Domingo, Fevereiro 28, 2021
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“Os disparates da vacinação fazem demasiadas vítimas inocentes”, por Duarte Marques

Temos assistindo a uma verdadeira epopeia de histórias e historietas de pessoas vacinadas indevidamente, crucificando, injuriando e criticando tudo e todos como se tratasse tudo da mesma coisa e a responsabilidade fosse apenas de quem estava no sítio certo à hora errada para apanhar uma sobra. Nem todos os casos são iguais, mas já lá vamos.

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Em primeiro há uma clara falta de planeamento que não assegurou à partida uma lista de potenciais suplentes que fizessem parte das prioridades e pudessem ser vacinados num curto espaço de tempo. Por exemplo, os bombeiros. Em alguns locais os responsáveis tiveram, à revelia das regras porque elas nem existiam, o bom senso de chamar os bombeiros que estavam à porta dos lares ou no quartel mais próximo. Disparate foi vir a público o Presidente da Liga de Bombeiros criticar este procedimento e assim de alguma forma condicionado esta prática. O Governo não teve discernimento e coragem de impor de imediato esta regra apesar de ter tido o respaldo e sinal do PSD para tal.

Em segundo lugar, parece não haver um critério uniforme sobre quem nos lares deveria ser vacinado. A polémica maior é mesmo com os órgãos sociais das IPSS´s apesar das listas de vacinados propostos ser aprovada antecipadamente pela respetiva ARS (saúde regional).

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A CNIS (Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade) revela mesmo que nas recomendações da DGS se incluem dirigentes com papel ativo e executivo nas instituições. Pelos vistos há demasiada gente a ser acusada que na verdade foi enganada, pela DGS, pela Task Force e por quem autorizou a sua vacina. Ora, se um Provedor que passa o dia num lar, em contacto com idosos e funcionários é óbvio que é um membro ativo do Lar e tem que ser vacinado. Outro que apenas vai às reuniões da Mesa já não faz sentido.

Em terceiro lugar, o facto de sobrarem tantas vacinas, como por exemplo aconteceu no INEM do Porto, é apenas falta de planeamento da instituição. Se à partida não sabem se 53 médicos e enfermeiros dos “150” que possuem vão ou não requerer a sua vacina – pois existe a possibilidade de já a terem tomado noutro hospital onde prestam serviço – então é porque não fizeram o trabalho de casa, não planearam, não telefonaram, não foram eficientes. Até porque devia haver um registo centralizado único da toma da vacina como se faz em Israel e noutros países organizados. Assim, se sobra, dá-se aos vizinhos da pastelaria. Ridículo.

Em quarto lugar, também me parece que sempre que a política ou o Governo se mete em processos já bastante estabilizados costuma dar asneira. Se todos os anos se dão milhões de vacinas através dos centros de saúde e das farmácias, com uma máquina já bem oleada entre o sector público, social e privado, não era mais fácil deixar essas equipas fazerem o seu trabalho habitual com mais esta vacina que não é assim tão diferente das outras?

Depois temos os chico-espertos e os abusadores que usam a sua condição para passar à frente do comum dos mortais apesar de terem consciência que estão a cometer um claro abuso. Esses sim, merecem ser alvo de critica pública e da chacota popular. Mas nesta polémica é preciso ter muito cuidado antes de atirar a primeira pedra pois também parece haver muto boa gente que é apenas vítima da incompetência alheia.

E quanto às prioridades é preciso não ter hesitações a assumir que os autarcas que andam no terreno a ajudar as pessoas e a fazerem um esforço para que tudo funcione têm que ser vacinados o quanto antes, tal como os dentistas, tal como os professores e também os homens e mulheres que apanham o lixo e que ninguém se lembra que arriscam a vida todos os dias ao recolher lixo de pessoas infetadas sem o saberem.

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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1 COMENTÁRIO

  1. Identifico-me como tesoureiro do CRIA de Abrantes, Victor Teixeira, ainda não sei se algum membro da Direção ou dos Órgãos Sociais tomaram a vacina covid, e espero sinceramente que não o tenham feito, por não haver nenhuma razão plausível para terem tomado a vacina.

    1- Nenhum membro da Direção tem a necessidade de estar em permanência no CRIA, os membros incluindo o Presidente por vida pessoal já esteve ausente diversas vezes com dias seguidos, o CRIA nunca parou.

    2- Na atual situação do covid, o plano de contingência proíbe a interação entre as áreas, (lar, formação, CAO, etc.) logo todos os membros estão automaticamente excluídos do contacto com os utentes.

    3- Em caso de haver um situação de vacinas em excesso para o número de pessoas, seria fácil contactar utentes do CRIA, que moram na área envolvente do CRIA, para estarem presente num curto período de tempo 5/10m

    4- Em caso de não termos disponível utentes para as vacinas extras, qualquer trabalhador do CRIA com contacto direto com os utentes seriam a meu ver prioritários, e no fim da lista todos os outros

    A utilização de vacinas por de qualquer membro desta Direção, seria um ultraje aos princípios éticos que o CRIA se deve reger, seria os Diretores a servir-se do CRIA e não a servir voluntariamente o mesmo.

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