se mães arrependidas sempre existiram, o que é certo é que antigamente as mulheres pouca escolha tinham e hoje já não é assim.

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Hoje a mulher pode alcançar praticamente tudo profissionalmente  e, no entanto, continua-lhe a ser cobrado a famosa letra de José Malhoa “cama, mesa e roupa lavada”. A nova geração masculina anda perdida, sem saber muito bem como se enquadrar. Se há pais que participam activamente na nova dinâmica familiar, outros há que gostam de uma mulher moderna mas que, de preferência, seja a reencarnação da mãe… pufff!

Por tudo isto não me admira que haja mães arrependidas. Não me admira que haja tantas depressões pós-parto. Isto é difícil! Mas também não precisa de ser assim tanto!

Não me interpretem mal. Percebo perfeitamente a mulher que precisa dos seus time out. Ás vezes são precisos esses momentos para voltar e ser a mãe que se quer ser. Mas aflige-me a quantidade de crianças que vejo a serem “criadas” pelos avós.

“Ah e tal tu estás para aí a falar e deves julgar que és a mãe perfeita” dizem vocês.

Não, não sou, de todo. Nem sempre tenho paciência para brincar com eles, grito mais vezes do que gostaria, os meus filhos são sempre os últimos a sair da escola, os bolos para as festinhas são comprados no supermercado e o meu Pai Natal deste ano nem mereceu uma fotografia para a posteridade (apesar de certamente o meu filho achar que ficou espectacular… ‘tadinho). No entanto acredito bastante na parentalidade consciente e que bater não é, nem sequer a palmada pedagógica, um bom instrumento de educação.

E o que é que o Ronaldo tem a ver com isto?

Confesso que me faz imensa confusão o modo como ele arranjou os 3 filhos mais velhos e precisei de racionalizar bastante para sentir alguma empatia. Não consegui deixar de me sentir feliz quando li que a pequena Alana Martina teve o que aos irmãos foi negado no início de vida. Mas não será tudo o resto muito mais importante?

Não será a relação de confiança que construiremos com eles que vai ditar o futuro dos nossos filhos?

Acredito que sim. Por isso também fiquei agradada com a aprovação da lei das barrigas de substituição. Deve ser uma felicidade poder dar a alguém a oportunidade de ter um filho biológico quando já não havia esperança. Eu fá-lo-ia… por uma irmã ou até pela minha filha.

Daqui a 30 anos cá estaremos para avaliar as consequências dos nossos actos, tendo sempre a consciência de que não criamos filhos para nós mas para o Mundo e que a melhor Mãe é aquela que ensina as suas crias a não precisarem dela, apesar de estar sempre lá para dar o colo.

Médica dentista especializada em endodontia, 31 anos. Mãe, para os bons e os maus momentos. Gosta de questionar, gosta de perceber, ainda que a questão seja óbvia. Porque o mundo é um livro aberto onde há sempre a possibilidade para mais uma leitura.
(E lavem os dentes todos os dias!)

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